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“Vamos ter de mudar a imagem de São Tomé e Príncipe no mundo”

Roberto Garrido é candidato apoiado pelo PTOS nas eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe, marcadas para o próximo dia 18 de Julho e nas quais participam 19 candidatos. Em entrevista à RFI, o candidato reconhece que é urgente “mudar a imagem de São Tomé e Príncipe no mundo”.

RFI: Porque é que decidiu apresentar a sua candidatura às eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe?

Fui fundador de um partido denominado PTOS com o intuito de encontrar o nosso espaço político, para tentarmos galvanizar o nosso esquema político para desenvolver São Tomé e Príncipe, tendo em conta que no MLSTP-PSD as oportunidades são poucas para conseguir esse desiderato.

Mesmo estando na esfera do MLSTP como membro do conselho distrital, eu fui convidado pelo partido PTOS, para dar seguimento a um projecto que eles já tinham iniciado.

Roberto Garrido: Nesta corrida eleitoral, o senhor conta com o apoio do partido PTOS?

Exactamente.

O lema da sua campanha é o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe. Diz ainda “querer salvar o povo que foi enganado pelos sucessivos governos”. Qual é que é o seu projecto para São Tomé e Príncipe e para a diáspora?

É um projecto apresentado pela minha candidatura na área da Defesa Nacional. A minha candidatura pretende criar uma estrutura militar com rentabilidade especializada em toda a área de defesa marítima do golfo da Guiné.

Por outro lado, nós vamos ter de mudar a imagem de São Tomé e Príncipe no mundo, tendo em conta que há muitos protocolos e convenções assinadas internacionalmente e o país não tem assumido os seus compromissos.

Então, vamos lá ter informações, onde esses compromissos não são assumidos, e que São Tomé e Príncipe já ratificou o acordo, para nós definirmos realmente se vale a pena continuar ou não. Se valer a pena continuar, nós temos de assumir as nossas obrigações.

Somos da opinião de manter as nossas relações com as Nações Unidas, a União Africana, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e outros organismos internacionais. Isso vai continuar como actualmente. Não vão existir grandes alterações no que diz respeito às relações internacionais com países como, por exemplo, França, África do Sul ou a Nigéria.

O abuso sexual, a violência doméstica, o consumo de álcool e droga e a corrupção são flagelos que atingem o país. O que pode fazer o chefe de Estado para resolver estes problemas?

Quanto a esses casos de abuso sexual de menores e violência doméstica, eu sou da opinião de que haja a criação de uma célula que resolva rapidamente esses crimes porque realmente é muito aborrecido para o cidadão o nível de burla, de abuso de confiança, de abuso sexual de menores e de violência doméstica que temos assistido no país.

Acho que temos de fazer tudo para que estes casos sejam realmente resolvidos rapidamente e punidos de acordo com a lei.

Relativamente à corrupção, é um flagelo em São Tomé e Príncipe, mas cabe aos tribunais que trabalhem com isenção, tendo em conta que os tribunais também são um órgão de soberania. Tem de haver um diálogo aberto porque há muita violência política dentro dos tribunais.

Ultimamente o que aconteceu no nosso país foram questões muito ligadas ao tribunal e poder, sobretudo no caso da cervejaria ‘Rosema’, que teve um conflito bastante marcante na vida dos são-tomenses relativamente a esta questão.

São Tomé e Príncipe é considerado como um dos países mais pobres do mundo e também como um dos mais endividados, sendo que 50% do Produto Interno Bruto (PIB) é assegurado pela comunidade internacional. A situação foi agudizada pela pandemia da Covid-19. Que papel deve exercer o chefe de Estado para reduzir esta dependência do país com o exterior?

São Tomé e Príncipe não é um país pobre. O país tem muitas potencialidades. Temos recursos naturais, hídricos e florestais. Temos um mar abundante, com a maior parte do território marítimo, e temos peixe. Portanto, eu acho que o país não é pobre.

Nós é que temos de saber como direccionar São Tomé e Príncipe para que consigamos tirar proveito dele. A título de exemplo, já há 20 anos que recebemos arroz do Japão, talvez em troca do nosso pescado, mas se formos ver em termos nutricionais, aquilo que nós perdemos com o nosso pescado não compatibiliza com as doenças que, por exemplo, o arroz traz para a nossa sociedade, provocando diabetes e outras doenças cardiovasculares.

Nós temos de pensar que um Presidente da República vai ter que ter um diálogo aberto com o governo para nós repensarmos qual é que é o modelo que melhor serve o desenvolvimento do país. Nós aqui temos tudo. Não somos um país pobre. Nós somos um país rico e depois os apoios internacionais que têm vindo para São Tomé e Príncipe, aquilo tem dado mau seguimento.

Nós vamos ver, por exemplo, o campo de milho do país, eu considero um cemitério daquela dívida que está nas costas do povo. É um cemitério porque lá são as construções de todos os desvios dos fundos que vieram para São Tomé e Príncipe e que coloca a dívida atrás de cada são-tomense.

Os são-tomenses estão convictos e conscientes de que não devem nada. Quem deve à comunidade internacional são os dirigentes de São Tomé e Príncipe. O povo não deve nada à comunidade internacional.

Em São Tomé e Príncipe, muitos dos poderes estão na mão do primeiro-ministro. Se for eleito chefe de Estado, a sua presidência será marcada pelas boas relações com o chefe do executivo, mesmo na eventualidade de este poder ser de outro partido?

Exactamente. Haverá todo o diálogo e toda a disponibilidade para que cheguemos a um consenso em torno de São Tomé e Príncipe, no entanto, dentro da prorrogativa que me atribui a Constituição como o chefe de Estado e maior representante da nação, eleito por sufrágio universal, directo e secreto, eu usurparei desta prorrogativa para saber como delinear realmente a posição do organograma do país.

Acredita que será o próximo Presidente da República de São Tomé e Príncipe?

Tudo depende do povo. Eu gostaria que fosse realmente tendo em conta que há possibilidade para tal. O povo está totalmente descontente com a situação económica do país. O povo vive na miséria. De há uns tempos para cá essa miséria ainda se foi agudizando mais. A população vive totalmente revoltada com essa situação.

O povo entendeu a mensagem de que é necessário mudarmos o paradigma de desenvolvimento de São Tomé e Príncipe, só que continuam ainda os grandes vícios e a história do banho, que impede os candidatos que não têm recursos de levarem a sua mensagem com clareza e tranquilidade para o terreno.

FonteRFI

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