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Brasil ‘não tem que ser mendigo’, diz Mourão sobre busca por recursos contra o desmatamento ilegal

Brasil ‘não tem que ser mendigo’, diz Mourão sobre busca por recursos contra o desmatamento ilegal

Vice-presidente ainda disse que o Fundo Amazônia, parado desde 2019 devido a declarações polêmicas de Bolsonaro, pode receber o dinheiro que o governo deseja

Bolsonaro pediu a “ajuda possível” da comunidade internacional em carta enviada a Joe Biden

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou nesta segunda-feira (19) que o Brasil “não tem que ser mendigo” na busca por recursos para combater o desmatamento ilegal. Mourão é o presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal.

“A gente não tem que ser mendigo nisso aí. Vamos colocar a coisa muito clara: temos as nossas responsabilidades, o Brasil é responsável só por 3% das emissões no mundo. Desses 3%, 40% é o desmatamento, ou seja, 1,2% do que se emite no mundo é responsabilidade do desmatamento nosso aqui”, declarou Mourão.

A declaração foi feita a três dias da Cúpula dos Líderes sobre o Clima, que deve reunir 40 chefes de Estado ou governo, para debater soluções para impedir a subida da temperatura média do planeta, reduzindo, portanto, o aquecimento global, e combater práticas que colaboram com o problema, como o desmatamento ilegal.

No evento, marcado para a próxima quinta-feira (22), o anfitrião será o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. O representante do Brasil será o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Criado em 2008 para financiar projetos de redução do desmatamento e fiscalização, o Fundo Amazônia está parado desde abril de 2019, quando o governo Bolsonaro extinguiu o Comitê Orientador (COFA) e o Comitê Técnico (CTFA), que formavam a base do Fundo.
(Foto: AP Photo / Leo Correa)

Bolsonaro pede “ajuda” a Biden
Na semana passada, se tornou público o conteúdo de uma carta enviada por Bolsonaro ao presidente dos EUA, Joe Biden, na qual o presidente brasileiro se comprometeu, pela primeira vez, em eliminar o desmatamento ilegal no país até 2030, uma meta que o governo brasileiro tinha evitado prometer até agora, mas também pediu recursos para cumprir os compromissos assumidos.

Além disso, Bolsonaro pediu a “ajuda possível” da comunidade internacional.

O texto é uma tentativa de mostrar o comprometimento brasileiro com ações para minorar as mudanças climáticas, um dos temas centrais da agenda de governo de Biden, uma semana antes da Cúpula do Dia da Terra, organizada pelos Estados Unidos para o próximo dia 22.

“Queremos reafirmar, nesse ato, em inequívoco apoio aos esforços empreendidos por V. Excelência, o nosso compromisso em eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030”, diz o texto assinado por Bolsonaro.

Fundo Amazônia parado
Ainda na entrevista desta segunda, Mourão disse que o Fundo Amazônia, parado desde 2019, pode receber o dinheiro que o governo deseja.

Criado em 2008 para financiar projetos de redução do desmatamento e fiscalização, o Fundo Amazônia está parado desde abril de 2019, quando o governo Bolsonaro extinguiu o Comitê Orientador (COFA) e o Comitê Técnico (CTFA), que formavam a base do Fundo.

À época, a Noruega suspendeu repasses ao fundo. Em resposta, Bolsonaro afirmou que o Brasil não tinha que usar o exemplo do país e sugeriu à Noruega que usasse o dinheiro para reflorestar a Alemanha.

“Se quiserem trazer recursos, o Fundo Amazônia admite todo e qualquer tipo de doação para ele. Ele já está aberto para isso, não é só os países que foram doadores iniciais. Entes privados, ou outros entes públicos, outros países podem aderir a ele”, disse.

Desmatamento na Amazônia bate recordes
Segundo o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), os alertas de desmatamento na Amazônia em março foram os maiores já registrados para o mês desde o começo da série histórica.

Ao todo, foram 367, km² no mês passado, conforme medições do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter).

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