InicioAngolaPolíticaA polémica em torno da guerra de resistência do Cuito

A polémica em torno da guerra de resistência do Cuito

Muitos dizem que os confrontos há 27 anos poderiam ter dividido Angola. Ex-combatente lamenta “uso político” da homenagem “aos mártires da resistência” e afirma que o episódio deveria servir para “cultivar o amor”.

A capital da província do Bié homenageia esta segunda-feira (28.06) os mártires da resistência da guerra do Cuito – um confronto em em 1994. O confronto opôs as tropas governamentais (FAA) e as então Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA) – braço armado da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), e resultou em 7 mil mortos.

A cidade observa tolerância de ponto em virtude do chamado Dia dos Mártires da Resistência da Batalha do Cuito. O jornalista Jonas Albino, que cobriu a guerra em 1994 pela emissora estatal (RNA), diz que a chamada guerra de resistência do Cuito evitou a divisão do país em duas partes como era deseja do então líder da UNITA, Jonas Savimbi.

“Naquela altura, a UNITA ocupava mais de 70% de todo território nacional, uma vez que o Governo estava confinado apenas nos centros urbanos. Ou seja, as principais cidades, o Bié e o Huambo eram fundamentais para aquilo que era pretensão do líder da UNITA que era a divisão do país para Angola do Sul e Angola do Norten”.

Cemitério Memorial dos Mártires do Cuito
(DR)

Dividendos políticos
Mas as comemorações do 28 de Junho como Dia dos Mártires de Resistência do Cuito é vista por muitos como uma tentativa de as autoridades governamentais retirarem dividendos políticos, empurrando culpas à UNITA.

O antigo oficial das FALA, Leonardo Sousa, diz que a exploração desta data não ajuda para o espírito de pacificação e reconciliação entre irmãos.

“As mortes ocorreram em ambos os lados, mas uma das partes, por deter o monopólio de tudo, politizou a data. Formatou a mente das pessoas e incentivou mais ainda o ódio. Deveria se repensar, o sentimento de culpa deveria recair sobre os dois lados beligerantes. Assim, cultivar-se-ia o amor e a reconciliação”, lamenta o ex-combatente.

Albino: “A UNITA controlava 70% do território”
(DR)

Data de reflexão
Para o Sociólogo Adilson Luassa, o 28 de junho é uma data que deve ser aproveitada não somente para uma reflexão sobre a história recente do país, mas também como oportunidade para os angolanos valorizam os elementos de unidade em detrimento daqueles que os dividem.

“Como Jovens, [poderíamos] guardar este legado triste – no sentido de aprendermos com todos esses erros relacionados aos desentendimentos e antagonismos políticos entre a velha geração – e seguirmos enfrente de mãos dadas pela mesma pátria. Valorizar sempre aqueles elementos que nos unem como sendo mais importantes do que aqueles elementos que nos desunem”.

Em homenagem aos cerca de 7 mil mortos que pereceram durante a guerra dos 28 dias – cujos os corpos se encontravam enterrados em vários pontos da cidade do Cuito, em cacimbas e noutros locais – o Executivo angolano criou o programa de exumação e inumação destes co- cidadãos para o cemitério “Memorial dos Mártires do Cuito”.

FonteDW

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