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Angolanos polarizam debate político nas redes sociais

Troca de farpas entre simpatizantes de MPLA e UNITA dominam redes sociais enquanto “agenda da nação” estaria em segundo plano. “Luanda é a lixeira africana, há fome no sul e impunidade em Cafunfo”, lembram activistas.

A DW África conversou com alguns jornalistas e ativistas que defendem mais “cidadania e menos militância”. Entendem que há temas como o lixo em Luanda, a fome no sul de Angola e o caso Cafunfo, que mereceriam mais discussões ao nível do Estado em detrimento de questões partidárias.

Há uma “bipartidarização da política” em Angola que não ajuda no processo de reconciliação nacional e na consolidação da democracia, afirma em entrevista à DW África, Salgueiro Vicente, jornalista da Rádio Eclésia, afeta à igreja católica.

“Há os militantes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e há os militantes da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e depois há os cidadãos nacionais que somos todos nós. Mas parece que Angola é só habitada por cidadãos do MPLA e da UNITA e não há aquelas pessoas que são a maioria que não militam em nenhum dos dois partidos.”

Agenda nacional fora do debate
(DR)

“Velha prática”
João Malavindele, coordenador da ONG angolana Omunga, com sede em Benguela, diz que essa é uma velha prática. “As vezes, as questões, sobretudo partidárias sobrepõem as questões de Estado, da nação”.

Osvaldo Manuel, outro jornalista angolano, pede calma aos militantes do MPLA e da UNITA. “Penso que os tons devem baixar em prol das populações e do país também, porque os dois [partidos] têm a causa principal, que é governar o país.”

João Malavidenele entende que, em Angola, devia existir “mais cidadania e menos militância” para resolver os problemas que afetam o Estado aplicando o que chama de “agenda da nação”. Para este ativista, o que se assiste neste momento é precisamente o contrário.

“Por isso é que até hoje não se consegue encontrar uma solução para a questão da seca no sul de Angola e a questão das Lundas, nem se consegue encontrar a paz em Cabinda”, opina.

Ativistas e jornalistas pedem “Menos militância”
(DR)

“O Estado não está a ver”
A seca e a fome no sul de Angola continuam a fustigar animais e cidadãos na região. Segundo a Rádio Nacional de Angola (RNA), que cita a administração do Tômbwa, mais de duas mil cabeças de gado morreram desde dezembro, vítimas da estiagem.

Salgueiro Vicente diz que o Estado deve também colocar na sua agenda os “refugiados da fome” – cidadãos angolanos do Cunene que buscam sobrevivência na vizinha República da Namíbia. “No Cunene, por exemplo, há vários cidadãos, famílias inteiras, que estão a ir para a fronteira com a Namibia. Aqueles são refugiados da fome, e o Estado não está a ver isso”, diz.

Por isso, este jornalista é de opinião que é preciso priorizar o país. “É preciso olhar para a corrupção que é endémica, para Luanda que se transformou na lixeira africana. É preciso olhar para estas questões em vez de estar ali a tentar tornar extremas as posições dos dois contentores políticos do país”, sugere.

Osvaldo Manuel concorda com a prioridade de temas de interesse nacional. “Penso que é fundamental abordar questões que devolvam esperança as populações”.

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