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2021 – Um ano ímpar para o Mundo, um ano extremamente desafiante para Angola

Um fenómeno de destruição de emprego assola a Economia Mundial, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho). Até à data foram destruídos cerca de 255 milhões de empregos em todo o mundo, número quatro vezes superior aos empregos perdidos durante a Crise Financeira Global de 2009, economias arrasadas, entre gigantes da Aviação até às Fintech, empresas postas em check (check-mate), obrigadas a despedir, reestruturar o negócio ou a falir.

Em 2021 prevê-se um ano extremamente difícil para todos, mesmo com a proliferação da vacinação (70 milhões já administradas no mundo e somente 20 mil em África), vai obrigar os países a adoptarem medidas económicas e sociais de apoio nunca antes vista, medidas que requerem muito, muito dinheiro. Dinheiro esse que nós Angola não temos e pouco ou nada podemos pedir emprestado, devido ao já elevado endividamento externo que temos.

A Pandemia veio deixar à beira do abismo, os participantes da nossa economia informal, como os engraxadores que já não têm o mesmo número de sapatos na Baixa da Cidade para engraxar, os lavadores de carros que já não abrilhantam os nossos popós enquanto estamos sentados nos escritórios, as tias zungueiras da jinguba, do bombó e até mesmo de algumas peças de roupas e outros objectos de uso pessoal, sem esquecer a nossas queridas tias que utilizam os seus próprios quintais para nos deliciarem com refeições de prato cheio, cheio em quantidade e sabores da terra.

São esses, alguns dos participantes da nossa economia informal que estão hoje cada vez com menos do que comer, menos esperançosos, mais vulneráveis e a enveredarem por caminhos menos dignos na esperança que de lá consigam pelo menos o pão de cada dia.

O desafio está lançado. Os nossos irmãos estão com fome, estão desesperançados num HOJE melhor. É neste sentido de urgência que devemos olhar para 2021 com seriedade, fingir que se faz, demonstrar números ilusórios de criação de emprego, não resolverá as reais necessidades dos nossos compatriotas. É necessário gerir a Coisa Pública com Verdade, Seriedade e Solidariedade, por aqueles que atravessam mais dificuldades. Nunca foi tão importante e urgente gerir de forma eficiente e com certo grau de inovação, os poucos recursos públicos disponíveis.

É chegado o momento de fazer as coisas acontecerem como nunca fizemos com uma vontade séria que nunca imprimimos;

Gastos Públicos devem buscar a eficiência entre construir o que é essencial e com capacidade de dinamizar os fluxos económicos e sociais do País, com a necessidade/capacidade de empregar o maior número de pessoas possíveis.

Obras Públicas previstas no PIIM (Plano Integrado de Intervenção nos Municípios), devem contemplar a construção/requalificação de redes de estradas principais e secundárias fundamentais para o livre trânsito de pessoas e mercadorias, alinhadas a contratação massiva de mão de obra pouco qualificada, principalmente dos nossos jovens.

É importante ver a situação das nossas Jovens Mulheres que pouco ou nada conseguem fazer parte dessa força de trabalho mais “pesada”. É necessário que se vejam os programas de inclusão laboral para esse estrato da população que são cerca de 6 milhões de jovens dos 15 aos 39 anos, activas economicamente que podem sofrer pressões mais severas comparativamente aos homens da mesma faixa etária.

Convergir estratégias entre programas já em curso como KWENDA com os players do mercado visando alavancar o efeito social e económico dos beneficiários e da economia como um todo. (Veja como, no artigo publicado no Portal de Angola 13.11.2020 intitulado “ KWENDA 8.500 kz | 400 Milhões de USD – Potencial Económico do Programa Social” ).

Reorganizar e alargar a força de trabalho do Estado, rejuvenescendo-a pela compensação das aposentadorias efectivas e antecipadas, observando-se a troca directa qualificada de um salário sénior (base + regalias) por três salários de Estagiários, aumentando assim o poder de compra dos jovens e com isso maior robustez aquisitiva da economia, com efeitos directos no aumento do faturamento do comércio, aumento dos impostos, maior apetência das Empresas na criação de novos empregos.

Medidas de apoio efectivo e simplificado à Produção Nacional como sendo o foco do PRODESI para efectiva substituição das Importações, medidas transversais, desde a proliferação dos furos de água para o regadio e consumo das populações, passando para a implementação de Pequenas Indústrias de Transformação de Tomate, Batata, Frutas, etc, aumentando o cardápio e opções de produtos alimentares derivados verdadeiramente produzidos por nós, buscando a soberania alimentar, baixando desta forma os gatos com divisas na importação de bens alimentares e somente com os excedentes potencializar a Exportação desses bens e com isso fomentar mais uma fonte de divisas para o País.

Adivinha-se uma verdadeira “luta” mundial nos próximos dois a três anos por Investimento Directo Estrangeiro (IDE), sendo que países que costumam investir como os Estados Unidos, China, Itália, França, Reino Unido, estarão eles nas vestes de atrair para eles esses investimentos, havendo uma verdadeira pressão no mundo financeiro, em que países como nós com poucas garantias (pior rating) terão de pagar um preço muito alto para se financiar. Por isso, é importante jogar com a eficiência, inovação na gestão da coisa pública, tornando-nos o menos expostos possível a dependências exteriores, devendo garantir pelo menos que a nossa máquina agrícola e piscatória nos alimente e nos sustente em tempos difíceis que se advinham.

 

 

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