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Como conciliar a gestão do lar e a vida profissional

Jornalistas ouvidas pelo Jornal de Angola no Huambo defendem que a emancipação das mulheres e o exercício por elas de determinadas profissões passam, cada vez mais, pela aposta na formação académica e técnico-profissional

A história de luta pela igualdade de direitos entre mulheres e homens, para o exercício de determinadas profissões, já registou avanços significativos. Mas há, ainda, um longo caminho a percorrer para que a emancipação da mulher seja efectiva. A avaliação é defendida por mulheres profissionais de jornalismo, na província do Huambo, que, nos mais diferentes órgãos de comunicação social emprestam todo o seu saber em igualdade de circunstâncias com os homens. “Os tempos são outros. O que conta, de momento, é a competência”, começaram por argumentar.

A jornalista da Agência Angola Press (Angop), Madalena Leopoldina Ventura, assegura haver sectores em que o acesso das mulheres continua a ser difícil, sendo os casos das áreas da governação, liderança política e ciências, mesmo revelando as mulheres capacidades profissionais.

O papel de esposa e mãe, explica Madalena Ventura, não interfere no cumprimento das suas responsabilidades laborais. A complexidade do trabalho que realiza é suavizada, segundo diz, pelo “grande suporte e companheirismo” do marido e da família. “É no lar onde a emancipação começa. Às vezes fico dias fora de casa, em reportagem. Precisamos, aqui, ter um marido que compreenda a nossa profissão”, afirma.

Celeste Fonseca, jornalista do Centro de Produção da Televisão Pública de Angola (TPA), reforça que as mulheres, quando estiverem a desenvolver actividades como estudar, trabalhar e liderar “não devem esquecer-se de ser dignas e leais à moral e à lei de Deus”, porque, fundamenta, “temos uma especificidade biológica e fisiológica que nos obriga a cultivar o amor ao próximo”.

O marido, refere Celeste Fonseca, nem sempre reage bem quando ela tem que ficar muito tempo fora de casa em reportagem. “O segredo para se ultrapassar esses impasses, está no diálogo. Uma conversa amena e respeitosa e tudo se resolve”, revela a jornalista, acrescentando que “conciliar a profissão jornalística com as responsabilidades familiares é possível quando se faz um bom plano, apesar de muitas vezes ser desgastante”.

A problemática da emancipação da mulher era, antes, um elemento secundário de abordagem na sociedade. Mas, actualmente, passou a ser um tema importante, embora continue a ser um tabu em função da herança histórica e de um sistema social patriarcal. Esta visão é da jornalista Juliana Domingos, do Jornal de Angola.

“A mulher tem conseguido, passo a passo, conquistar e aumentar o seu espaço de intervenção nas estruturas sociais, abandonando a figura de mera dona de casa, assumindo cargos importantes de gestão colectiva”, disse.

O exercício da actividade jornalística, prossegue, não é fácil quando não se tem um companheiro que compreende a profissão da mulher, sob pena de enfrentar problemas sérios. “Escolhemos e amamos esta profissão. Precisamos não baixar a cabeça e continuar a batalhar para a realização dos nossos sonhos”.

Emília Neves, a voz dos principais serviços noticiosos da Rádio Huambo, entende que em termos de emancipação já foram dados passos importantes. “A mulher conseguiu, com mérito, dedicação e muito esforço, conquistar o seu espaço”, realça, apesar de reconhecer existirem barreiras que devem ser quebradas para “libertarmo-nos dos preconceitos”.

“A luta da mulher, no processo de emancipação e igualdade de direitos, deve contar com o apoio e união de nós próprias. Quando uma mulher é nomeada para algum cargo, ouvem-se críticas destrutivas por parte das próprias mulheres, ao invés de apoiá-la. Essa posição não ajuda na emancipação”.

A jornalista avança que tem conseguido conciliar a actividade profissional e as responsabilidades no lar, desde que, em primeira instância, explicou à família o papel da profissão que exerce. “É um desafio permanente e diário. Por isso, hoje temos mulheres ministras, governadoras, administradoras, advogadas, médicas, entre outras”, frisa Emília Neves.

“Precisamos, dentro da família, continuar a colocar em evidência os valores primordiais como a instrução e a educação, que se afiguram essenciais como o ponto de partida para a estabilização de uma sociedade saudável”, conclui.

Esmeralda Jimmy, jornalista da Rádio Ecclésia, reitera que a emancipação da mulher é um movimento de luta para promoção de direitos e igualdade de géneros. As mulheres, às vezes, declara, “exageram nesta questão”. E ela explica por quê. “Defendo que mesmo sendo iguais ao homem, devemos ter em conta o profissionalismo e a responsabilidade”.

É a partir desse prisma, do profissionalismo e da responsabilidade, “que a família vai encarar, com normalidade, quando tem que se estar fora do lar por dois ou mais dias em reportagem”.

“O meu marido encara a situação como normal. A base está na comunicação e no conhecimento da parceira. Quando nos comprometemos com esta profissão difícil e complicada, temos, também, de enquadrar o nosso parceiro naquilo que fazemos, para que não haja desconfiança”, recomenda Esmeralda Jimmy.

A mulher quando aceita exercer uma profissão que exige sacrifícios, aclara a jornalista da Ecclesia, deve, antes de tudo, “ser dinâmica, gestora das tarefas domésticas e do tempo, para que as responsabilidades jornalísticas e familiares não sejam um bicho-de-sete-cabeças quando não se tem hora de entrada e de saída”.

As jornalistas ouvidas pelo Jornal de Angola foram unânimes em atestar que a emancipação das mulheres e o exercício de determinadas profissões passam, cada vez mais, pela aposta na formação académica e técnico-profissional, para que, disseram, a avaliação para assumir um cargo de gestão seja feita com base no critério da meritocracia.

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FonteJA
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