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A falácia de que o futuro dos jovens angolanos está na agricultura familiar

Não é preciso ser-se engenheiro agrónomo para perceber que a agricultura familiar nos moldes como está a ser pensada não passará de uma agricultura de subsistência, onde cultivamos o que precisamos para comer, logo não pode ser o futuro promissor para os milhões de jovens angolanos que terão de pegar numa enxada e desbravar a sua própria mandioca para depois entregar a sua mulher para transformar em fuba.

É uma completa falácia, pensar que o avanço da nossa agricultura, produções cada vez maiores e com melhor qualidade dos produtos cultivados, têm a necessidade massiva da mão calejada da nossa população, é só perceber-se quantos trabalhadores têm as grandes fazendas que produzem boa parte dos produtos hortícolas que vemos nas nossas praças, ruas e supermercados e perceberemos logo que o futuro não é por aí.

A migração da população jovem dos campos para cidade, reflecte o desejo e a ambição dos mesmos por uma vida diferente dos seus mais velhos, calejados de tanto capinar.

A agricultura como agronegócio, representa a integração do sector aos avanços de tecnologia, melhoramento genético das plantas, por exemplo, a melancia sem caroços (sementes), mecanização dos processos de cultivo e a canalização eficiente para distribuição e/ou transformação dos produtos, não tendo nada a ver com o tamanho da fazenda, mas sim pela performance e qualidade das produções que de lá sai, não se prevendo a contratação de força de trabalho massiva.

Duas justificações suficientes para se perceber que o futuro de milhões de jovens angolanos não é absolutamente por aí.

Então por onde ir? Iremos cair na resposta cliché “educação” que todo mundo responde, mas ninguém sabe ao certo que impacto teria na realidade, que investimento seria necessário e como todo investimento quais seriam os ganhos para quem investiu, nesse caso a nossa terra mãe Angola.

Partindo do princípio de que educação é muito mais do que aprender a ler e a escrever, tem como base fundamental a passagem através de processos organizados e contínuos de aprendizado, conhecimento, habilidades, valores e crenças, utilizando métodos como ensino, treinamento, narração de histórias e experiências, discussão e pesquisa direcionada.

Com base nesse entendimento mais abrangente de educação, ilustrarei em formato de comparação a criação de riqueza de jovens angolanos que já prosperam mais do que empresas do sector financeiro nacional, onde superando algumas condicionantes, seria possível multiplicar de forma assertiva esses exemplos de sucesso e tornar os nossos jovens mais brilhantes e capazes de se posicionar com distinção num mundo mais exigente e globalmente mais competitivo.

Jogador de NBA Bruno Fernandes é o primeiro e único angolano a entrar efectivamente no campeonato milionário dos Estados Unidos, auferindo um salário anual de 1.5 Milhões de dólares americanos.

O salário do Bruno criou mais riqueza que o BPC, actualmente com resultados anuais negativos, e era somente necessário “criarmos” mais 114 jovens talentosos para criar a mesma riqueza que o BFA e apenas 67 jovens para criar a mesma riqueza anual que o Banco BIC criou em 2019.

Passando para música, outra forma de educação, temos o artista Anselmo Ralph, que em tempos encheu o Meo Arena com 18 mil fãs, obtendo ganhos aproximados de 650 mil dólares, indo pela mesma lógica, é apenas necessário que o Anselmo repita o espectáculo para criar mais riqueza que o BPC, é apenas necessário que “criemos” 273 artistas talentosos para criar mais riqueza do que o BFA criou em 2019, e apenas mais 161 talentos para criar mais riqueza que o BIC criou em 2019.

Para criarmos as condições de sucesso para alguns dos nossos jovens, pode nem passar por investimentos muito avultados, baste que se melhorem as condições dos meios onde eles exercem os seus dons e actividades, por exemplo, a prática dos desportos mais populares como o Basquete e futebol estão limitadas pela luz solar nos nossos bairros, travando o potencial de treinamento contínuo e repetitivo para alavancar o talento, logo, baste que se ponham luzes nos escassos recintos públicos que temos para eliminar essa condicionante. É urgente e necessário melhorar os actuais e difundir de forma massiva os recintos e a prática de desporto.

No caso dos talentos culturais e recreativos, é necessário que o artista tenha apoios e subsídios legais na proteção da sua propriedade intelectual criada, é necessário que se difunda o conhecimento sobre as outras artes nas escolas, para que se crie o hábito de consumo de peças e serviços culturais.

É necessário que além de investirmos nas nossas línguas tradicionais, é fundamental termos a língua inglesa e até mesmo a francesa como disciplinas chaves no ensino de forma que os nossos talentos sonhem não só em português, mas que tenham a capacidade de desbravar outros mercados com os seus talentos.

Por últimos, mas não menos importante, é urgente olharmos para o futuro e ver como está a ser desenhado, precisamos apostar forte e agora no ramo da robótica e programação, hoje já é possível criar conteúdos programáticos com esses temas para classes do 1º ano do ensino de base.

O mundo está cada vez mais digital e inclusivo, mas não esperará por nós.  O Facebook tem o projecto de criar o cabo de internet de 37 mil quilómetros que ligará África à Europa barateando e aumentando o aceso a internet, criando assim enormes possibilidades para quem as conseguir ver como oportunidades, de acesso a mais e melhor informação, acesso a outras culturas e principalmente de acesso a outros mercados, dando a possibilidade de um artesão angolano de vender a sua estatua do pensador a um cliente em Portugal, França ou até mesmo no Estados Unidos sem ter que se levantar do seu banco encostado na praça do artesanato.

 

 

 

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