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Angola entrega certidões de óbito a órfãos e familiares das vítimas do 27 de Maio

O Governo angolano entregou esta quinta-feira, no Largo da Independência, em Luanda, as primeiras três certidões de óbito aos familiares das vítimas do 27 de Maio de 1977, 44 anos depois do suposto golpe de Estado que veio precipitar o desaparecimento de cerca de 30 mil pessoas.

Silva Mateus, sobrevivente do 27 de Maio, aplaude a iniciativa e faz saber que há 20 anos que a sua organização se tem batido para que os familiares das vítimas dos conflitos políticos fossem honrados com certidões de óbito.

O também general da reserva espera que actos do género se estendam por todo o país, visto que os conflitos políticos e armados tiveram lugar em todo o território nacional.

Ministro da justiça, Francisco Queiroz, entrega certidão de óbito a familiar das vítimas de 27 de Maio em Luanda (2021).
(© rfi/Francisco Paulo)

“Nós “Fundação 27 de Maio” há 20 anos a esta parte nos debatemos para que acontecesse, o que está a acontecer neste momento. Estão quatro itens que defendíamos quase resolvidos, faltando somente os arquivos da DISA”, reconheceu o presidente da Fundação 27 de Maio de 1977.

À semelhança do general Silva Mateus, Carolina Ferreira, filha do músico David Zé, entende que o acto em homenagem às vítimas dos conflitos políticos tem grande significado para os familiares, que esperavam por certidões de óbito.

Carolina Ferreira sublinha, também, que a ideia da exumação dos corpos das vítimas do 27 de Maio e dos conflitos políticos representa um alívio de suma importância para as famílias.

“Para mim já representa muito coisa. Nós estamos há muitos anos desde que o pai desapareceu, não sabemos onde foi enterrado e agora que a decisão é fazer a exumação e entregar os corpos é muito importante”, aplaude a filha de David Zé.

Cerimónia de homenagem às vítimas de 27 de Maio.
(© rfi/Francisco Paulo)

Para o coordenador da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos, Francisco Queirós, a homenagem às vítimas do 27 de Maio é sinónimo de reconciliação das partes desavindas.

O outro passo, informou, vai ser localizar os corpos para a exumação e, de seguida, fazê-los chegar às famílias para a realização de funerais dos seus parentes.

“O acontecimento que hoje estamos a celebrar homenageando as vítimas do 27 de Maio não é para esquecer o 27 de Maio. Trataremos de localizar os corpos dos que pereceram e faremos a entrega desses corpos às famílias”, prometeu o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos.

Em Abril de 2019, o Presidente angolano ordenou a criação de uma comissão (a CIVICOP), para elaborar um plano geral de homenagem às vítimas dos conflitos políticos que ocorreram em Angola entre a independência, a 11 de Novembro de 1975, e o Acordo de paz de 4 de Abril de 2002.

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