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República do Congo: Candidato da oposição às presidenciais morre de Covid-19

Guy Kolelas morreu quando estava a ser transferido para França, depois de testar positivo para o coronavírus. Notícia é confirmada um dia depois das eleições, marcadas pelo corte da internet e ausência de observadores.

O candidato da oposição às eleições presidenciais na República do Congo, Guy-Brice Parfait Kolelas, de 61 anos, morreu no domingo (21.03), vítima de Covid-19, quando estava a ser transferido para França para tratamento, anunciou o seu diretor de campanha, esta segunda-feira. Kolelas “morreu no avião que o tinha ido buscar a Brazzaville na tarde de domingo”, disse Christian Cyr Rodrigue Mayanda à agência de notícias France Presse.

Num vídeo divulgado na sexta-feira nas redes sociais, Kolelas surgia na cama de um hospital com uma máscara de oxigénio e um aparelho de medição de tensão arterial no seu braço, pedindo aos seus compatriotas que se mantivessem “mobilizados” e votassem “pela mudança”.

“Não lutei para que nada acontecesse. Vão em frente, o futuro dos vossos filhos está em jogo”, apelou.

Nos últimos dias, o principal candidato opositor tinha sido particularmente crítico face ao atual chefe de Estado, ao declarar que a República do Congo se tornou num “Estado policial”.

Cartazes eleitorais de Denis Sassou Nguesso.
(DR)

Internet cortada
As eleições presidenciais deste domingo foram também marcadas pelo corte do acesso à internet e às redes sociais. No dia 16 deste mês, numa carta aberta, cerca de 50 organizações, incluindo a Internet Sem Fronteiras (ISF), tinham pedido a Sassou Nguesso para “manter a Internet aberta, acessível e segura durante todo o período das eleições” presidenciais.

“[A Internet e as redes sociais] fornecem um espaço para comunicação, debate público, pesquisa de informações sobre processos eleitorais e candidatos, para relatar e documentar eventos e resultados. Os cortes na Internet atentam contra os direitos humanos, interrompem os serviços de emergência e prejudicam as economias”, argumentaram.

Apesar dos apelos, a rede de internet estava inacessível desde a meia-noite local no dia das eleições, situação que se mantinha inalterável às 06h00, quando abriram as urnas para a votação, para a qual estavam inscritos cerca de 2,5 milhões de eleitores. Contrariamente ao que aconteceu nas anteriores presidenciais, em 2016, as redes de telemóvel e os serviços de SMS estavam a funcionar.

Ainda assim, o Presidente Denis Sassou Nguesso, que tenta a reeleição, considerou que a realização do escrutínio foi um “bom sinal” para a democracia do país: “Estou com um sentimento de grande satisfação, porque, em todo o país, vi o povo mobilizar-se e participar no processo eleitoral. Percebi que a campanha eleitoral decorreu num clima de paz e acredito que este é um bom sinal para a nossa democracia”.

O atual Presidente enfrentou seis adversários, cujas candidaturas foram validadas pelo Tribunal Constitucional há pouco mais de um mês. Entre os candidatos estava Guy Kolelas, que tinha sido hospitalizado na sexta-feira, após testar positivo à Covid-19.

Mathias Dzon, candidato da União Patriótica para a Renovação Nacional (UPRN), disse que a votação deste domingo foi “mal organizada em todo o lado”. “Acabei de ver zonas inteiras do Congo onde não há sequer mesas de voto. Como é que estas pessoas votam se não têm um local para votar”, questionou, este domingo.

A caminho de quatro décadas no poder
Observadores das Nações Unidas e da União Europeia não foram convidados a acompanhar as eleições e o Ministério do Interior recusou-se a permitir a participação de cerca de mil observadores da Igreja Católica.

No entanto, observadores estavam otimistas de que a votação seria pacífica – em contraste com as últimas eleições, em 2016, marcadas por violência. O Governo assinou um acordo de paz com um grupo rebelde anti-Sassou em 2017, reduzindo o conflito no sul do Congo.

A República do Congo é um grande produtor de petróleo, mas 41% dos seus 5,4 milhões de cidadãos vivem abaixo da linha da pobreza, de acordo com o Banco Mundial.

Ativistas anticorrupção dizem que vastas somas de dinheiro público são desviadas pelas autoridades, mas o Governo nega as acusações.

Sassou Nguesso, de 77 anos, é o terceiro chefe de Estado com mais tempo no poder em África. Governou de 1979 até 1992, e de novo desde 1997. O Presidente alterou a Constituição para alargar os limites do seu mandato.

Espera-se que os resultados das eleições presidenciais deste domingo sejam divulgados no prazo de quatro dias. Se nenhum dos sete candidatos obtiver mais de 50% dos votos, uma segunda volta terá lugar dentro de 15 dias.

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