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A Agricultura empresarial em Angola

Este sector da agricultura, já teve um grande impacto na economia de Angola no período colonial, sendo responsável pela produção dos principais produtos de exportação naquela época, nomeadamente: o café, o açúcar (subproduto), o algodão, a banana, o tabaco e o sisal.

No que tange ao consumo interno, respondia pela produção de girassol, arroz, laranja, tangerina, limão, abacaxis, maçã, pera, ameixa, trigo, azeitonas e na produção animal, bovinos, suínos e galináceos, criando ainda outros animais, mas com menor expressão.

Este sector, está essencialmente vocacionado à produção em grande escala, visando a obtenção de lucros, pois ao contrário da agricultura de subsistência, que produz basicamente para garantir alimento para o agregado familiar, esta visa produzir para vender.

Outro factor que diferencia esses dois sectores, é a forma como cada um deles utiliza o solo e as técnicas e tecnologias empregues por cada um. Neste sector, há investimentos avultados em máquinas e equipamentos, que permitem uma utilização mais eficiente do solo e com isso a obtenção de produtividades bem mais elevadas que as da agricultura de subsistência.

Por força da necessidade de se obter produtividades elevadas, capazes de cobrir as despesas e deixar lucro, este sector usa sementes híbridas, melhoradas e geneticamente modificadas (OGM), que numa mesma área, produzem maior quantidade de produto.

Actualmente, este sector adopta técnicas mais adequadas de cultivo, que incluem análises de solo, para se verificar quais e em que proporções estão os nutrientes disponíveis no solo, bem como o seu PH, para dessa forma se poder saber, que correcções se devem fazer ao solo, considerando a cultura a instalar e as suas necessidades nutricionais específicas.

Sempre que é possível e para optimizar ainda mais a produtividade das culturas, pode introduzir-se a rega, para se corrigir possível escassez de água, em fases de desenvolvimento cruciais.

É evidente que este maneio apurado, requer uma envolvente capaz de responder a essas necessidades, que vão desde a disponibilidade a preços acessíveis de análises de terra e foliares, disponibilidade de fertilizantes granulados e líquidos, misturados de acordo com as necessidades específicas, conforme o resultado das análises.

É igualmente fundamental equilibrar o PH do solo, de acordo com as necessidades específicas da cultura a instalar.

À envolvente referida anteriormente, dá-se o nome de AGRONEGÓCIO e é nesta perspectiva que deve ser entendida a agricultura empresarial. Por força das suas enormes necessidades, a agricultura empresarial obriga a que outros sectores de actividade tenham um papel importante nesta actividade, antes, durante e depois do ciclo de produção.

Com a modernização cada vez maior dos meios de produção, a produção agrícola está empregando menos mão-de-obra não especializada, mais mão-de-obra especializada e mais equipamentos com tecnologias mais sofisticadas.

Porém, em consequência do uso cada vez maior de equipamentos, obriga a que haja no mercado mais fornecedores dos mesmos, que têm de garantir acessórios e assistência técnica aos mesmos, obrigando isso a que estes tenham de empregar mais pessoal.

Além dos fornecedores de equipamentos, que fazem parte do grupo dos que estão antes e se mantêm ao longo de todo o ciclo de produção, há também os produtores de equipamentos, instrumentos e ferramentas, os fornecedores de insumos (sementes, adubos granulados e líquidos, insecticidas, fungicidas, nematicídas, formicidas, herbicidas, desfolhantes, aderentes, etc.), os que fornecem os instrumentos e ferramentas, combustíveis e lubrificantes, os que fornecem serviços de transporte, de consultoria técnica e administrativa, os Bancos, etc., etc..

Na parte final do ciclo de produção, aparecem os comerciantes e os industriais da agro-indústria de transformação de produtos agrícolas (de beneficiamento, moageiras, de rações, têxteis, de produção de óleos, cervejeiras, de conserva e transformação de frutas, de bebidas, descasque e torrefacção de café, etc. etc.). Toda esta gama de empresas que envolve a produção agrícola empresarial, cria empregos e paga impostos ao Estado, incluindo os próprios agricultores.

Cabe pois aos Governantes encarar a agricultura empresarial por este prisma, pois é a forma correcta de a encarar, no âmbito do agronegócio, pois efectivamente para que ela funcione, necessita de todos esses sectores e provavelmente mais alguns que nos escaparam, mas poderão igualmente ser arrolados ao agronegócio.

Pode perceber-se, considerando a actividade por este prisma, que deve ser um sector a ser fortemente potenciado, pois da sua potenciação, resultará o fortalecimento de muitos outros sectores, que directa ou indirectamente, aparecem em consequência deste.

Podemos a título de exemplo, citar o sector da construção civil e obras públicas, que também têm a sua quota-parte, pois há sempre muitas obras de construção civil necessárias ao funcionamento da agricultura empresarial e a necessidade de construção de acessos, pistas de aterrizagem e melhoramento de vias rodoviárias.

Naturalmente, não pode ser esquecido o sector da educação, pois como se pode perceber, com a sofisticação, há necessidade de mão-de-obra cada vez mais especializada, tanto nos locais de produção, como nos outros sectores que fazem a envolvente.

Porém, deve ter-se em consideração, que para a produção e não só, o que mais se precisa são trabalhadores qualificados, técnicos básicos e médios, preparados para a execução das tarefas.

Os técnicos superiores são mais necessários para apoiarem os Órgãos Públicos (Institutos de Investigação, Fazendas Experimentais, Laboratórios de análises, etc.), para as grandes empresas fornecedoras de equipamentos, para as indústrias, consultoras, etc., e naturalmente para os médios e grandes agricultores, que terão necessidade e capacidade de manter na sua folha de salários técnicos superiores. Para as micro e pequenas empresas, os técnicos básicos e médios são o suficiente.

Isso presume vocacionar-se o ensino público para a produção desse tipo de pessoal, ou seja, é necessário direccionar o sistema de ensino para aquilo que são as necessidades do desenvolvimento, partindo do princípio de que o seu agente é o homem.

Porém, para que este consiga realiza-lo, precisa de estar munido dos conhecimentos técnicos e práticos, pois isso envolve a execução de tarefas de maior ou menor complexidade, que requerem habilidades natas, potenciadas pelo conhecimento. Em consequência da grande envolvente, o sistema de ensino deve fornecer mão-de-obra especializada para todos eles, o que implica uma diversidade de formação.

Parece que a melhor forma de se conseguir esse desiderato, seria recriar ou fazer algo parecido com as escolas técnicas industriais e comerciais, que havia no tempo colonial, em detrimento do ensino liceal.

Considerando tudo o que já foi dito, parece útil que se pense seriamente em alavancar este sector da economia, pois é também aquele que pela sua natureza e características, poderá rapidamente suprimir a dependência alimentar que o País enfrenta hoje e de imediato iniciar a promoção de exportações de produtos agrícolas.

Assim, conseguir-se-ia reduzir drasticamente as importações de produtos alimentares e com isso a exportação de capitais para outras economias. Além deste factor, também promoveria a arrecadação de receitas fiscais para os cofres do Estado, em consequência da própria actividade e das outras actividades que a envolvem e que se viu, são muitas.

Naturalmente que a criação de empregos reduz a pobreza e aumenta o consumo, incidindo isso nas arrecadações dos impostos que incidem sobre o consumo, nomeadamente o IVA e o IEC. Agregado a estes, ainda se pode pôr o IRT e o ISS.

Adicionalmente, deve ter-se em consideração que a instalação de actividades agrícolas empresariais, leva consigo o desenvolvimento para as localidades onde se instalam, já que, criam muitos postos de trabalho directos e indirectos e forçam o Estado a melhorar os acessos e a aproximar alguns dos seus serviços e equipamentos públicos.

Contrariamente ao que se propala em diversos meios, não há incompatibilidade entre a agricultura de subsistência e a empresarial, podendo conviver de forma pacífica e complementar, pois regra geral os trabalhadores rurais das empresas agrícolas, são igualmente os promotores da agricultura de subsistência, acabando por beneficiar em conhecimentos técnicos e em valores monetários que advêm do seu trabalho nas empresas agrícolas.

Assim, a sua qualidade de vida melhora muito mais rápida e efectivamente, do que se dependerem exclusivamente da sua actividade. Outrossim, poderão obter apoio técnico de mecanização agrícola e também vender os seus produtos aos agricultores.

Como a distribuição dos rendimentos ao longo das cadeias de produção não é equilibrada, ficando o agricultor com uma fatia bem pequena do bolo, este tende a incorporar alguma industrialização aos seus produtos, para dessa forma lhes agregar valor e aumentar a sua fatia do bolo, já que é quem mais investe em tempo e dinheiro. O cooperativismo é um caminho a ser trilhado, pois por esta via, consegue-se agregar valor aos agricultores.

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