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França: “Isto não parece confinamento”

Face ao que parece ser uma “terceira vaga” de Covid-19, nas palavras do primeiro-ministro francês, Paris e outras 15 regiões vão ficar confinadas pelo menos um mês a partir da meia-noite desta sexta-feira. Há quem duvide deste “confinamento à francesa”. “Não é bem um confinamento para mim”, “podemos continuar a sair” e “para mim não parece confinamento” são algumas das reacções dos parisienses num supermercado do 20° bairro da capital francesa.

Creches e escolas vão continuar abertas, vai ser possível sair de casa para passear durante o dia e sem limite de tempo num raio de 10 quilómetros, e todos os comércios essenciais permanecem abertos, nomeadamente livrarias, lojas de discos e supermercados.

Na mercearia Coccinelle, no vigésimo bairro de Paris, o fluxo de clientes, esta sexta-feira é o habitual, não houve nenhuma corrida às compras como depois do anúncio do primeiro confinamento há um ano.

A única corrida que havia, até agora, era perto da hora do recolher obrigatório, com filas de gente a comprarem à pressa. Na caixa registadora, Henrique Duarte aponta que as medidas anti-pandemia têm é gerado concentrações e questiona a noção deste novo confinamento: “Não é bem um confinamento para mim. São umas regras que não são suficientemente severas porque está toda a gente lá fora.”

Henrique acrescenta que “a partir das 5 ou 5h30 da tarde está toda a gente dentro da loja e antigamente era mais espaçado” e com o recolher obrigatório alterado para as 19h “as pessoas ao sair do trabalho vão reunir-se todas na loja e vai ser o mesmo efeito”.

Para os clientes, o terceiro confinamento também não muda grande coisa…

“A mim não me incomoda muito. Podemos continuar a sair”, resume uma cliente habitual do supermercado.

Uma outra comenta: “Não muda grande coisa, agora fecham tudo às 19h, mas posso continuar a ir às minhas aulas. Vou continuar a passear porque é importante apanhar ar e porque é bom para a nossa saúde mental. Basta olhar para toda a gente da minha idade que está a começar a ter verdadeiros problemas psicológicos, há uma inquietação social permanente… Isto não é humano e todo o mundo da cultura sofreu. É terrível para a cultura.”

Se a pandemia paralisou o mundo da cultura e deixou ainda mais precários os trabalhadores do sector, o mesmo não aconteceu no ramo agro-alimentar. O gerente do supermercado, Alexandre Duarte, admite que não faz muito sentido fechar museus onde as pessoas não podem tocar nas obras enquanto nos supermercados se toca em tudo. Alexandre diz que os confinamentos até foram bons para o negócio e considera que as novas restrições não parecem nada um confinamento.

“Para mim não me parece confinamento. Parece vida normal só que temos de estar em casa às sete da noite”, resume.

O lusodescendente conta que no primeiro confinamento, “as pessoas faziam cinco declarações para sair comprar cinco coisas diferentes, mas agora pode-se sair: uma vez é para comprar pão, outra para comprar cigarros, depois para fazer as compras, depois para dar uma volta, depois para passear o cão”. Além disso, a polícia pouco controla e até há quem “beba um copinho” na rua depois do recolher obrigatório.

A nível nacional, o recolher obrigatório passa para as 19:00 em vez de 18:00. O anúncio do terceiro confinamento é feito na semana em que se assinala um ano do primeiro “lockdown”, entre 17 de Março e 10 de Maio de 2020. O segundo foi em Novembro, já sem abranger as escolas. Com mais de quatro milhões de pessoas infectadas desde o início da pandemia e mais de 90 mil vítimas mortais, a França tem o sexto maior número de casos de Covid-19 em todo o mundo.

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FonteRFI
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