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Guilherme: quando o medo tinha nome…

Era normal os grandes ‘derby’s’ no Prenda terminarem em verdadeiras batalhas campais entre os apoiantes das equipas que mais arrastavam adeptos: o Prenda Star e o Valódia Futebol Clube, que eram tão-somente os grandes papões dos campeonatos do bairro.

Se haviam pelejadores de renome, Guilherme destacava-se pelo seu poder hipnótico e pela facilidade com que embrulhava os seus adversários, com “bassulas” de perder a conta.
Era muita arte e engenho que «Man Guigui» tinha para despachar os seus contendores. Não poucas vezes, homens de barba rija e com invejáveis predicados físicos acabavam transformados simples garotos.

No mão-a-mão, que é como aconteciam os grandes ‘balos’ da época, escasseavam adversários ou, se não tanto, muitos evitavam bater de frente com aquele «catanhô» virosca, de baixa estatura, corpulento e que se revelava um autêntico chumbo, tal era dificuldade dos seus adversários arrancarem-no do chão.

Adepto ferrenho do Valódia FC, clube dos arredores do Lote 22, Man Guigui travou várias batalhas, mas há uma que se revelou épica.

Era normal os grandes ‘derby’s’ no Prenda terminarem em verdadeiras batalhas campais entre os apoiantes das equipas que mais arrastavam adeptos: o Prenda Star e o Valódia Futebol Clube, que eram tão-somente os grandes papões dos campeonatos do bairro.
(DR)

Foi numa tarde ensolarada, quando de repente se levantou uma poeira algures fora do campo, que acabou por convocar a atenção dos presentes.

Não admirou muito para concluir que entre os contendores estava o Barrabás do Guilherme. Lembro, ninguém contou-me, porque ajudei a contar o número de quedas que o homem aplicou ao seu atrevido adversário, cujo nome omito por razões óbvias.

Para quem nunca treinou judo, foi de estranhar o total de 13 valentes ‘kíbuas’ qie Guigui aplicou ao seu opositor. E nós, os miúdos, alinhamos em uníssono, num coro ensurdecedor: uma, duas, três… 10, 11, 12 e 13 quedas. Assim mesmo!

O inditoso apenas teve tempo de descobrir um buraco entre a multidão para ensaiar uma desenfreada berrida – num pernas pra que te quero!

Pouco depois, ouviram-se alguns disparos. Era o homem enxovalhado, que só depois descobrira que levava uma pistola na cintura – era militar. De tão atordoado, mal apercebeu-se que tinha ali o trunfo para travar aquela sova.

«Vou matar, quem me seguir», ouvia-se, à distância, ao mesmo tempo que o homem desaparecia entre os becos, pelos lados da ‘Praça do Savimbi’, mas sempre fazendo gosto ao dedo com repetidos disparos.

E do outro lado, em passada lenta para a sua zona, o vitorioso Guilherme, sorridente, seguido de perto por uma miudagem ruidosa…
«Guilherme, Guilherme, Man Guigui, Man Guigui»…

Não sei o que é feito do homem. A verdade é que nunca mais o vi pelas bandas do Prenda.

Guilherme, o Barrabás.

* José dos Santos | * Jornalista | In Facebook

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