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Nyusi reitera em Paris que “o terrorismo não se combate sozinho”

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, reiterou, esta terça-feira, em Paris, que “o terrorismo não se combate sozinho” e afirmou que “Moçambique em nenhum momento recusou apoio”. O primeiro-ministro português, António Costa, garantiu apoio de Portugal e da União Europeia. Banco Mundial prometeu que “não vai abandonar Moçambique”.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, reuniu-se, na manhã desta terça-feira, com o primeiro-ministro português António Costa, em Paris, antes da Cimeira para o Financiamento das Economias Africanas que decorre esta tarde na capital francesa.

No final do encontro, questionado pela RFI se Moçambique está disposto a receber uma força militar francesa e internacional para lutar contra o terrorismo, Filipe Nyusi disse que “o terrorismo não se combate sozinho” e afirmou que “Moçambique em nenhum momento recusou apoio”. “A fase seguinte depende de acordos entre países”, afirmou, sublinhando que não pode dizer o que a França vai dar.

“O terrorismo não se combate sozinho. É uma força global (…) Não posso dizer se França dá [uma força militar] porque só pode ser a França a dizer o que pode dar, mas o que tenho estado a dizer e volto a repetir: Não se combate o terrorismo sozinho e Moçambique, em nenhum momento, recusou apoio. Aliás, Portugal está em Moçambique com uma equipa de jovens que estão a trabalhar com as forças de Defesa e Segurança, mas também países americanos e países africanos idem”, afirmou o Presidente moçambicano.

Por sua vez, o primeiro-ministro português, António Costa, no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, garantiu o apoio de Portugal e esforços junto da União Europeia para “estancar esta situação” de violência em Cabo Delgado, reafirmando “toda a solidariedade para com o povo moçambicano neste combate ao terrorismo que é uma ameaça internacional”.

Costa lembrou o apoio de Portugal ao nível da formação das forças moçambicanas, comprometeu-se com apoio humanitário, disse que a União Europeia também está a preparar uma equipa técnica e de formação para Moçambique e admitiu que tem falado com os parceiros europeus, nomeadamente a França, para apoiar Moçambique. O primeiro-ministro disse, ainda, que Portugal está “disponível para integrar outras forças e outros apoios” decididos no seio da União Europeia.

“A União Europeia está, neste momento, a fazer a geração de forças para uma equipa técnica e de formação em Moçambique – creio que esta semana estarão técnicos em Moçambique – e estamos obviamente disponíveis para integrar outras forças e outros apoios que sejam necessários”, afirmou o primeiro-ministro português.

António Costa salientou, ainda, que “há contactos que têm sido desenvolvidos em Moçambique com outros países da região, designadamente com a SADC” porque “a existência de uma força com base numa organização regional dava outra legitimidade para apoiar qualquer tipo de intervenção”.

“Temos falado também com os nossos parceiros europeus e temos falado com a França tendo em vista podermos apoiar, visto que nós temos apoiado a França em outras acções. Depois dos ataques terroristas em Paris, Portugal mobilizou uma força que tem estado presente há mais de cinco anos na República Centro Africana a render as forças francesas que foram deslocadas para outras frentes de combate ao terrorismo. Temos estado a participar nas missões da União Europeia, designadamente no Mali. Portanto, quando se trata de amigos tão próximos como é o caso de Moçambique, a expectativa que temos é que os nossos parceiros europeus correspondam também ao apoio, tal como nós nunca hesitámos em apoiar os nossos parceiros europeus”, sublinhou o chefe de Governo português.

Na reunião bilateral, o Presidente moçambicano e o primeiro-ministro português também falaram sobre “o covid-19 porque é um problema real que preocupa a Humanidade”, adiantou Nyusi.

A Cimeira para o Financiamento das Economias Africanas pretende criar um “pacote de ajuda massiva” para África no contexto do impacto da pandemia de covid-19 e lançar as bases de um novo ciclo de crescimento, que passa pelo apoio ao sector privado.

É esperado que Filipe Nyusi aborde com o Presidente francês, Emmanuel Macron, a luta contra o terrorismo no extremo norte de Moçambique depois do ataque jihadista à vila de Palma, no norte de Moçambique, em Março, que à retirada temporária do grupo francês Total da região. A petrolífera Total lidera o consórcio que está a preparar o maior investimento privado em África e a falta de segurança ameaça deitar por terra as perspectivas de Moçambique se tornar num dos protagonistas mundiais do gás natural liquefeito.

Total regressa «quando estiver calmo»

Questionado se a Total deu garantias de regresso a Cabo Delgado, Nyusi respondeu apenas: «Quando estiver calmo». O Presidente moçambicano reuniu-se, na segunda-feira, com responsáveis do grupo francês Total. A empresa retirou todo o pessoal e abandonou por tempo indeterminado o recinto do projecto de gás natural liquefeito na península de Afungi, a poucos quilómetros de Palma, depois de a vila ter sido atacada pelos jihadistas a 24 de Março.

O chefe de Estado moçambicano faz-se acompanhar pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Verónica Macamo, e pelos ministros das Finanças, Adriano Maleiane, e da Energia, Ernesto Max Tonela.

Banco Mundial avisa que não vai abandonar Moçambique

O director geral das operações do Banco Mundial, Axel van Trotsenburg, também se encontrou, esta terça-feira, com o Presidente moçambicano num encontro bilateral. O representante do Banco Mundial também presente na Cimeira para o Financiamento das Economias Africanas garantiu que a instituição não vai abandonar Moçambique.

“Os problemas de terrorismo são, infelizmente, em qualquer país, um desafio terrível e que afecta muita, muita gente, neste caso em Cabo Delgado, e é um dos problemas mais difíceis que temos (…) Neste contexto, providenciámos financiamento adicional em trabalho preventivo e de resiliência de cerca de 700 milhões para o governo moçambicano. Eu disse ao Presidente [de Moçambique] que o Banco Mundial quer trabalhar com Moçambique para ver cono podemos, na área de desenvolvimento, acompanhar o país na busca pela paz e é um processo difícil, mas não vamos abandonar Moçambique”, afirmou o responsável.

O primeiro-ministro de Portugal, que assegura a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, também reúne, esta terça-feira, com o Presidente de Angola, João Lourenço, o Presidente do Egipto, Abdul Fattah al-Sissi, o Presidente da Tunísia, Kaïs Saïed, e o Presidente do Ruanda, Paul Kagame.

Na semana passada, Filipe Nyusi disse que o país não vai conseguir, “sozinho, erradicar o terrorismo” porque se trata de um fenómeno que não respeita fronteiras e agradeceu a ajuda dos parceiros internacionais. Até aqui, Moçambique não aceitava a entrada de tropas internacionais no terreno para combater o terrorismo.

A 10 de Maio, Moçambique assinou com Portugal um acordo de cooperação até 2026 para quadruplicar a presença de militares portugueses no país para formação das forças moçambicanas e para triplicar o volume de investimento. Portugal comprometeu-se em formar companhias das Forças Armadas, durante três a quatro meses, num período de três anos.

FonteRFI

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