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Aposta nas artes é apontada como estratégia para combate à corrupção em Angola

A aposta nas indústrias culturais e nas artes cénicas de forma particular é apontada como uma estratégia forte para o combate contra corrupção, para moralização e sensibilização social sobre contra comportamentos anti-sociais.

Os promotores das artes cénicas criticam a falta de políticas públicas que garantam a valorização das artes e dos seus fazedores.

José Ndimba Candeeiro, filósofo e mentor de grupos teatrais, entende que os interesses ligados às artes devam estar previstos no Orçamento Geral do Estado. Isto, diz o também jurista, daria lugar a existência de meios para realização da arte.

A intervenção dos empresários no apoio às artes é outro aspecto apelado pelo analista para quem, este incentivo aos investidores deve ser promovido pelas autoridades.

“As administrações deviam promover o teatro por meio da campanha casa a casa e por meio da criação de espaços de lazer e de teatro. Sensibilizar os empresários para investir nas artes em cada município para que cada se aperfeiçoe no que faz e encontro garantias de sossego naquilo que faz e, sobretudo por fazê-lo da melhor maneira”, afirmou.

Teatro como ferramenta de mobilização contra doenças

As autoridades sanitárias angolanas registaram, nas últimas horas, 324 novos casos de covid-19, quatro óbitos e 53 recuperações da doença. Segundo o boletim epidemiológico da Direção Nacional de Saúde Pública foram reportados quatro óbitos, de cidadãos angolanos, com idades entre 51 e 58 anos, enquanto 53 pessoas recuperaram da doença.

No total, o país soma 30.354 casos de covid, com 25.703 recuperados, 3.996 activos (dos quais 21 críticos e 42 graves) e 655 óbitos.

A malária por sua vez continua a ser a doença que mais mortes causam ao país sendo registado no primeiro trimestre do corrente ano 2.884 óbitos por malária, sendo que 1.260 das mortes (perto de 44%) foram de crianças com menos de cinco anos.

A sociedade civil tem estado a criticar o Governo por ter “relaxado” controlo rigoroso das medidas de prevenção e combate contra estas doenças.

José Ndimba Candeeiro pensa que o teatro seria uma ferramenta indispensável na mobilização social sobre as medidas de prevenção contra doenças as doenças diversas que estão a provocar a morte de centenas de angolanos.

“Porque no teatro há a representação onde se podem apresentar as medidas de prevenção e combate, assim como as recomendações médicas e das autoridades sobre estas doenças”, afirma.

“O teatro facilmente atinge a emoção por meio da representação, nesta perspectiva pode ajudar na resolução de problemas diversos”.

Não é apenas para mobilização social sobre as medidas ligadas à prevenção de doenças que pode o teatro ser útil. O filósofo e docente José Candeeiro fala também do teatro como instrumento de moralização social sobre preservação e resgate de valores morais e cívicos, assim como para o combate contra corrupção em Angola.

“Precisamos a partir do ponto mais alto da hierarquia política do nosso Estado haver políticas concretas e concretizáveis para que se possam criar espaços de arte, de teatro e se promover a liberdade de criação artísticas aos fazedores de arte”, afirma o analista para quem “não é possível promover valores morais apenas em salas de aulas”.

Vieira Mulalo Temba, de nome artístico “Poeta Temba”, director artístico da Companhia de Teatro Kamba dya Muxima, defende a institucionalização da actividade teatral em Angola e dos grupos fazedores das artes cénicas.

A melhoria das condições das salas é outro elemento apontado pelo artista que apela as autoridades a criarem políticas que permitam um melhor exercício da actividade.

“O Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente precisa ter programas que valorizam os grupos de teatro (a arte), para além das formações ministradas no Instituto Superior de Artes. Actualmente nós fazemos da tripa o coração para realizarmos um espetáculo, porque não se ganha nada com isto. Fazemos com fé porque gostámos, por isso é preciso que o Estado olhe para as artes cénicas”, desabafou.

O músico, compositor e escritor Carlos Lamartini referindo-se à produção artística em Angola numa recente entrevista à Voz da América, afirmou que o país tem dificuldades de se expressar culturalmente nos mais variados aspectos devido a falta de incentivo e de espaços de abordagens dos problemas ligados às várias modalidades artístico-culturais, incluindo o teatro.

Para o artista “nós temos dificuldades porque nos falta espaços de abordagem destas temáticas sobre a literatura, a música, a dança sobre todos estes aspectos que congregam a cultura no seu sentido e que seria para o benefício do povo angolano”.

Em Luanda o município do Kilamba Kiaxi que já foi uma referência na valorização das artes cénicas. Actualmente o teatro está cada vez mais a perder o seu espaço por diversos factores, razão pela qual os agentes culturais desenvolveram nos últimos 30 dias uma jornada de espetáculos teatrais com a participação de diversos grupos cujo objectivo foi reavivar as artes nesta circunscrição e recuperar a hegemonia do Centro Cultural Jabumba, considerado a catedral das artes no Golfe 2, Município do Kilamba Kiaxi.

Os problemas sociais de Luanda e do país de forma geral, como o lixo, a criminalidade, a violência doméstica entre outros foi representada em palco.

“A cada dia que passa nascem novos problemas em Luanda e, nós os jovens fazedores de teatro temos esta missão de levar ao palco estas situações para corrigir, mas não temos apoio, tão pouco uma assistência considerável devido a falta de promoção dos eventos”, diz também actor e encenador que acredita na mudança nos próximos dias.

Por falta de valorização das artes no Município do Kilamba Kiaxi em Luanda, a população está a perder interesse pela arte de tal modo que José Ndimba Candeeiro responsabiliza a Administração Municipal pela falta de incentivo.

FonteVoA

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