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Fronteiras devem ser controladas para impedir propagação de variantes, defende especialista do INSA

“Estamos todos a desconfinar e a variante [sul-africana] está presente em vários países que têm grande ligação aérea a Portugal”, disse João Paulo Gomes, sustentando a “importância de haver um eficaz controlo de voos para perceber a origem dos passageiros que chegam ao nosso país”.

O responsável pelo Núcleo de Bioinformática do Departamento de Doenças Infeciosas do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), João Paulo Gomes, denunciou a importância de controlar as fronteiras portuguesas, tanto terrestres como aéreas, para impedir a propagação das variantes em Portugal.

De acordo com João Paulo Gomes, durante a reunião do Infarmed, cerca de 70% dos casos identificados em Portugal são de variante britânica, tendo em conta um estudo da Unilabs. Ainda assim, o especialista sustenta que atualmente mais de 80% dos novos casos identificados em território nacional são da mutação do Reino Unido.

“Não era de estranhar estarmos acima dos 90% dentro de alguns dias”, apontou o responsável pelo Núcleo de Bioinformática do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA na reunião do Infarmed que decorre esta terça-feira, 23 de março.

Atualmente, quase 100% dos novos casos identificados em Inglaterra são causados por esta variante, enquanto a Dinamarca já ultrapassou os 90% e a Irlanda, apesar de ter os dados em atraso, há três semanas apresentava prevalência britânica em mais de 90% dos cassos identificados.

Em relação à variante de África do Sul, Portugal apenas detetou 24 casos, um “número modesto” que compara com os mais de 300 casos identificados na Bélgica e mais de 250 registados no Reino Unido. O especialista indicou que na semana que findou no passado domingo, foram identificados entre sete e nove casos com esta variante, e que apesar da população não dever ficar sobressaltada, “não podemos ficar descansados”.

Na a sua intervenção na reunião do Infarmed, o especialista notou a “importância no controlo de fronteiras a partir desta altura”. “Estamos todos a desconfinar e a variante [sul-africana] está presente em vários países que têm grande ligação aérea a Portugal”, instou João Paulo Gomes, sustentando a “importância de haver um eficaz controlo de voos para perceber a origem dos passageiros que chegam ao nosso país”.

Para o especialista, fazer a análise dos passageiros provenientes que países com elevado número de casos com esta variante é importante porque a variante primeiramente identificada na África do Sul tem mostrado “mutações associadas à falha de anticorpos das vacinas”. “Não queremos assistir ao descontrolo”, evidenciou.

Portugal tem atualmente 16 casos da variante brasileira de Manaus já identificada, sendo que este valor está dentro da média europeia, e longe dos mais de 160 casos identificados em Itália. O especialista notou a importância do controlo de passageiros com esta origem e proceder ao processo de quarentena, para evitar o escalar descontrolado de casos.

Com o balanço das variantes realizado, João Paulo Gomes destacou o “excelente trabalho” realizado por Portugal em termos de sequenciações do vírus SARS-CoV-2, uma vez que se encontra em 12º lugar. “Estamos num bom caminho, perfeitamente enquadrados nos países que melhor vigilância fazem”, notou o cientista.

Para um futuro próximo mais controlado, o especialista do INSA apontou que a realização dos testes PCR é importante porque são os únicos que permitem a pesquisa de variantes. “Os testes PCR têm diminuído, e estamos com menos de metade do verificado em janeiro. Esperamos que a linha não continue a diminuir”, disse João Paulo Gomes evidenciando o gráfico na reunião para o Governo.

O responsável pelo Núcleo de Bioinformática do Departamento de Doenças Infeciosas do INSA propôs ainda um aumento da amostragem, com o alargamento a laboratórios da rede privada para a seleção de amostras positivas de testes PCR para a sequenciação do vírus.

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