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Nobel da Economia arrasa leilão do 5G português: “Portugal segue regras que eram usadas há 30 anos”

Paul Milgrom, Nobel da Economia em 2020, analisou as regras do leilão de 5ª geração móvel da Anacom e deixou várias críticas à forma como foi desenhado. Em entrevista ao Expresso, fala também sobre a saída da crise, as vacinas e o futuro da política monetária.

Paul Milgrom é especialista em leilões, que faz um pouco por todo o mundo, e tem até uma empresa — a Auctionomics — que se dedica a assessorar Governos e empresas na forma de desenhar ou participar em leilões.

Foi precisamente pela teoria dos leilões que, no ano passado, recebeu o Nobel da Economia juntamente com Robert Wilson, seu amigo e orientador de doutoramento na universidade de Stanford nos EUA.

Em entrevista por video-chamada falou sobre vários temas da actualidade económica internacional, como a recuperação da crise, a ameaça da inflação ou a forma de pagar a dívida pública que tem disparado em todo o mundo.

E, como não podia deixar de ser, falou igualmente sobre o leilão do 5G português que tanta polémica tem dado pela lentidão — já lá vão mais de 150 dias — e pelas ferozes críticas dos operadores.

A pedido do Expresso analisou as regras do leilão português e o diagnóstico não podia ser mais arrasador: “Parece que não dedicaram muito pensamento ao desenho do leilão. Criei um desenho semelhante para leilões de espectro em 1993 e 1994. As regras que estão a ser usadas em Portugal são muito semelhantes às que eram usadas há 30 anos.”

Como está desenhado o leilão, “existe o risco de os três principais licitadores dividirem o mercado e manterem os preços baixos”. Os problemas? Milgrom não tem dúvidas: divisão dos lotes, forma de articulação das ofertas entre si e magnitude dos incrementos mínimos exigidos. “Sabemos que se tivermos lotes que são muito idênticos e forçarmos as empresas a fazer ofertas em separado teremos um leilão muito lento”, garante o economista.

Uma das soluções é não ter incrementos tão pequenos: “Portugal tem incrementos de 1%, é ridículo. Incrementos de 5% em leilões de espectro é suficiente. E os preços andarão cinco vezes mais depressa.”

Na verdade, embora o leilão tenha sido desenhado com aumentos mínimos de 1% e 2%, a Anacom — o regulador das telecomunicações — já avançou com uma subida do mínimo de 5% que poderá em breve entrar em vigor.

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