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Mocímboa da Praia: Padre diz que “Igreja Católica se sente humilhada” com destruição da paróquia

Padre da Diocese de Pemba, Latifo Fonseca, que visitou Mocímboa da Praia, diz que “não se trata de uma guerra da religião, é preciso afastar esta narrativa”

O padre da Diocese de Pemba, Latifo Fonseca, foi observar, um ano depois, os escombros da Paróquia de Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, totalmente destruída pelos jihadistas, e disse que a Igreja Católica se sente humilhada e chocada.

Para o padre, “aqueles que estão a destruir a província de Cabo Delgado, usam a religião para alcançar os seus objectivos inconfessos, negando, no entanto, a narrativa de que esta guerra tem motivações religiosas”.

Da paróquia não foi destruída apenas a torre, mas paredes, o telhado, tudo foi deitado abaixo, conta Fonseca.

Paróquia destruida, Mocímboa da Praia, Cabo Delgado, Moçambique.
(DR)

O Centro de Recursos da Universidade Católica na vila de Mocímboa da Praia foi severamente vandalizado, bem como outras infraestruturas pertencentes àquela igreja, construída há mais de 65 anos e com cerca de 10 mil fiéis.

“Não se trata de uma guerra da religião, é preciso afastar esta narrativa”, defendeu o padre Fonseca, que, entretanto, afirmou que a Igreja Católica se sente humilhada “porque tal como as pessoas e outras infraestruturas, destruíram o símbolo daquilo que é a presença da igreja; o jeito como vandalizaram tudo, isso chocou-nos bastante”.

Aquele missionário deslocou-se a Mocímboa da Praia na companhia de militares que operam em Cabo Delgado, a quem pediu no sentido de continuarem a tudo fazer para que as pessoas vençam os seus traumas.

“Sabemos que vocês têm também os vossos traumas pela luta no dia-a-dia contra o terrorismo, mas pedimos muita coragem, muita paciência e que olhem que isto um dia vai acabar”, pediu.

No passado fim-de-semana, as autoridades militares moçambicanas anunciaram que forças conjuntas do Ruanda e de Moçambique destruíram a base de Mbau, tida como uma das mais importantes posições dos jihadistas, depois de terem recuperado a vila de Mocímboa da Praia, NTchinga e a localidade de Awasse.

Entretanto, organizações internacionais que operam em Cabo Delgado dizem que o número de pessoas afectadas pelo conflito militar que precisam de assistência humanitária tem vindo a aumentar, na sequência das operações militares que resultam no resgate dos indivíduos que tinham sido raptados pelos jihadistas.

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