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Sagrada Esperança contraria prognósticos com o título

O Girabola’2020/2021 fechou as “cortinas” no sábado, com a consagração do Sagrada Esperança no pódio da classificação, pela segunda vez, depois do inédito título alcançado em 2005.

Apesar de já ter sido campeão, ao Sagrada Esperança não eram depositadas as apostas no que à luta pelo título diz respeito. Os lundas entraram para a 43ª edição do campeonato como nas épocas anteriores, ou seja, definindo como meta a melhoria da posição anterior na tabela de classificação.

Ao contrário dos “crónicos” candidatos ao título, Petro e 1º de Agosto, o facto de o Sagrada ter encarado a competição sem pressão, pode ter sido fundamental para uma época de sucesso.

O grande mérito dos novos campeões nacionais esteve na capacidade de colher os pontos fáceis, diante de equipas do seu campeonato e discutir “palmo a palmo” os jogos teoricamente complicados, frente aos potenciais concorrentes. Diga-se, nesse particular, os diamantíferos passaram incólumes pelo 1º de Agosto (com registo de empate e vitória), e ante o Petro de Luanda, a quem derrotaram nos dois jogos.

A entrada dos diamantíferos na discussão pelo título começou a ganhar corpo a partir da 18ª jornada, altura em que a equipa orientada por Roque Sapiri chegou a liderar o campeonato. Mas teria sido desde a 27ª ronda que as probabilidades de o Sagrada ser campeão se tornaria mais evidente, dado o facto de passar a depender apenas de si mesmo para lograr o “caneco”.

Embora estivesse evidente as hipóteses de os diamantíferos serem campeões, a direcção do conjunto lunda adoptou sempre uma postura cautelosa. Como prova disso, a cinco jornadas do fim, o presidente de direcção José Muacabalo, recusou sempre assumir o título como objectivo, num discurso entendido como estratégico, no sentido de afastar a pressão dos atletas e passá-la para os concorrentes.

A forma como a equipa orientada por Roque Sapiri geriu as últimas jornadas viria a ser determinante para a conquista do título. Embora tivesse “tremido” na antepenúltima jornada, na deslocação ao terreno do Desportivo da Huíla, com quem perdeu (1-0), ao Sagrada não faltou força anímica e solidez competitiva para na penúltima jornada redimir-se na recepção ao Progresso, a quem venceu por 2-0, antes de viajar para Luanda.

Do percurso protagonizado pela equipa da Lunda-Norte no campeonato, realce para o autêntico “passeio turístico” protagonizado pela equipa nos jogos no Estádio do Dundo, onde em 13 jogos conseguiram igual número de vitórias. A irrepreensível prestação nos jogos em casa espelha bem o bom pecúlio alcançado pelo Sagrada ao longo de todo o campeonato.

Militares garantem competição africana

Sem surpresas, o 1º de Agosto assegurou o terceiro lugar e a presença na Taça da Confederação. A presença na competição africana acaba por representar um “alívio” para os militares, numa época em que viram fugir entre os objectivos: a conquista do campeonato e da Taça de Angola.

O Bravos do Maquis manteve a quarta posição, apesar de fechar o campeonato com derrota imprevisível frente ao Progresso Sambizanga, que deu um salto de gigante na tabela, ao fixar-se no 9º lugar. O quinto lugar coube ao Caála, numa época em que estiveram em bom nível, mas podem lamentar a perda do treinador, David Dias, vítima de doença. O colectivo honrou a memória do treinador ao fechar a época com vitória sobre o Libolo.

Motivos para estar satisfeito não tem a equipa do Interclube ao terminar na modesta sexta posição, num ano em que a direcção definiu como objectivo o título do campeonato. O empate diante do Santa Rita na última jornada ditou o fim de contrato com o técnico Ivo Campos.

Grande época fez o Wiliete. A equipa de Benguela foi simplesmente sensacional ao alcançar o sétimo lugar do campeonato. Na última jornada “atirou” a Baixa de Cassanje para a segunda divisão.
A Académica do Lobito manteve o oitavo posto da tabela, apesar de perder o último jogo. Nada mau para quem definiu a manutenção na competição como objectivo. O Desportivo conseguiu “sobreviver” ao espectro da despromoção, ao terminar no 10º lugar. O Sporting segurou o 13º posto e salvou-se “in-extremis” da descida.

Descida de divisão

Incapazes de “dar a volta ao texto” apresentaram-se as equipas da Baixa de Cassanje de Malanje e Santa Rita de Cássia do Uíge acompanhantes do Ferrovia do Huambo ao escalão secundário. As três equipas com a pior classificação do Girabola estão condenadas a disputar a “Segundona” nas respectivas províncias.

FonteJA

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