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PLANAGEO não consegue catalogar zona mais rica em diamantes

“O PLANAGEO está longe de avaliar, do ponto de vista quantitativo e qualitativo, o potencial mineiro de Angola, como se fez crer”.

Ainda é desconhecido o potencial geológico e mineiro da Região Leste, apesar do estudo geocientífico iniciado em 2013, admitiu o presidente do Conselho de Administração do Instituto Geológico de Angola (IGEO), Canga Xiaquivila, na apresentação dos resultados do Plano Nacional de Geologia (PLANAGEO), realizado recentemente em Luanda.

O estudo geocientífico na Região Leste, disse Canga Xiaquivila, foi confiado (por concurso público) à empresa brasileira, Costa Negócios, no âmbito da implementação do PLANAGEO. Mas, após 20% de execução do projecto apresentou dificuldades financeiras .

A empresa brasileira, presente em seis países de África (Angola, Guiné Equatorial, Moçambique, Camarões, Guiné-Bissau, assim como em São Tome e Príncipe) ainda tentou se manter no projecto, recorrendo ao financiamento bancário, mas sem sucesso.

Facto que a obrigou desistir da execução do PLANAGEO, numa zona potencialmente rica em diamantes. Face à desistência da Costa Negócios, apurou o Mercado, o IGEO, instituição sob tutela do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, procura uma empresa substituta que poderá ser uma das duas participantes do concurso público, do qual se tinha apurado a brasileira.

“Nesta altura decorrem as negociações com a Costa Negócios para a resolução do contrato firmado. Enquanto decorrer este processo devemos evitar o anúncio dos potenciais substitutos no projecto de prospecção geológico-mineiro na Região Leste”, disse a fonte contactada pelo Mercado.

Apesar dos constrangimentos causados pela desistência da empresa brasileira, o estudo geocientífico na Zona Leste, garantiu o PCA do IGEO, vai prosseguir ainda este ano, pois o processo está em fase avançada, “faltando apenas o acerto de pequenos detalhes”.

O levantamento geológico-mineiro na Região Norte, informou Canga Xiaquivila, está em curso, mas sofreu alterações, fruto das adaptações feitas ao PLANAGEO. Em termos comparativos, o estudo geocientífico na Região Sul está mais avançado, face às Zonas Norte e Leste. Tal facto, de acordo com Canga Xiaquivila, deveu-se ao recurso ao financiamento externo.

O PLANAGEO proporcionou informações geológica e mineral relevantes, segundo Paulo Tanganha, consultor técnico do IGEO, ficou-se a saber que dos noves domínios geológicos existentes em Angola, há um cinturão de cobre, face à correlação geológica e geofísica é igual ao da República Democrática do Congo (RDC), Botswana e Namíbia.

Fruto dos estudos realizados, “hoje já sabemos que há cobre no famoso Bico do Cuando Cubando”, disse Paulo Tanganha durante apresentação dos resultados do PLANAGEO.

Também se ficou a saber que o domínio das rochas verdes é maior ao antes conhecido.

Também foram identificadas ocorrências de kimberlito (rocha mãe do diamante), cobre e ferro. Através do PLANAGEO ficou esclarecido o mistério da seca no Cuando Cubango, uma região pantanosa. Segundo esclarecimento do consultor técnico do IGEO, há uma inclinação das rochas de base que envia para a Namíbia as águas da Chuva.

O levantamento aerogeofísico e geológico revelam que a Zona Sul é atractiva para a indústria transformadora e construção civil por ser rica em rochas ornamentais, argumentou Paulo Tanganha.

No domínio das rochas verdes, de acordo com os resultados do estudo geológico, para além de Cassinga foram identificadas novas zonas de Angola (Huambo, Bié, Bengo, Uíge e Cabinda) que são potencialmente regiões onde se poderá extrair ouro.

O consultor técnico do IGEO informou igualmente que 91% dos alvos geofísicos são magnéticos. “Há maior probabilidade de se encontrar depósitos com propriedades magnéticas do que radiativas, do qual fazem parte o urânio e o potássio”.

Apesar deste resultado, técnicos do IGEO dizem haver urânio em Angola, principalmente na província do Cuanza Norte, mas advertem que ainda devem ser feitos estudos geocientíficos para se determinar que a maior reserva está em Samba Caju, como atestam algumas evidências empíricas recolhidas no período colonial.

Da implementação do PLANAGEO (cuja execução física é de 66%) resultou a construção de três laboratórios, nas províncias de Luanda (Laboratório Central de Geologia), Lunda Sul (Saurimo) e Huíla (Lubango) com um investimento a rondar os 62,5 milhões USD.

Os laboratórios “representam um ganho para a soberania de Angola porque as amostras colhidas no País jamais mais irão ao exterior, que em muitos casos não regressavam e nem sequer enviavam a informação precisas e credíveis”, disse Ginga Pereira, consultor técnico do IGEO.

As infra-estruturas, disse, estão em fase de acreditação e certificação internacional. “Angola está na lista dos países com os melhores laboratórios, só equiparado com a África do Sul, Botswana e Namíbia”.

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