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Ala brasileira da IURD indignada com declarações do ministro da Cultura

Ala brasileira da Igreja Universal do Reino de Deus em Angola questiona legitimidade de o ministro angolano da Cultura decidir quem é o líder da instituição religiosa e salientou que o conflito “ainda não acabou”.

A posição foi dada a conhecer em conferência de imprensa no sábado (13.03), numa moção de repúdio lida pelo bispo Alberto Segunda, após uma entrevista do ministro da Cultura, Turismo e Ambiente de Angola, Jomo Fortunato, à Televisão Pública de Angola (TPA), na qual afirmou que a nova direção local da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) é a interlocutora formal do Estado angolano.

Jomo Fortunato destacou que, para o Governo, “já não há conflito” no seio da IURD depois da eleição, pela ala angolana, do bispo Valente Bizerra Luís, no início de fevereiro, pondo fim à comissão de reforma, em funções desde novembro de 2020.

A legitimidade desta assembleia-geral tem sido contestada pela anterior direção da IURD Angola, afeta à hierarquia brasileira, da qual saiu a ala dissidente agora legitimada pelo Governo depois das suas deliberações terem sido confirmadas pelo Instituto Nacional dos Assuntos Religiosos (INAR).

Na conferência de imprensa, Alberto Segunda falou em “golpe” e dirigindo-se ao ministro da Cultura salientou que “o conflito começou quando rebeldes desobedeceram e começaram a perseguir a autoridade constituída por Deus” e tomaram as igrejas.

O texto da moção salienta ainda que “o conflito ainda não acabou, o conflito aumentou”, e “vai ser conhecido em todo o mundo”.

“Nós, bispos, pastores, obreiros e membros da Igreja Universal vamos resistir até ao fim”, prometem os fiéis da ala brasileira, acrescentando que a IURD “não é dos rebeldes, nem do Governo, nem da PGR [Procuradoria-Geral da República]”, mas pertence aos seus obreiros, membros e pastores “que decidem manter a direção espiritual do bispo Edir Macedo”, fundador da igreja evangélica brasileira.

“Ano após ano, a IURD é atacada e acusada pela prática de diversos crimes que nunca são provados em tribunal”, diz ainda a moção, acusando a comunicação social de parcialidade, contrapondo o facto de Angola ser um país laico com as declarações do ministro.

“Que direito tem o ministro da Cultura de decidir quem deve ser o líder da IURD?”, interroga o documento.

O mesmo texto refere que a moção “não visa encobrir, interferir as investigações do processo em curso e muito menos concordar com atos criminosos”, acrescentando que “um grosso número de membros da IURD não aceita a rebelião” que dizem ser protagonizada pelos dissidentes angolanos.

“A presente conferência visa demonstrar que tudo o que tem ocorrido com a IURD, desde novembro de 2019, não passa de um teatro mediático, cujo intuito é o de convencer a opinião pública de que a IURD nada mais é do que uma associação criminosa e, ao mesmo tempo, criar um tribunal paralelo para efeitos de julgamento da Igreja em praça pública, através de inúmeras montagens audiovisuais”, acusou Alberto Segunda.

Bispo Alberto Segunda
(DR)

Retrospetiva da crise
A IURD termina a nota reafirmando que não subscreve “o pronunciamento proferido pelo Ministério da Cultura, nem tão pouco pelo INAR, mantendo desta forma inalteráveis a constituição do Conselho Diretivo da IURD, liderada mundialmente pelo bispo Edir Macedo e, em Angola, pelo bispo Honorilton Gonçalves”.

A moção recorda que, em novembro de 2019, “um grupo composto por ex-bispos, ex-pastores e pastores dissidentes com fins inconfessos e infundados, apresentaram um suposto manifesto pastoral que originou uma ação criminal contra a atual liderança espiritual da IURD” devido a várias queixas crimes contra a igreja, pastores e bispos de nacionalidade brasileira.

Nesse mesmo mês, a IURD realizou uma assembleia extraordinária da IURD, na qual deliberou o afastamento de Valente Luís Bezerra — atual representante legal da IURD, reconhecido pelo Instituto Nacional de Assuntos Religiosos — e outros dissidentes por violação ao estatuto da igreja fundada no Brasil por Edir Macedo.

O documento continua referindo que os dissidentes, sem esperar a tramitação dos processos “por eles mesmos instaurados no Serviço de Investigação Criminal e nos tribunais”, assaltaram templos da IURD em diversas províncias angolanas em junho de 2020, e “chegaram mesmo a agredir verbal e fisicamente alguns pastores, esposas e obreiros”.

“De lá para cá, temos vindo a assistir a ações macabras, pois passa-se para a opinião pública que existem alas (conflitos) dentro da IURD, e que os angolanos decretaram uma rutura com a liderança brasileira”, o que o documento rejeita.

Apoio da IURD brasileira
Na sexta-feira (12.03), a IURD no Brasil lamentou, em declarações à Lusa, que o Governo angolano tenha reconhecido a “legitimidade dos criminosos que cometeram uma série de atentados” contra o grupo neopentecostal no país africano.

“A IURD lamenta as recentes declarações de autoridades do Governo de Angola, que, supostamente, teriam reconhecido a legitimidade dos criminosos que cometeram uma série de atentados contra a Universal e as leis do país africano. (…) A Universal espera que as autoridades angolanas mantenham a postura revelada até agora, de respeito ao judiciário, às leis do país e aos tratados internacionais, como a própria Declaração Universal dos Direitos Humanos”, indicou a igreja, num comunicado enviado à Lusa.

No comunicado, a IURD no Brasil indicou que a comissão da reforma mencionada pelo ministro angolano “é formada por um grupo de ex-pastores, expulsos por gravíssimos desvios de conduta, que atacou e invadiu diversos templos da Universal naquele país”.

“Desde então, com clara motivação xenofóbica, esse grupo vem praticando uma série de atos criminosos de agressão física, psicológica, ameaças, difamações e perseguição religiosa”, salientou o departamento de Comunicação Social e de Relações Institucionais da IURD no Brasil.

Entre os crimes apontados pela IURD aos membros da comissão de reforma está ainda a falsificação de uma ata de assembleia, com o objetivo de encerrar “o serviço eclesiástico pela Universal dos missionários brasileiros em todo o território nacional”.

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