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Igreja Católica está com o povo – Fernando Baxi

Apenas a igreja Católica reagiu ao trágico acontecimento de Cafunfo, município do Cuango, província da Lunda-Norte, onde no dia 30 de Janeiro de 2021, a Polícia Nacional (PN) matou pelo menos 16 pessoas e feriu tantas outras, na tentativa de impedir uma manifestação de jovens indefesos que clamavam por melhores condições de vida.

As outras denominações religiosas existentes no País acobardaram-se, como se nada de grave tivesse acontecido. Esperava-se por uma postura diferente da igreja Metodista, face aos acontecimentos de Cafunfo porque, certamente, alguns membros desta denominação religiosa terão perdido a vida na bárbara acção da Polícia Nacional.

Sem medo de qualquer represália, os bispos da Igreja Católica Apostólica Romana expressaram com repúdio a dor que lhes amarfanhavam a alma pela morte indiscriminada de jovens que apenas exigiam o cumprimento das promessas eleitorais.

“Ao pobre não prometas”, adágio popular (quiçá) ignorado pelas autoridades governamentais que o cidadão jovem faz questão de lembrar por meio de manifestação, um direito consagrado na Constituição da República de Angola (CRA/2010).

O prelado católico pôs de lado a boa relação com as autoridades governamentais, não teve medo de perder as benesses, fruto da convivência amistosa com o poder político. Criticou, chorou, lamentou e bradou aos céus, clamando por justiça divina (que tarde mais chega) pelo acto repugnante do órgão público que ao invés de cumprir o dever sagrado (garantir a segurança e tranquilidade públicas), fez o contrário. Matou jovens.

A igreja Católica Apostólica Romana mostrou ao mundo que jamais se venderá e está disposta a bater-se em prol da verdade, independentemente dos agentes envolvidos.

Os bispos também mostraram que não se curvarão diante da linguagem musculada do comandante-geral da Polícia Nacional, Paulo de Almeida, que (uma vez mais) demonstrou estar ultrapassado para comandar forças policiais republicanas.

Nem a promessa de rebuçados e chocolates do ministro do Interior, Eugénio Laborinho, contiveram o protesto de José Manuel Imbamba, bispo metropolitano de Saurimo, Lunda Sul.

Dom José Manuel Imbamba – Bispo de Saurimo (Foto: ANGOP/arquivo)

“Os problemas sociais, de miséria, exclusão e analfabetismo são mais do que evidentes nesta Região Leste. Em vez da política dos músculos, não seria mais sensato cultivarmos a política do diálogo para juntos resolvermos e venceríamos as assimetrias socias gritantes tão notórias?”

Belmiro Chissengueti, bispo de Cabinda, também expressou o sentimento de insatisfação pela forma como a PN reagiu à tentativa de protesto dos jovens na região diamantífera de Cafunfo.

“Este País é grande demais e nele cabemos todos. É muito rico, mas é preciso que se deixe de roubar e se distribua a riqueza mediante a diversificação da economia. Não podemos continuar neste paradoxo que faz das zonas de exploração de riqueza verdadeiros pântanos de pobres”.

A reacção de Estanislau Marques Chindekasse às atrocidades das forças policiais foi imediata, apesar da interacção amistosa com o governo provincial da Lunda-Norte.

“Claramente que é preocupante, quando há perdas de vidas humanas nos preocupa e lamentamos, mas a questão fundamental não é esta, é simplesmente uma manifestação de uma realidade mais profunda”.

A igreja Católica mostrou que está ao lado do povo, independentemente da força e poder do Executivo, ao contrário das outras denominações religiosas no País.

Da igreja Adventista do Sétimo Dia nada podíamos esperar. Despois dos acontecimentos no monte Sumi, os adventistas acobardaram-se no seu canto, deles nem se ouviu um “rosnar”.

Aguardámos com expectativas pelos pronunciamentos do pastor da Igreja Evangélica Baptista de Angola (IEBA), Ntoni Nzinga, mas também não apareceu.

Também se esperava pelos pronunciamentos dos representantes do Conselho das Igrejas Cristãs de Angola (CICA). Será que estavam distraídos? Não. Têm medo de perder a boa relação com as autoridades governamentais, assim como as benesses que recebem.

Dom Afonso Nunes, bispo da igreja Tocoísta, está num sono letárgico e nem sequer fez algum pronunciamento. Se não é medo de represália ou de perder os benefícios porque está calado? Do revendo Wambo nada se espera por ser sabido a relação com o partido no poder.

Enfim, a sociedade angolana esperava por uma intervenção de todas as denominações religiosas em Angola, não apenas da igreja Católica. Se calhar até seria reconfortável ouvir as preces do profeta Eliseu e da Mamã Tina, neste momento de dor e luto.

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