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Música instrumental angolana: Da voz suave de Né Gonçalves ao choro melódico de Belmiro Carlos (Nito)

A Internet é hoje a principal montra de muitos artistas e é nela também que assistimos a tudo quanto é novidade ou do que andam a fazer para surpreenderem os fãs. Uma ronda pelo sistema cibernético permite-nos hoje, sem qualquer problema, saber da saúde profissional das nossas vedetas.

A nossa escolha recai em duas figuras importantes do nosso cenário musical, que apesar das contrariedades do mercado, continuam a manter a conectividade com o seu público.

A nossa escolha recaiu para a música instrumental que se faz em Angola e queremos com isso mostrar quem nos dá a ouvir em mp3 ou outro formato sonoro, as novidades musicais. A primeira escolha recai para a obra discográfica de Né Gonçalves, que surpreendeu há dois anos os seus seguidores, com a edição instrumental do seu primeiro álbum, Luanda meu semba.

Curiosamente a fazer o preenchimento da grelha de programas radiofónicos de Luanda. Descobrimos que as nossas estradas também ouvem Né Gonçalves no seu estribilho Luanda meu semba nas viagens, nos supermercados, onde curiosamente não conseguimos encontrar um CD à venda, do cantautor.

Falámos com cinco DJ´s  da ala jovem e dois deles admitiram conhecer o cantautor, que está incluído nas suas playlists de apresentações festivas, sobretudo nos intervalos.

Alguns dos temas contidos neste primeiro e noviço álbum de instrumentais, de uma obra que suscitou imensos comentários, em 1994, na cerimónia de apresentação pública, no Hotel Continental, por parte de colegas, comunicação social e amigos do artista, com referências positivas dos estilos incluídos no álbum. Angola aprovou e tempos depois, na Europa, editoras como a Tropical Music, da Alemanha, escolheram um tema do álbum, Lemba, para preencher uma colectânea de músicas lusófonas.

Ao trabalhar afincadamente na opção instrumentais do mesmo álbum, Luanda meu semba, Né Gonçalves ganhou a aposta e hoje as rádios e djs preenchem os seus interlúdios com música ambiente, de natureza instrumental. O cinema e a Internet também valorizaram a natureza do instrumental Luanda, Meu Semba, como banda sonora dos respectivos formatos.

No álbum Sembamar sentimos a carga de um artista atento às variantes musicais do universo lusófono, caso da fadista portuguesa Marisa, e intervenções estilísticas de vários instrumentistas de várias partes do mundo, que conferem ao álbum um recorte de  indiscutível qualidade estética.

O artista está engajado num novo projecto musical, e o seu silêncio tumular indicia algo para surpreender. O nosso radar está vigilante e a qualquer momento vai dar os sinais correspondentes.

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BELMIRO CARLOS, BELOS RUMOS

Depois do álbum Belos Rumos, que há dez anos atrás pôs termo a um interregno de mais de 18 anos fora dos estúdios, Belmiro Carlos motivou outros artistas angolanos a seguirem-no nos registos fonográficos, com o lançamento de “Phrases mestiças”, tornando-se no guitarrista angolano com mais instrumentais gravados.

Na Internet há uma montra sonora a comprovar isto. Ainda hoje sentimos a natureza catalisadora dos seus registos, a promoverem viagens ao passado em que no África, Ritmos, África Show e Kissanguela produziu parte do seu portfólio. Qualquer dos seus registos instrumentais fizeram história nos momentos mais emocionantes da vida angolana pré e pós independência, mostrando linhas de pensamento estético muito avançadas, para aquilo que se aceitava como ideal para a música angolana.

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Músico Belmiro Carlos lança “Phrases Mestiças”

No registo Belos Rumos, Belmiro Carlos junta-se à Banda Maravilha e ao produtor musical Betinho Feijó, para compor novas linhas melódicas à sua obra de recomeço, Belos Rumos, e faz com que, na Internet e outros locais reacenda o debate da saudade dos centros recreativos e estúdios de gravação, da emergência de renovação da produção artística em Angola.

O álbum Belos Rumos apareceu no mercado, a indiciar um caminho estético para as guitarras angolanas no seu todo, permitindo que os diversos criadores voltassem a acreditar em si próprios e a abrir alas à criatividade artística, e todo o potencial que anda disperso por aí, em ideias e sonhos por concretizar.

O álbum “Phrases mestiças”, que envolveu recursos financeiros significativos, mais de 20 mil dólares, ao que se sabe, surge numa altura em que a produção musical mundial recuou no tempo e no espaço, e se envolva, com a ajuda dos meios modernos da Informática e da Internet na sugestão ao mercado do maxi single, na salutar tentativa de combater, os altos custos de produção dos estúdios de gravação e estimular a criatividade artística, a um preço mais competitivo.

Isso explica o facto de aparecerem no mercado fonográfico novas soluções digitais, que, com a ajuda do senhor computador, vão permitir o recurso a meios mais económicos e mais acessíveis à produção musical. Os bancos de sons diversos permitem aos produtores musicais, o acesso aos efeitos especiais e sons sintetizados, tornar mais rápida e barata a criatividade musical.

Angola já caminha nesta direcção e a resposta já sentimos, no estilo kizomba, que veio comprovar a maturidade e a excelência do  artista atento às variantes universais da música digital que se vem produzindo com sabor angolano.

Belmiro Carlos, que é visto a debitar nas redes sociais, ensaios de novos projectos instrumentais, não expõe por completo o seu potencial artístico, atento que está às vulnerabilidades do mercado digital, que em qualquer altura pode subtrair extractos substanciais da sua criatividade musical, como tem acontecido.

Aguardemos pois o fruto que se pode extrair dos exercícios, que tem exibido na sua página de Facebook, para amigos e fãs. Estamos a segui-lo a par e passo.

 

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