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Grupo de PMs se mobiliza contra vacina da Covid-19 em SP

Grupo de policiais militares se mobiliza contra vacina da Covid-19

Em 2020, houve mais mortes de agentes pelo coronavírus do que em confronto

Especialistas alertam riscos da não vacinação

Um grupo de policiais militares do estado de São Paulo, de diversos batalhões, está se mobilizando contra a vacina da Covid-19. A imunização dos agentes de segurança começou nesta segunda-feira (5).

Embora a SSP (Secretaria da Segurança Pública) diga que serão disponibilizadas 180 mil doses do imunizante em 76 unidades da Polícia Militar, os grupos de PMs que seguem as teses defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), vem aumentando.

O UOL entrevistou cinco policiais, de todas as regiões da capital paulista, que afirmam que não irão se vacinar. As principais teses seguidas por eles, de acordo com o jornal, são de oposição ao que diz e orienta Doria.

Para eles, determinações são seguidas apenas em ditaduras e ainda dizem não confiar em vacina trazida da China, repetindo o discurso que Bolsonaro entoava contra a CoronaVac, que é produzida pelo Instituto Butantan.

A vacina tem aval da Anvisa e eficácia comprovada por estudos. Além disso, o PNI (Plano de Imunização do Brasil) depende 80% do imunizante.

De acordo com determinação do STF (Supremo Tribunal Federal), os estados podem tornar a vacina obrigatória, porém, não podem obrigar a se vacinar quem se recusar. Em São Paulo, a ação é voluntária.

Em 2020, houve mais mortes de agentes, que são possível vetores do vírus nas ruas, pela Covid-19 do que em confronto, de acordo com dados das Polícias e da SSP.
(Foto: Getty Creative)

Articulação antivacina e risco aos agentes de segurança
Ao UOL, o grupo de policiais afirmou que vem fazendo a articulação em grupos de WhatsApp e também no dia a dia, durante o trabalho presencial. O objetivo deles, segundo reportagem, é convencer colegas de farda a não se vacinar.

Acontece que esse movimento, segundo especialistas, é perigoso para a saúde dos próprios agentes. Para Dennis Pacheco, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, “é evidente que policiais estão entre grupos mais expostos ao contágio por covid”.

“Há grupos minoritários, liderados por perfis de baixa patente tentando criar, ampliar e explorar politicamente brechas de oposição a governadores, optando por se alinharem ao bolsonarismo em detrimento da decisão coletiva da classe”, afirmou Pacheco ao UOL.

Em 2020, houve mais mortes de agentes, que são possível vetores do vírus nas ruas, pela Covid-19 do que em confronto, de acordo com dados das Polícias e da SSP.

Em confronto, foram 22 mortes, sendo 18 delas de policiais militares e 4 de policiais civis. Já os agentes mortos pela Covid, entre março e dezembro, foram 43: 19 da PM; 21 da Civil e 3 policiais técnico-científicos (e mais um sob suspeita).

O professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Rafael Alcadipani diz que “é extremamente preocupante que esse tipo de coisa esteja acontecendo, principalmente porque indica que a ideologização pode custar vidas”.

“Infelizmente, os policiais estão muito expostos, muitos estão morrendo, tanto os da ativa quanto os da reserva, e essa questão atinge o nível da irracionalidade. É bastante preocupante. Polícia não pode ser tropa de apoio de bolsonarismo. Isso é completamente inconcebível”, disse Alcadipani.

Imunização das policiais é voluntária
Por meio de nota, a SSP confirmou que a imunização dos agentes é voluntária. “Cerca de 140 mil doses de imunizante estarão disponíveis para os profissionais da ativa das polícias Militar, Civil e Técnico-Científica, Corpo de Bombeiros, Guardas Civis Metropolitanos, Guardas Municipais, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal (que atuam em SP) e agentes da Fundação Casa.”

A pasta afirmou que a PM fará o registro de todos os policiais que optarem por não receber a vacina para controle interno e da saúde. “Todos os benefícios recebidos pelos policiais são garantidos por lei. Portanto, não estão associados à vacinação”, disse a SSP.

Já a Polícia Civil não fará registro dos agentes que não se vacinarem. A SSP não explicou o por quê. “As instituições de segurança de São Paulo reforçam que incentivam a imunização dos agentes como forma de proteção de toda a população contra a epidemia de coronavírus”, complementou a secretaria, por meio de nota.

Vacinação dos agentes de segurança
O governo de São Paulo anunciou em março que começará a vacinar profissionais de segurança pública contra a Covid-19. A imunização deu início nesta segunda (5).

A previsão do governador João Doria (PSDB) é que sejam imunizados cerca de 180 mil profissionais da PM (Polícia Militar), Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Científica, Agentes de Segurança e Agentes de Escolta Penitenciária, além de Guardas Civis Metropolitanas Municipais.

“São profissionais essenciais e estão diariamente expostos na rua aos riscos do vírus”, afirmou Doria.

O secretário de Segurança Pública, general João Campos, classificou o anúncio como uma “benção” e destacou que, do início da pandemia do novo coronavírus até agora, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) já registrou a morte de 70 PMs da ativa pela Covid-19.

“Desses 70, 56% tinham idades entre 46 e 55 anos. Uma tragédia.”, completou o secretário.

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