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HUAWEI: Paciente advocacia para uma Angola digital

Quando, em meados deste mês, vi o presidente da HUAWEI para a África Subsariana, Chen Lei e o Ceo da Huawei Angola, Chu Xiaoxin, a serem recebidos pelo Presidente da República, não pude deixar de admirar a persistência que a gigante internacional de alta tecnologia de informação e comunicação tem tido para criar uma opinião institucional favorável a algo que é caro não só a essa empresa, mas também ao nosso país: a digitalização da sociedade e da economia.

Tomei contacto com a Huawei tão logo assumi o cargo de Secretário de Estado da Comunicação Social. Sabia então muito pouco sobre ela, a não ser que fabricava bons telefones celulares que causavam ciúmes aos rivais ocidentais. Nas conversas que fomos tendo no quadro da cooperação que tinha com o nosso ministério, conversa fluída porque comunicávamos em inglês, comecei a ver a dimensão da empresa.

Mas, mais importante, comecei a entender que os seus objectivos comerciais encaixavam-se perfeitamente nos nossos objectivos estratégicos de caminhar o mais rápido possível para a digitalização do nosso país, promovendo o acesso universal e barato à internet, tornando-nos parte da “aldeia global” em que todos vivem à distância de um clique (conforme profecia de Marshall McLuhan) e dando o salto em direcção à qualidade dos processos de produção por via das tecnologias 3G, 4G e 5G.

Na parceria com a Huawei, que se mostrava disposta a investir não só em infra-estruturas, mas também na formação de angolanos, vislumbrei os contornos de um acordo estratégico em que todos saem a ganhar. Eu mesmo me tornei um advogado dessa caminhada rumo à digitalização do nosso país. E fiquei realmente impressionado com a determinação dos executivos da Huawei em percorrer um longo caminho para levar essa mensagem de vantagens mútuas até ao Presidente da República.

Depois do término de funções, acompanhei com interesse o processo de advocacia que encetaram nessa direcção. Encontraram-se com o novo ministro do MINTTICS, ao qual mostraram a impressionante sede que estão a construir em Luanda; depois, com o Vice-Presidente, com a Primeira Dama e finalmente com o próprio Presidente da República.

A razão do êxito desta caminhada, que culminou no gabinete do titular do Poder Executivo, foi essa impressão que também me tinham causado com a proposta de uma economia digital assente no desenvolvimento de infra-estruturas de telecomunicações e na formação de talentos angolanos. Isto soa como música aos ouvidos dos governantes, principalmente quando a empresa apresenta condições para, a partir do próximo ano, capacitar dois mil angolanos anualmente num gigantesco centro de formação orçado em cerca de 60 milhões de dólares. Quando a isso se alia a inquestionável experiência da Huawei no sector, temos então a cereja em cima do bolo.

É que a Huawei já montou aeroportos totalmente automatizados onde tudo é feito por máquinas: check-in, transporte de passageiros na placa, e isto sem qualquer intervenção humana. Já tem fazendas onde tudo é operado pelas máquinas agrícolas controladas por pessoas sentadas em gabinetes a quilómetros de distância.

Criou tecnologia, tudo isso em 5G, que detecta quem abate árvores nas florestas sem autorização ou quem caça animais em parques proibidos. Tecnologia esta que permite também a drones telecomandados verificar avarias em cabos de alta tensão ou condutas de água no meio do mato. Enfim, com um parceiro deste calibre torna-se possível sonhar com um país moderno, uma Angola digital.

A Huawei disse ao Presidente que quer contribuir para a transformação digital de Angola. É verdade que é o seu objectivo comercial. Mas também é um dos objectivos estratégicos do nosso país. Há aqui condições para um processo “win-win”, ou seja, onde todos ganham. Mais ainda para nós angolanos, que em termos numéricos somos poucos para ocupar efectivamente todo o nosso país, e necessitamos urgentemente de produzir o que precisamos para comer, de abastecer as indústrias e começar a fazer de Angola um país bom para se viver.

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