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Cabinda: FLEC corta “relações e contactos” com Presidência e Governo de Portugal

Num comunicado divulgado, esta segunda-feira (08.02), a Frente de Libertação do Estado de Cabinda acusa a Presidência e o Governo português de “ignorarem, intencionalmente, o martirizado povo de Cabinda”.

Num comunicado, tornado público esta segunda-feira (08.02), a Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) felicita o Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, pela vitória nas recentes presidenciais, mas sublinha que recusa “ser cúmplice de uma hipocrisia que persiste desde 1975”, e que por isso anuncia o “corte de todas as relações e contactos” com a Presidência e o Governo português.

A FLEC, através do seu “braço armado”, as Forças Armadas Cabindesas (FAC), luta pela independência no território alegando que o enclave era um protetorado português, tal como ficou estabelecido no Tratado de Simulambuco, assinado em 1885, e não parte integrante do território angolano.

No mesmo documento, a direção política militar da FLEC/FAC recorda que os diversos Presidentes da República portuguesa e respetivos governos “intencionalmente sempre ignoraram o martirizado povo de Cabinda e os sucessos apelos desta organização e da sociedade civil cabindesa”.

Os “diversos Presidentes da República e governos portugueses unicamente estabeleceram contactos e compromissos com a FLEC/FAC quando o interesse era exclusivamente de Portugal”.

A FLEC lamentou ainda que Portugal nunca tenha condenado Angola “pelas ininterruptas violações dos direitos humanos em Cabinda” e tenha apoiado “os três líderes da República de Angola desde 1975”.

Braços abertos para a população
O fim das relações com a Presidência e o Governo de Portugal, observa-se no comunicado assinado por Jean Claude Nzita, porta-voz e responsável das relações internacionais da FLEC, não é extensivo à população portuguesa e a organizações não-governamentais locais.

“A direção política militar da FLEC/FAC corta todas as relações com a Presidência Portuguesa e com o Governo português, mas permanece de braços abertos à população portuguesa e às organizações não-governamentais que sempre se solidarizaram com o povo de Cabinda”, lê-se no comunicado.

Esta organização, que anuncia igualmente a suspensão de todos os seus representantes em Portugal, a partir de hoje, reafirma ainda, no documento, “a honra de Cabinda e do seu povo partilhar um passado e herança histórica comum com Portugal”.

Criada em 1963, a organização independentista dividiu-se e multiplicou-se em diferentes fações, efémeras, com a FLEC/FAC a manter-se como o único movimento que alega manter uma “resistência armada” contra a administração de Luanda.

Mais de metade do petróleo angolano, maior fonte de receitas do país, provém de Cabinda.

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