InicioMundoEuropaMacron reconhece responsabilidade da França no genocídio em Ruanda e pede perdão

Macron reconhece responsabilidade da França no genocídio em Ruanda e pede perdão

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (27) em Ruanda que reconhece “a responsabilidade” da França no genocídio de 1994 no país africano, em particular por ter optado durante “muito tempo pelo silêncio na busca pela verdade”. O chefe de Estado francês pediu perdão à população.

“Hoje, com humildade e respeito, venho reconhecer nossa responsabilidade”, disse Macron em um discurso muito aguardado no memorial Gisozi, em Kigali, onde estão enterrados os corpos de 250 mil vítimas do genocídio no país, que deixou 800 mil mortos da etnia tutsi.

“Essa trajetória de reconhecimento das nossas dívidas cria a esperaça de deixar esse período obscuro para trás e caminhar novamente juntos. Neste caminho, apenas aqueles que atravessaram esse período obscuro possam talvez perdoar”, disse o presidente francês. “Reconhecer este passado é também, e acima de tudo, continuar o trabalho da Justiça. Comprometemo-nos a garantir que nenhum suspeito de crimes de genocídio possa escapar do trabalho dos juízes”, acrescentou.

Macron frisou, no entanto, que a França “não foi cúmplice” O presidente francês chegou nesta quinta-feira no país, para “escrever uma nova página” nas relações bilaterais, após um quarto de século de tensões pelo papel desempenhado por Paris no genocídio dos tutsis em 1994.

A questão do papel da França antes, durante e depois do genocídio dos tutsis em Ruanda foi um tema delicado durante anos, que levou, inclusive, à ruptura das relações diplomáticas entre Paris e Kigali entre 2006 e 2009. Em março deste ano, a França publicou um relatório, mostrando queo país “carrega uma grande responsabilidade por tornado possível um genocídio previsível” nos massacres.

A chamada “comissão Duclert” não encontrou, porém, provas de cumplicidade da França no derramamento de sangue. Para o presidente de Ruanda, Paul Kagame, que liderou a rebelião tutsi que pôs fim ao genocídio, o documento marcou uma mudança de rumo nas relações entre ambos os países. Ruanda encomendou uma investigação paralela.

Durante visita à França na semana passada, Kagame afirmou que o relatório abriu o caminho para que França retomem uma boa relação. “Posso viver com” as conclusões do relatório, disse Kagame em entrevista aos veículos France 24 e RFI.

Centro cultural

“Podemos deixar o resto para trás e seguir em frente”, acrescentou. A visita de Macron a Ruanda marcará a “etapa final de normalização das relações”, declarou a Presidência francesa. Para concretizar a normalização das relações bilaterais, os dois presidentes poderão chegar a um acordo sobre o retorno de um embaixador francês a Kigali. O posto se encontra vago desde 2015.

Outro passo será a inauguração, por parte de Macron, do Centro Cultural Francófono em Kigali, um estabelecimento que “terá a vocação de promover não apenas a cultura francesa, mas também todos os recursos da francofonia, especialmente os artistas da região”, segundo a Presidência.

Depois de Ruanda, Macron segue para a África do Sul, onde se reunirá com o presidente Cyril Ramaphosa sobre a luta contra a pandemia da Covid-19 e seu impacto na economia mundial.

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