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Yuri da Cunha: “Não existe respeito pela obra do artista angolano”

Fomos à página do Valor Económico, nosso confrade das lides digitais e registamos com agrado uma entrevista de Yuri da Cunha, depois de algum silêncio, caracterizado pela situação de pandemia que o país vive e achamos oportuna a disponibilidade, para falar de si e da sua carreira. Descrevemos a seguir o que vai na  alma do artista e os constrangimentos vividos nesta fase pandémica da nossa existência, onde todos lutamos para sobreviver.

Yuri da Cunha sabe o que diz e lamenta a situação em que mergulhou o sector artístico, em função do momento que o mundo atravessa, remetendo para os seus admiradores, a disposição de sempre, em termos da sua carreira artística, agora direccionada para a homenagem merecida a um ícone da música angolana, que é Teta Lando, falecido há uns anos atrás. Direitos de autor e outros assuntos da vida artística no país deram luz a um salutar diálogo que partilhamos com os nossos leitores em geral.

“O músico Yuri da Cunha lamenta a falta de respeito pelos direitos autorais e a distância do Estado no incentivo à cultura. Explica, igualmente, a dura realidade vivida pelos artistas em tempo de pandemia.

Como avalia a situação dos artistas angolanos em tempo de pandemia?

Eu prefiro falar das dificuldades por que passei e ainda passo por conta da pandemia. Está a ser muito difícil, penso eu, para qualquer artista, tanto emocional como financeiramente. Os palcos são o outro lado da vida de um artista.

A falta de palco mexe com toda estrutura psicológica de qualquer artista, como eu.

E os lives?

Não é possível viver dos lives em Angola, mas dá para ‘se virar’. Não há incentivo à cultura… Não existe incentivo à cultura nacional, o Estado angolano, até onde eu sei, não contempla a arte.

Não conheço projectos sérios com uma intenção longínqua, eu penso sempre o que será de Angola daqui a 60 ou 80 anos. Ainda continuamos na luta de Teta Lando para encontrar um caminho que realmente passe da intenção de fazer, dê alguma esperança a quem aprendeu a sonhar.

De que forma tem tirado proveito desta fase?

De várias formas, mas a principal é estar comigo. Tenho tentado conhecer um pouco mais sobre mim. Um exercício contínuo, que faz observar melhor o mundo a nossa volta. Não sou nenhum sábio, mas sei o que aprendi com a vida, as minhas experiências de facto forjaram o homem que sou, daí ter a certeza que serei com prazer um eterno aprendiz. Não se revê nas actuais instituições que zelam pelos direitos dos artistas?

Eu apoiei a campanha do kota Teta Lando na Unac porque o projecto era sério e de continuidade. Defendia o artista e a criação intelectual. Depois ouvi falar de empresas ligadas à cultura que defendiam os direitos do artista, mas o que pude notar é que a preocupação maior não era o artista, daí que me desliguei completamente após a morte do kota Teta Lando.

Como avalia o respeito pelos direitos autorais?

Não existe respeito nenhum. As pessoas e as instituições usam as nossas músicas como se de nada se tratasse. Não existe respeito pela obra do artista angolano neste sentido.

Não há valorização dos artistas…?

Também não existe esta chamada valorização.

O que existe são poucas pessoas da sociedade angolana que têm um carinho pela música e a certos artistas, então dão o seu apoio. Mas nós precisamos de reunir, nem que seja no meu funje de domingo para encontrar soluções.

O que o leva a homenagear Teta Lando?

Teta Lando é um artista que sempre apelou para o amor, a concórdia e a unidade nacional. Filho e defensor da cultura angolana, deu-me a mão como angolano quando muitos não deram. Teta Lando é dos maiores artistas da nossa história. Nós, os angolanos, conhecemos tanta gente desinteressante, deixando para trás aqueles que, de verdade, amam e lutam por Angola.

Que Yuri veremos agora?

Agora voltarão a ver o verdadeiro Yuri da Cunha.

A VOZ DA CONTINUIDADE DO SEMBA

Álvaro Yuri Alberto da Cunha, de nome artístico Yuri da Cunha, de 40 anos de idade, natural da província do  Cuanza Sul, começou a carreira na década de 80 no género infantil. É vencedor de vários prémios em Angola, conta com uma nomeação de “Melhor Cantor Africano” no Prémio Mobbo. Conhecido como “O Intérprete”, realiza este ano vários concertos para recordar Teta Lando, uma das suas fontes de inspiração”.

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