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O stress de Angola que veio para ficar

A ministra das Finanças de Angola afirma, sem receio, que a movimentação do sector petrolífero influencia de forma determinante toda a economia. Não se trata de uma novidade, mas é importante que um governante assuma esta realidade.

A ministra das Finanças de Angola concedeu uma entrevista ao Novo Jornal que se traduz num exercício de frontalidade que deve ser valorizado, dando como válido o princípio da sabedoria popular segundo o qual o primeiro passo para resolver um problema é reconhecer que ele existe.

“Se o sector petrolífero se movimenta contra nós, toda a economia entra em stress”, declarou Vera Daves de Sousa. Trata-se de um facto, mas ouvi-lo da boca de um governante ganha uma dimensão relevante. A necessidade de diminuir a dependência do sector petrolífero tem sido uma narrativa recorrente ouvida da boca das mais diversas autoridades angolanas, mas nunca como agora tinha sido admitido este efeito telúrico do preço do petróleo sobre a actividade económica.

A pandemia de Covid-19, mais do que stress, pôs o país à beira de um ataque de nervos, evidenciando as fragilidades estruturais que sempre existiram mas estavam camufladas pelo fluxo das receitas petrolíferas.

Todavia, na análise de Vera Daves de Sousa, falta acrescentar um elemento determinante. O movimento do sector petrolífero, cada vez mais pressionado pelas alterações climáticas e a imperiosidade de produção de energias limpas, vai no sentido de prolongar este stress no tempo e a um rimo crescente.

Um outro elemento de fricção com que Vera Daves de Sousa terá de lidar na elaboração do Orçamento do Estado para 2022 tem a ver com a realização das eleições gerais. Em regra, estes são momentos em que a pressão despesista é alta, materializando-se nos mais diversos tipos de obras públicas. Ora, a ministra das Finanças terá de calibrar esta necessidade do Governo em mostrar trabalho com uma condução equilibrada da contas públicas.

Uma injecção de SDR

O programa de assistência financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) termina no final do ano, mas parece evidente que Angola irá continuar a necessitar de ajuda e isso obriga a uma gestão prudente das finanças.

É verdade que o FMI brindou Angola, à semelhança dos demais Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, com uma injecção de liquidez, feita através dos Direitos Especiais de Saque (SDR na sigla em inglês). O fundo liderado por Kristalina Georgieva disponibilizou 1,1 milhões de SDR para os PALOP, sendo que 709 milhões se destinam a Angola.

Segundo a diretora-geral do FMI, estes SDR vão “resolver a necessidade de reservas de longo prazo, construir confiança e aumentar a resiliência e estabilidade da economia global. Em particular, vão ajudar os países mais vulneráveis a lidar com o impacto da crise do novo coronavírus.”

Falta agora saber se Angola continuará a manter-se, tal como o FMI sinalizou, “no caminho de prudência das finanças públicas”. Tem a palavra a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa.

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