Radio Calema
InicioDestaquesGuilherme Posser da Costa receia abstenção

Guilherme Posser da Costa receia abstenção

Guilherme Posser da Costa, apoiado pelo MLSTP-PSD, é um dos candidatos à 2ª volta das eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe. Em entrevista à RFI, Guilherme Posser da Costa está confiante no voto dos são-tomenses, mas receia a abstenção.

O senhor apresenta-se como o garante da estabilidade de São Tomé e Príncipe. Quais são as suas principais propostas para o país?

Uma das minhas prioridades é precisamente a estabilidade institucional, política e governamental. O nosso país tem sido, nos últimos tempos, nos últimos anos, alvo de várias mudanças de governos e várias crises- umas reais, outras fictícias- e essa situação de instabilidade não abona no sentido de dar garantias, mesmo no sector privado são-tomense, para se poder investir no país.

Defende uma reforma do sector da justiça. De que forma pensa implementar essa reforma?

A justiça tem de ser vista de uma forma muito mais abrangente e, quando falo numa visão mais abrangente, quero pôr também aqui o conceito de estabilidade. A justiça deve funcionar no combate à criminalidade. Nos últimos tempos, temos estado a assistir a um crescendo da criminalidade no país, não é a grande criminalidade e, por isso, necessitamos de ir às causas desses fenómenos anti-sociais.

[A justiça] não são só os tribunais. É a polícia judiciária e outras instituições que possam ajudar o país a incutir no homem são-tomense o bom comportamento, o bom civismo, o respeito pelos outros e pela propriedades dos outros. Tudo isso faz parte de uma reforma da justiça.

Relativamente à política externa, qual será a sua política?

Para a política externa do país, como sabe, fui ministro dos Negócios Estrangeiros durante muito tempo, falo com experiência vivida. Nós só podemos definir uma política externa para o país depois de decidirmos aquilo que queremos fazer em termos de política interna, sobretudo,  em termos de desenvolvimento do país e a política externa tem de estar intrusada com essas opções internas que são tomadas. Eu acho que terá de haver, digamos, um trabalho prévio de uma procura de consensos à volta de programas, em torno de projectos que nós sabemos exequíveis e facilmente mobilizáveis.

Procurar apoio junto de organizações como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma opção?

Obviamente que junto da Comunidade será uma prioridade, uma procura mais privilegiada dadas as relações que temos. Mas temos de fazer também uma diplomacia económica, um pouco mais agressiva, no sentido dela não ser muito direccionada, para que tenha uma base muito mais diversificada. Temos de procurar  novos parceiros.

O senhor afirma que as Forças Armadas têm de estar adaptadas aos reais interesses do país. Admite uma reforma deste sector?

Eu quero que as Forças Armadas sejam umas Forças Armadas republicanas, que se submentam ao poder político e que sejam apartidárias . A partir daí, pode fazer-se um trabalho em conjunto, englobando os destinatários que são as Forças Armadas.

Acho que a concepção de defesa para um micro-Estado como o nosso não pode ser a concepção de defesa de um país maior ou mais rico do que o nosso. Temos de nos adaptar, ver onde é que precisamos de investir mais para defender não só o território, como também os nossos bens, nomeadamente, os recursos naturais.

É fundamental apostar na marinha, na guarda costeira e essa será uma das minhas opções, no sentido de poder defender a nossa Zona Económica Exclusiva, uma vez que a nossa extensão marítima é muito maior do que a parte terrestre do nosso território.

São Tomé e Príncipe tem um regime semi- presidencialista com pendor parlamentar. Este regime ainda se adequa à realidade do país?

Eu sou semi-presidencialista, obviamente que há um sector da nossa sociedade que nunca escondeu a preferência por um regime presidencialista. Eu defendo um regime semi- presidencialista com pendor parlamentar: para que os poderes sejam distribuídos, para que haja uma verdadeira separação de poderes e que a democracia encontre nesta separação de poderes, digamos, os pilares mais sólidos para a sua consolidação.

No entanto, semi-presidencialismo ou presidencialismo, eu tenho dito às pessoas que tudo depende de como o titular desses órgãos de soberania exerce as suas competências. Ele deve exercê-las no quadro constitucional e, se o fizer, o nosso regime -semi-presidencialista- eu acho, é o mais adequado para São Tomé e Príncipe.

A crise política que se instalou recentemente no país pode contribuir para um aumento da abstenção na segunda volta?

Não quero esconder que é também um pouco o meu receio porque há uma tendência que parece que estamos a brincar à política e é provável que os eleitores digam: não vou outra vez votar porque, realmente, fui votar e o meu voto foi objecto de todos os problemas que aconteceram. Não há dúvida que todos os conflitos que existiram poderão, eventualmente, levar as pessoas a terem pouca vontade de ir votar .

Receia fraude nesta segunda volta das presidenciais?

Nós temos mais ou menos definido quem são as pessoas que praticam [a fraude eleitoral] e se elas a praticam, a culpa é nossa. Temos de estar vigilantes para que os resultados das eleições espelhem claramente, inequivocamente a vontade popular.

Vai aceitar os resultados?

Eu aceitarei os resultados sempre e quando não houver indícios, para mim, claros e evidentes de ter havido fraude eleitoral. Mas não havendo, eu estou perfeitamente à vontade para aceitar a derrota, numa perspectiva de que a minha candidatura deu uma grande contribuição para a nossa sociedade. Parafraseando Nelson Mandela: Eu nunca perco. Ou ganho ou aprendo.

O senhor foi o segundo candidato mais votado. Acredita que será o próximo chefe de estado de São Tomé e Príncipe?

Em absoluto. Eu acredito que serei o próximo Presidente da República democrática e que o povo vai fazer essa escolha.

FonteRFI

Siga-nos

0FansCurti
0SeguidoresSeguir
0InscritosSe inscrever

Últimas notícias

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.