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Gabriel Cangueza: “Nesta altura a ENSA não devia ser privatizada. No limite melhorar apenas a gestão”

Gabriel Cangueza é o responsável máximo da entidade que mais forma profissionais para o sector dos seguros. Confirma que a taxa de penetração dos seguros no nosso mercado não chega a 1% e que os mediadores deviam ter a distribuição exclusiva destes produtos. Na Grande Entrevista Expansão admite como ” provável que possam fechar mais seguradoras a curto e médio prazo”.

Olhando para o nosso mercado segurador de uma forma global, qual é hoje o seu grau de sofisticação, de penetração, de oferta de produtos?

O sector segurador ainda não é aquele que nós esperávamos. Se olharmos para os números, a taxa de penetração é de 1%, mas eu acredito que o valor é inferior, este “1%” é forçado, é usado porque fica bonito na fotografia, mas não creio que seja verdadeiro, ainda é abaixo.

A densidade de seguros também é muito baixa, estamos a olhar para quantas pessoas têm seguros, e a maioria da população não tem. E essa responsabilidade é de quem? É de todos os envolvidos.

O Estado tem a parte política para resolver… Criando mais seguros obrigatórios?

Exactamente! Criando mais três ou quatro seguros obrigatórios vai criar uma maior homogeneidade naquilo que são os seguros, e depois as pessoas irão aderir. Primeiramente de uma forma obrigatória, mas depois assumindo uma maior cultura deste produto, passando para outros conceitos. O seguro é providência mas também é investimento. Mas ainda dentro do Estado, temos o regulador…. Está a falar do papel da ARSEG…

A agência deverá ser mais acutilante. Penso que nesta legislação que está a ser alterada, a ARSEG devia ser mais ousada, assumir mais as ideias dos players de mercado. Acredito que foram ouvidos muitos, associações e nós Academia também demos a nossa opinião, mas devia reflectir na proposta essas contribuições.

A legislação já está pronta?

Ainda não está pronta. A Lei já está fechada, precisa agora de seguir para Conselho de Ministros e depois para a Assembleia Nacional para aprovação, mas faltam outras. Por exemplo na lei da mediação, eu acho que já está na altura de colocar a obrigatoriedade da distribuição ficar nas mãos do mediador.

Hoje temos 1.002 mediadores individuais e 216 mediadores colectivos. Penso que é um número significativo e bastante para a ARSEG confiar já a distribuição exclusiva dos seguros na mão destes profissionais. Mas hoje a realidade não é essa. Quem quer um seguro não consulta um mediador, vai aos escritórios da empresa seguradora.

Exactamente, o canal directo ainda é preferencial. Por isso é que a contribuição dos mediadores no volume de prémios não ultrapassa os 4%. É muito baixo. Demasiado baixo. Este não é aceite porque não se divulga a actividade dos mediadores, e também porque as seguradoras não abrem esse espaço.

As companhias ainda olham para os mediadores como concorrentes, e num mercado aberto, como acontece lá fora, o mediador é um verdadeiro parceiro na distribuição e na intermediação de seguros.

Se tivermos em linha de conta que as mais importantes seguradoras, com excepção da ENSA, são dos bancos, não é de prever que passem os clientes para os mediadores. Vendem os seguros na sua rede de balcões. Certo.

Na verdade a prática no “bank essurance” tem trazido um retrocesso naquilo que é o crescimento dos mediadores. Mas os balcões dos bancos poderão ser mediadores?

Nesta nova lei já podem ser. Isso vai trazer mais um desafio para os mediadores em nome individual, aqueles que queiram começar a fazer a sua angariação, criar o primeiro emprego. Pode estar a contribuir-se para aumentar o desemprego. Eu falo muito dos mediadores em nome individual, porque existe um nicho de mercado, que é o mais pequeno deste mercado de seguros, e que se for engolido pelos bancos, ficamos sem mediadores individuais.

Porque é que acha que o público, o cidadão, confia pouco nos seguros? Em primeiro os operadores comunicam muito pouco. A comunicação é péssima. O marketing operacional é débil, há seguradoras que nem o têm. Se olharmos para quem publicita, se fizermos uma análise profunda, quem está na rádio e na televisão, são duas seguradoras.

Isso é péssimo. O seguro é um negócio de confiança e nós, público, para aceitar o seguro, temos que o conhecer e ter uma ideia positiva do mesmo. E se eu não sei o que é um seguro, não o vou fazer…. As motivações são sempre externas. É verdade. Muitas vezes as pessoas dizem que vão fazer o seguro por causa da polícia, no caso do ramo automóvel.

As empresas pensam vamos fazer o seguro de trabalho porque temos que mostrar aos fiscais. Mas muitas vezes não sabem para que servem os seguros. Vou dar-lhe um exemplo referente ao seguro de trabalho.

Muitas vezes há acidentes nas empresas e não se activam as apólices. Há aqui um desconhecimento muito grande. A falta de cultura de seguros é a principal causa do estado em que está o nosso mercado.

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