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Kwanza Norte: Cidadãos criticam falta de transparência nos fundos da Covid-19

Habitantes da província angolana do Kwanza Norte afirmam que não conhecem o destino dos milhões disponibilizados pelo Governo para conter a pandemia. À DW, autoridades explicam como o dinheiro foi alocado.

Se há dinheiro no Kwanza Norte e os casos de Covid-19 “são tratados em Luanda”, como é que “esse dinheiro é gasto” na província?

A questão é colocada por João Manuel “Senegal”. O residente no bairro Sambizanga, em Ndalatando, acredita que falta transparência e honestidade às autoridades sobre o destino dos fundos alocados para o combate à pandemia.

“Não houve transparência por parte do próprio ministério da Saúde ao nível da província e do próprio órgão ministerial que está a tratar diretamente da Covid-19 no Kwanza Norte”,afirma em entrevista à DW África.

João Manuel “Senegal” questiona porque não se construiu ainda um hospital de campanha “de referência” para tratar diretamente os pacientes na região.

“A gente só ouve números que realmente não sabemos se são só números ou é verdade”, frisa.

Cidadãos questionam: Para onde vai o dinheiro destinado ao combate à pandemia?
(DR)

Um jogo de “esconde-esconde”
Gonçalves Sebastião é outro habitante do Kwanza Norte que questiona o destino dado ao dinheiro público investido para responder aos casos de Covid-19.

“Para nós, continua a ser um jogo de ‘esconde-esconde’ – é um mistério que visa tentar justificar gastos de números elevados de dinheiro”, desabafa.

Leonardo Antunes, membro da sociedade civil local, critica também a falta de comunicação e transparência. Quer saber, afinal, qual destino dado ao dinheiro dos angolanos?

“No caso da Covid-19, o povo nunca vê o dinheiro – só ouve falar sobre os milhões, mas nunca vê para onde foram”, diz Antunes. Por isso defende a intervenção dos deputados na Assembleia Nacional.

Maria Filomena Wilson.
(DR)

Sem Covid-19 “desde Janeiro”
À DW África, Maria Filomena Wilson, coordenadora da comissão multissetorial de resposta à Covid-19 no Kwanza Norte, explicou que o montante global da verba recebida do Executivo central serviu para dar resposta aos casos do novo coronavírus registados na província.

“Recebemos 150 milhões de kwanzas [cerca de 196 mil euros] e este valor foi destinado mais para as condições de confinamento dos casos positivos”, afirmou. “Nós tivemos também que preparar o morro do Mbinda, que foi adaptado para enfermarias, como se fosse hospital de campanha. Esse valor também foi empregue nisso.”

Desde o início da pandemia, em março de 2020, a província angolana do Kwanza Norte registou 413 casos de coronavírus – 410 pacientes recuperam da doença e três pessoas faleceram.

De acordo com Filomena Wilson, desde janeiro que a região não regista novos casos: “Existe uma acalmia. As estatísticas estão paradas, mas continuamos a trabalhar com todas as medidas de biossegurança que se exigem, tanto nas unidades sanitárias como nas comunidades”, assegura.

Por sua vez, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), o maior partido da oposição no país, quer que a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, preste contas ao Parlamento. Alerta também para as falhas na resposta a outras doenças e pede uma maior discussão pública sobre as atuais dificuldades no setor da saúde.

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