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A solução é económica

As soluções fundamentais para o País são económicas. Essa coisa da política do poder pelo poder, de querer ser o “chefe”, das avenidas cheias de cartazes e bandeiras, da velha Cidadela recuperada, dos ataques ignóbeis sem moral ou pudor, é apenas isso, poder pelo poder.

Mas não mata a fome das pessoas, não emprega cidadãos, não fixa empresas nem traz investimento sério, continuamos fundamentalmente com os mesmos investidores estrangeiros do passado, os que cobram 25% à cabeça, distribuem os outros 25% pelos envolvidos, e realizam obra com os restantes 50%.

E não adianta estarmos constantemente a evocar a pandemia para fugir à discussão das medidas que devem ser tomadas para salvar a nossa economia. Já estávamos em recessão antes de ser conhecido a Covid-19 e, definitivamente, não podemos continuar a baixar o PIB ano após ano, com a população a aumentar, o consumo a cair, a dívida a aumentar e os nossos “chefes” a continuar a anunciar projectos de centenas, mesmo de milhares, de milhões de dólares, em vez de se questionar para que servem e porque é que custam tanto.

Pelo que tenho visto até agora, parece-me que a questão económica continua fora das prioridades dos políticos. Compreendo que se discuta a questão da nomeação da nova presidente do Tribunal Constitucional, mas porque é que não se questiona porque é que o País resolveu fazer agora três refinarias de raiz e modernizar mais uma, numa altura em que a produção está a cair e que a matriz energética mundial está a mudar? E depois dos pacotes generosos de incentivos que foram dados aos promotores, afinal o que vão acrescentar à riqueza nacional?

Entendo que os partidos políticos discutam a linha editorial do Jornal de Angola e da TPA, mas porque é que não se fala a sério dos biliões de kwanzas que o Prodesi está a custar ao País, que 60% do dinheiro distribuído até agora foi para grandes empresas ( já agora seria interessante saber quem são os últimos beneficiários), que apenas 2,5% foi para pequenas e micro empresas, que a produção agrícola na verdade não cresce, que o desemprego no campo não baixa, que o modelo não funciona. Devíamos estar a discutir como vamos pôr a agricultura a andar. Não vejo os partidos da oposição entrar nesta conversa, a propor alternativas.

Falta um ano para as eleições e a discussão é apenas política. As crianças de rua voltam a encher as principais cidades do País, a fome nota-se em cada esquina. Ter espírito patriótico não é continuar essa discussão do que “eu sou mais angolano que tu”, nem é dizer mal de tudo e de todos. É trazer soluções. Mesmo que ninguém queira ouvir, a bem da Nação temos de discutir mudanças e projectos na área económica. E, já agora, um apelo aos que estão em cargos de decisão, sejam corajosos e tomem as medidas que acham ser as melhores para todos. Não sejam coniventes com coisas que não concordam. Senão daqui a uns anos estão a justificar envergonhados, mesmo que seja apenas aos vossos filhos e netos, “foi o chefe que mandou”.

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