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Polícia protege camiões entre Benguela e Lobito mas nega que isso seja a causa do aumento da criminalidade noutras zonas

Está a gerar controvérsia a presença de um forte aparato da Polícia Nacional de Angola (PNA), diariamente, na protecção de camiões com alimentos na estrada Benguela/Lobito, na sequência de saques a mercadorias de um grande grupo empresarial.

Há acusações de que o uso desses agentes está na causa do aumento do crime na zona da Catumbela situação essa que vai ser objecto de uma marcha de protesto, no sábado, 14, com a organização a alertar a Polícia para o aumento de roubos e assassinatos.

Quatro homicídios nos últimos quinze dias, sendo uma das vítimas um filho da vice-governadora provincial, Deolinda Valiangula, fazem soar os alarmes, daí a marcha do Movimento para o Desenvolvimento Integral da Cidadania e Direitos Humanos.

O activista Hugo Calumbo, membro da organização, diz que a Polícia perdeu o controlo de uma crítica situação.

Calumbo fez notar que os assaltos ” são acompanhados de assassinados” e que as populações recorreram agora à justiça pelas próprias mão matando ladrões e outros criminosos.

“Achamos que a Polícia deve fazer mais”, defende o activista.

Um forte aparato policial tem dado cobertura a camiões do grupo empresarial Leonor Carrinho, que investiu 600 milhões de dólares num complexo industrial, facto que mereceu uma observação do sociólogo Juca Manjenje.

” Isto manifesta a grande despreocupação da nossa Polícia em relação à criminalidade, a prioridade é proteger interesses da elite económica de Benguela, se é que o dono é mesmo daqui”, disse acrescentando que a polícia “está a priorizar sacos de arroz e trigo por causa do dono”.

Em resposta, o comandante provincial da Polícia Nacional, comissário Aristófanes dos Santos, que fala em baixa criminalidade em termos de números, lembra que a corporação está a proteger produtos da cesta básica para os cidadãos.

“Não podemos permitir que cidadãos assaltem camiões na via pública, correndo risco de morte, é uma estrada”, disse.

Temos de continuar a garantir protecção a produtos da cesta básica”, acrescentou o comandante, que sublinhou que “os meios (usados na protecção dos camiões) não são de nenhuma esquadra, são meios específicos para esse fim”.

Há duas semanas, assaltos a camiões com arroz, como noticiou a VOA, levaram à estrada centenas de cidadãos, homens, mulheres e crianças, vítimas da penúria alimentar que assola a província.

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