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Coisas da vida em Angola-3 : A CPLP e o MPLA

Em Lisboa, tenho a televisão ligada à operadora NOS. Há cerca de duas semanas deixou de emitir a programação da TPA Internacional.

“Motivos de ordem técnica”,a informação escrita corre na posição 191 que captava as notícias de Angola, a justificar a ausência. Fui forçado a acompanhar as incidências da Cimeira da CPLP pelas estações portuguesas que lhe deram suficiente destaque.
Do que me foi dado ler e ver, os efeitos nefastos dos fenómenos meteorológicos extremos na Europa levando a desgraça a alguns países, sobretudo a Alemanha e a situação em Cuba, encheram as manchetes da comunicação lusa.

Superou todas as expectativas, referiu no final da Cimeira o Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, caso raro de popularidade no seu país e fora dele. Somos uma força política e cultural a considerar, podemos ser também uma força económica relevante se trabalharmos para isso disse o Presidente João Lourenço no discurso de encerramento. Foi um final de bons auspícios, obrigando-nos a pensar no insucesso de projectos forjados em anteriores conclaves.

A mobilidade no espaço da comunidade alvoroçou o pessoal, tanto o da banda como o da Melói. Penso que não chegarão facilmente ao povão, as facilidades anunciadas para as entradas e permanências nos territórios a que alguns expertos de cá (Portugal) e de aí (Angola) se recusam a aceitá-los como lusófonos.

A lusofonia é uma treta, segundo os argumentos de especialistas que estudam o facto e a designação sem consenso mas que, porém, está longe de uma organização de carácter neocolonial como alguns chegam ao extremo de classificá-la.
Encontram resistência nos pareceres de conceituados professores e estudiosos de África e do colonialismo, que sublinham a premissa da presença do Brasil e da rotatividade das presidências nos vinte e cinco anos da organização, justificativas que lhe retira esse rótulo com que a querem marcar.
A discussão é antiga. Não estando preparado para opinar sobre essa maka,  aguardo o resultado da discussão sobre as forças e fraquezas da CPLP que, apesar de tudo e por força da língua portuguesa, nos reúne e nos concede a vontade de sonhar.

Pessoalmente e pelo momento que vivemos, preferia que outros estudiosos se concentrassem mais em questões humanitárias, soluções para a erradicação da miséria e doutros males que magoam a saúde e a educação das nossas populações.

Para que mais lá para a frente se deixe falar da ausência de universidades angolanas na lista das trezentas melhores de África. Há que subir no ranking, na educação e na saúde. Rapidamente. Não me canso de alertar.

As ausências dos presidentes do Brasil e da Guiné Equatorial foram notadas, cada um pelas razões que conhecemos e que não merecem ser comentadas. Saliento o discurso do Presidente Jorge Carlos Fonseca, de Cabo-Verde, que mostrou o pensamento de um homem de cultura numa mensagem de esperança.

Assinalo também a presença do Embaixador Francisco Ribeiro Telles, o último secretário executivo da CPLP, um cavalheiro com quem tive o privilégio de lidar de perto enquanto Embaixador de Portugal em Angola. Passou o testemunho ao timorense Zacarias da Costa, de quem se espera trabalho ao nível do prestado pelo seu antecessor.

Enfim, a Cimeira foi um desfile de figuras representativas dos países da CPLP que ao longo dos anos foram sendo democraticamente substituídos. Quatro Continentes, simbolizados num novo Secretário Executivo, um timorense, a dar um ar de democracia à instituição. Apesar da pandemia que assola o mundo, temos tudo para pensar num futuro melhor.

Voltando-me para o MPLA e, consequentemente, para a governação do país e  sem pretender ser chato, mantenho a posição referente ao Metro de Superfície e acrescento o seguinte: não se pode dar esse passo de gigante quando ainda não conseguimos pôr ordem no combóio Luanda-Viana, que não tem hora de partida nem de chegada. Ainda recordo o que aconteceu a um combóio na linha Lubango-Menongue há alguns meses. Porque queremos já o luxo do Metro?

Desse monstro apenas temos falado da sua construção e instalação, não se fala ainda e por razões que serão óbvias, dos custos e dos actores da sua manutenção. Uma engrenagem cuja manutenção vai custar uma fortuna com a força de trabalho especializada necessária, os acessórios e as peças de reposição a serem inevitavelmente importados (mais um empurrão para a desvalorização do kwanza), como vamos, nós mesmos, passar esse obstáculo, se nem sequer produzimos uma vulgar  chave de fendas?
O dinheiro vem de fora? Tudo bem, mas vamos pagar e a bom preço. Respeito a opinião do meu amigo Graça Campos exposta há dias, mas não me vou considerar populista por ser contrário ao surgimento do Metro nesta altura.
No momento, o que considero razoável é dar solução à enorme engrenagem dos transportes que temos e depois de funcionarem bem ou razoavelmente os autocarros, os táxis e os barcos, e melhorarem as vias de circulação, que venha o dito Metro da nossa esperança. Muito ainda há para argumentar sobre a questão, mas fico por aqui.

Da banca não gostaria de falar mais. Contudo, ao saber que o BPC sofreu um ataque cibernético e mais uma vez não consegue satisfazer a população em termos de pagamentos e outras operações regulares, pergunto.

Para quando uma intervenção a sério nesse monstro endinheirado permanentemente ensonado quando não adormecido?

Entretanto, de 29 à 31 de Julho (assim mesmo, com o acento grave mal aplicado no a, um erro teimoso na sua presença em documentos oficiais e que ninguém ousa corrigir), na Marginal de Luanda, a OMA vai realizar a Expo Mulher, subordinada ao tema “Empoderamento económico e inclusão financeira da Mulher”.

O verbo empoderar  e as mulheres capazes estão na moda, por luta e direito próprio. Oxalá consigam ser atingidos os objectivos da exposição.
Como habitualmente, convido-vos à leitura deste texto, no domingo próximo, à hora do matabicho.

Lisboa, 24 de Julho de 2021

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