Radio Calema
InícioAngolaSociedadeMoxico regista abandono em massa de cursos superiores

Moxico regista abandono em massa de cursos superiores

Evasão de estudantes que ingressaram no Ensino Superior no corrente ano académico chega a 40%. O financiamento dos cursos privados é apontado como principal motivo para a desistência dos cursos na província.

No ano académico 2020/2021, que já está a conhecer o seu fim, mais de 6 mil jovens ingressaram nas duas instituições privadas de Ensino Superior existentes na província do Moxico, em Angola.

Segundo uma fonte do setor de educação, ouvida pela DW África, 40% destes estudantes foram forçados a abandonar os seus cursos por questões financeiras. Independendo do curso, o valor mínimo da propina é de 22.600 kwanzas, mas é possível que a propina mensal chegue a 27.000 kwanzas, cerca de 35 euros.

“Um estudante que desiste de sua formação pode sofrer as seguintes consequências: pode tornar-se um cidadão frustrado, delinquente, rebelde e até perigoso, podendo ainda vir a ser um criminoso”, alerta o sociólogo João Pedro.

Miquinichi: “Dependem exclusivamente das propinas dos estudantes”
(DR)

Sem criatividade?
Para o estudante Ismael Miquinichi, do terceiro ano de Sociologia, o Instituto Superior Politécnico Privado do Luena não propõe alternativas favoráveis aos estudantes diante da crise, o que impede que muitos continuem os seus cursos.

“As pessoas perderam o poder de compra, já não conseguem pagar as propinas e a instituição não consegue implementar políticas viáveis para melhorar tal situação. O Instituto Superior Politécnico Privado do Luena depende unicamente das propinas dos estudantes para acudir as suas despesas com pessoal e outros gastos correntes”, critica.

Para Miquinichi, as instituições de ensino deveriam ter um fundo de maneio “para não dependerem totalmente do dinheiro dos estudantes”. Por seu turno, o estudante do segundo ano de Direito, João Baptista, pensa que o Instituto Superior Politécnico Privado Walinga do Moxico deveria rever as suas posições.

“Em função do desenvolvimento de certas províncias, que ainda é baixo, e tendo em atenção a subida constante dos preços dos produtos da cesta básica, [fica difícil] de uma ou outra maneira o pagamento regular das propinas”, opina Baptista, acrescentando que muitos estudantes optam por sacrificar os estudos para salvaguardar a economia familiar.

Instituto Politécnico do Luena é uma das duas instituições privadas da província
(DR)

Alunos mais velhos
A DW África tentou ouvir gestores de instituições privadas de Ensino Superior, a Associação de Instituições de Ensino Superior Privado Angolanas, bem como a Associação dos Estudantes, mas não houve resposta aos pedidos de entrevista até o fecho desta reportagem.

Um fenómeno próprio de Angola é o aumento da demanda de pessoas acima dos 30 anos por cursos de nível superior. Trata-se da geração prejudicada por mais de três décadas de guerra civil. A província do Moxico foi um dos maiores palcos dos combates e a instabilidade provocou o ingresso tardio dos cidadãos no sistema de ensino.

Devido a este fenómeno, o pedagogo Curica Job defende que haja bolsas de estudo no país para estudantes acima de 25 anos – idade limite para bolseiros. Este público é afetado pelo desemprego. Sem uma bolsa, muitos acabam por desistir de estudar porque precisam buscar formas de sobreviver e garantir o sustento da família.

“É necessário que o Estado favoreça também os estudantes com idade superior a 25 anos de idade”, sugere.

FonteDW

Siga-nos

0FãsCurtir
0SeguidoresSeguir
0InscritosInscrever

Últimas notícias

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.