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Josefa Sacko encoraja criação de cooperativas de produtores de café

A engenheira agrónoma angolana Josefa Sacko encorajou, esta quarta-feira, os agricultores nacionais, em particular os produtores de café, a organizarem-se em cooperativas, a fim de melhor defenderem os seus interesses comerciais.

Em entrevista à ANGOP, por ocasião do Dia Mundial do Café, a assinalar-se hoje (14 de Abril), Josefa Correia Sacko considerou necessário este passo e uma mudança de mentalidade dos pequenos agricultores, para se transformar novamente o “bago vermelho” numa mercadoria estratégica do país.

De recordar que nos primeiros anos da década de 70 Angola estava entre os quatro maiores produtores mundiais de café, com uma produção média de cerca de 225 mil toneladas/ano. Actualmente, a produção tem sido variável e com níveis muito baixos.

A título de exemplo e conforme dados oficiais, em 2018, o país produziu seis mil e 400 toneladas de café robusta, quatro mil 245, em 2019, e cinco mil 570, em 2020.

No entender de Josefa Sacko, a criação destas cooperativas permitiria compreender os problemas da indústria cafeícola e a criação de uma nova agenda, enquanto parceiros do Governo, capazes de revitalizar a produção, produtividade e qualidade do café angolano.

A especialista entende que o ponto de partida para a construção de uma verdadeira cadeia de valor do café angolano, resiliente e sustentável, passa, essencialmente, pela “transformação do actual sistema de subsistência numa orientação comercial”.

Para tal, a antiga secretária-geral da Organização Inter-africana do Café (OIAC), durante 13 anos, sugeriu, entre outras acções urgentes, a reformulação da estratégia nacional de produção e comercialização do café, tendo em conta os desafios actuais.

Durante a entrevista, referiu-se à fraca produtividade e comercialização, bem como à reduzida actividade de transformação do café em Angola, factores que diz comprometem a sustentabilidade da cadeia de valor deste produto e a capacitação dos produtores.

Noutro domínio, Josefa Sacko, actualmente comissária da União Africana (UA) no Departamento para Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, apelou para a necessidade do melhoramento da competitividade do café em relação a outras actividades agrícolas, sublinhando a importância de continuar a sensibilizar os produtores quanto aos benefícios económicos do café.

Lamentou, por outro lado, o facto de a maior parte dos camponeses envolvidos na cadeia de produção do café em Angola serem homens já de idade avançada, pelo que aconselhou os jovens e mulheres a apostarem nesta cultura e fazerem exploração das oportunidades existentes no sector.

Apelou os produtores no sentido de se concentrarem, sobretudo, nos mercados nacional e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), para ajudarem a estimular a procura e o consumo do “bago vermelho”.

Num outro trecho da sua entrevista, Josefa Sacko encorajou um trabalho contínuo, para o melhoramento do acesso ao mercado mundial do café, com o apoio do Instituto Nacional do Café de Angola (INCA) e da OIAC.

Fundo do Café africano

Anunciou, a esse respeito, que as autoridades continentais estão engajadas na criação de um Fundo do Café Africano (FCA), de carácter especial, para fazer face aos desafios da cadeia de valor do produto em África e impulsionar o crescimento da produção.

Conforme a especialista, este fundo será controlado pelo Banco Africano de Exportação e Importação “Afreximbank”, instituição multilateral de financiamento do comércio pan-africano, criada em 1993, sob os auspícios do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

Anteviu que o fundo irá ajudar a reforçar a competitividade e sustentabilidade dos sistemas de produção e comercialização do café angolano, na medida em que poderá providenciar mais financiamentos para se definir o café como uma fonte chave de subsistência dos produtores pobres.

“Acho que uma cooperação dos empresários angolanos do ramo do café com este fundo providenciará mais financiamentos, para restabelecer o café como uma fonte chave de subsistência dos produtores pobres em recursos”, considerou.

Na sua apreciação, isto funcionaria “como âncora para a economia nacional, o que, consequentemente, reforçaria a competitividade e sustentabilidade dos sistemas de produção e comercialização do café” de Angola, em particular, e de África, em geral.

Lembrou, a esse respeito, que a contribuição de África para o comércio mundial diminuiu consideravelmente, passando de uma produção total de 22 milhões de sacos de 60 Kgs, na década de 70 (ou seja 30 por cento da produção mundial), para 16 milhões de sacos de 60 Kgs produzidos actualmente, um declínio de 23 por cento.

No caso específico de Angola, lembrou que o país já “deu cartas” no mundo na produção de café, sobretudo com a espécie robusta, considerada de grande qualidade, que abunda na região do Planalto Central, onde as condições edafo-climáticas são propícias.

Todavia, Josefa Sacko recordou que a guerra registada, entre 1975 e 2002, desarticulou os circuitos comerciais e desestruturou o sistema de extensão rural do Estado para esta cultura, a tal ponto que, actualmente, cerca de 90 por cento da produção nacional é do tipo familiar e provém de cafezais de pequena e média dimensão.

Na sua apreciação, outro factor que compromete a produção é o facto dos cafeicultores, na sua maioria velhos, dedicarem-se também a outras culturas de subsistência alimentar e de produtos de rendimento, deixando as plantações de café mal cuidadas.

Concluiu afirmando também que a falta de acesso a formas de financiamento, não tem permitido aos produtores melhorar as suas práticas culturais, para a obtenção de produtos de melhor qualidade e aumentarem a produtividade das suas plantações.

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FonteAngop
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