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Cabo Delgado: Como é que Angola poderá ajudar Moçambique?

Segundo analistas, Angola tem condições em termos de preparação combativa e apetrechamento da sua técnica militar para apoiar Moçambique no combate ao terrorismo. Além de projecção de poder, Angola ganharia em prestígio.

Há tempos que se especula sobre uma eventual ajuda militar de Angola a Moçambique no combate ao terrorismo em Cabo Delgado. Recentemente, os presidentes dos dois países dialogaram e o conflito foi um dos temas de agenda, embora detalhes não tenham “transpirado” para fora.

Mas em Luanda, os rumores e a vontade de ajudar o “país irmão” são grandes.

“Fala-se nas Forças Armadas que, de facto, é possível ir combater, ajudar Moçambique. Além disso, Angola diz que tem experiência porque combateu a UNITA [União Nacional para a Independência Total de Angola] durante muitos anos e foi guerra de guerrilha. Portanto, tem muita experiência em termos táticos de combate em zonas não abertas, sem usar a aviação – [combate] quase de homem a homem. Então, acham que podem ajudar nesse sentido, mas acham que Moçambique teria de pedir,” conta o académico angolano Paulo Inglês.

“Mas isso internacionalizaria ainda mais o conflito e acho que este é o medo que todos têm,” acrescenta.

Paulo Inglês
(DR)

A postura anti-ingerência de Maputo insufla a olhos vistos. O irmão do Índico tem recusado solicitar tropas estrangeiras, alegando a preservação da soberania. E a efectivar-se o envio de uma força angolana não seria num âmbito oficial, à semelhança do que já aconteceu com a República Democrática do Congo (RDC) e a Costa do Marfim, adivinha Paulo Inglês.

Uma hipótese que talvez vá justamente de encontro com a postura auto-protecionista de Maputo, “porque Moçambique teria de pedir oficialmente, em teoria, e teria também de haver um contexto internacional por ser a nível da SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África Austral] ou mesmo na ONU [Organização das Nações Unidas].

“Seria o envio de uma força internacional, mesmo que fosse só um país, e não algo bilateral. Então, sem este suporte legal, Angola oficialmente não poderia enviar. Existe uma solidariedade nesse sentido entre os partidos que governam os dois países,” pondera o académico angolano.

Militares angolanos em Cabinda
(DR)

Irmandade e secretismo
Uma velha irmandade que também se sustenta no segredo, como mostra a história. A intervenção necessitaria do aval da SADC, da União Africana (UA) e da ONU para que haja um suporte financeiro, alerta o especialista angolano em política internacional, Belarmino Van-Dúnem.

Angola enfrenta uma crise financeira e económica que está a causar convulsões ao nível doméstico. Van-Dúnem esclarece que, “do ponto de vista financeiro e económico, essas intervenções têm custos bastante elevados, porque para manter a logística de uma força de intervenção e projectá-las para fora do país não é muito fácil”.

“E neste caso, se houver um apoio multilateral ou um compromisso entre as forças armadas angolanas e moçambicanas para que haja uma repartição dos custos para uma intervenção efectiva, Angola tem condições em termos de preparação combativa e apetrechamento da sua técnica militar,” considera.

Calton Cadeado
(DR)

Projectar o poder de Angola
Fora a vontade de apoiar Moçambique em termos geopolíticos, o irmão do Atlântico iria obter louros com um apoio militar, lembra o especialista moçambicano em Paz e Segurança Calton Cadeado.

“Isto seria uma projecção de poder angolano para uma zona onde tradicionalmente não é bem conhecido, estamos a falar de uma zona que é de influência tipicamente sul-africana. Então, seria uma projecção de poder para Angola,” considera.

“Sabemos que Angola tem um prestígio de ter vencido uma guerra e de ter umas forças armadas bem preparadas e equipadas, mas que nos últimos tempos não está a ser exposta ao público nacional e internacional,” conclui.

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FonteDW
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