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Governo homenageia vítimas do 27 de Maio

Cerimónias incluíram homenagens aos que morreram devido aos conflitos políticos entre 1975 a 4 de abril de 2002. “Não é para esquecer o 27 de Maio”, mas evitar que ato se repita no país, disse ministro da Justiça.

Sob o lema “abraçar e perdoar” pela primeira vez o Governo de Angola, suportado desde 1975 pelo MPLA, rendeu homenagens aos angolanos que morreram devido às intrigas políticas, com destaque ao fatídico massacre de 27 de Maio, em que morreram altos quadros do partido no poder e da então governação de Agostinho Neto.

Depois do pedido de desculpas públicas feito ontem pelo Presidente da República, João Lourenço, vários angolanos testemunharam o momento que serve agora para “sarar as feridas”.

Abraçar e perdoar
O perdão foi a palavra mais ouvida em Luanda nesta quinta-feira (27.05), durante a cerimônia, na qual participaram governantes, entidades religiosas e cidadãos comuns.

O evento teve início no Cemitério da Santa Ana, onde foram colocadas flores no túmulo do soldado desconhecido. No Largo da Independência, foram entregues, de forma simbólica, certificados de óbito a parentes de três angolanos que morreram em virtude dos conflitos políticos ocorridos entre 11 de novembro e 4 de abril de 2002.

Num curto discurso, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos e coordenador da Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), Francisco Queiroz, defendeu a construção de um novo tipo de relacionamento entre os angolanos.

Para o governante, “o acontecimento que hoje estamos a celebrar, homenageando as vítimas do 27 de Maio, não é para esquecer o 27 de Maio”. Para Queiroz, é preciso um comprometimento coletivo para que “nunca mais aconteça mais um 27 de Maio no nosso país”.

O ministro da Justiça deixou ainda uma promessa: “Vamos continuar a trabalhar juntos para que juntos possamos construir uma Angola renovada, uma Angola unida, uma Angola em que todos os filhos da mesma pátria comunguem pelo desejo comum de vivermos felizes, tranquilos, na irmandade e no desejo de todos juntos construirmos este grande país que se chama Angola”.

General Xaxa, que representa na CIVICOP os carrascos das vítimas do 27 de Maio, reconheceu que houve excessos naqueles acontecimentos. “Houve excessos e erros naqueles acontecimentos de 27 de maio”, indicou, destacando a importância do ato simbólico da CIVICOP de homenagear as vítimas do massacre de 27 de Maio.

Ele encorajou o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos e coordenador da comissão, a “proseguir com coragem e espírito patriótico, para unir todos os cidadãos que foram vítimas daquele triste episódio da nossa história”.

Centenas de pessoas participaram das homenagens
(DR)

Volte-face
A Fundação 27 de Maio, organização que congrega famílias e várias vítimas dos fatídicos acontecimentos de 1977, que na última semana considerou propaganda o ato de homenagem, revendo-se no discurso do Presidente João Lourenço, decidiu recuar da intenção de abandonar a Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos.

O seu presidente, general Silva Mateus, disse à imprensa que das cinco exigências que as vítimas queriam ver resolvidas, apenas uma está fora da agenda.

“Temos nos princípios específicos, abertura dos arquivos da DISA, tínhamos o 27 de maio como o dia de tolerância e de reflexão. Temos ainda como exigência o enterro das vítimas, a construção do memorial e o komba [cerimônia fúnebre feita sem a presença do cadáver]”, enumerou Silva Mateus.

“Se nos ativermos com o discurso do senhor Presidente da República ontem, estão quatro pontos que defendemos estão quase que resolvidos, faltando somente os arquivos da DISA. Contudo, também não é muito preocupante”, acrescentou o líder da Fundação 27 de Maio.

Entre as vítimas falam-se de nomes como Nito Alves, Urbano de Castro, Sita Vales e tantos outros que foram homenageados.

Silva Mateus
(DR)

Convivência sem rancor
O conceituado cantor angolano David Zé foi morto no dia da festa de aniversário seu filho David Júnior, a 27 de maio de 1977.

Em declarações à imprensa, o órfão de David Zé disse estar feliz com a homenagem ao seu progenitor, porque “é algo que já devia ter sido feito há muito tempo. Estou grato pelo feito do Presidente atual. Falar dessas figuras é muito importante porque são eles que representaram a cultura neste país”.

A CIVICOP esteve reunida para tratar da questão da exumação dos cadáveres. Manuel Ramalhete, um dos sobreviventes, disse que já perdoou os seus agressores e espera apenas pelas ossadas de seus dois irmãos para um funeral digno.

“Eu quero as ossadas dos meus irmãos”, declarou Ramalhete, que revelou: “fiquei preso duas vezes e, os indivíduos que me prenderam, além desta reconciliação nacional, eu já estava reconciliado com eles porque são meus primos”.

Manuel Ramalhete defende ainda uma convivência sem rancor.

Bandeira da UNITA
(DR)

“Pura diversão”, considera a UNITA
Para o vice-presidente do grupo parlamentar da UNITA, Maurílio Luiele essa homenagem é uma “pura diversão”.

“O Governo está a desenvolver todo o conjunto de ações tendentes a desviar foco do debate público das questões essenciais”, avançou Luiele.

Para o político, “as questões essenciais são a fome, miséria, o acesso à saúde e à educação, falta de água, falta de emprego. Todos esses problemas que o Presidente João Lourenço não conseguiu resolver, nem se quer equacionar”, disse. Maurílio Luiele defende a indemnização das famílias das vítimas do 27 de Maio.

FonteDW

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