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Históricos do Carnaval de Luanda desistem este ano por segurança

A inédita edição 2021 do Carnaval de Luanda, que este ano acontece no formato live, devido a Covid-19, corre o risco de não ver desfilar alguns dos principais grupos carnavalescos, por motivos de segurança.

Um dos grupos em causa é o União Mundo da Ilha, cujo presidente, António Custódio, se mostrou bastante preocupado e, de certa forma, céptico com a situação actual que o país e o mundo estão a viver, devido a pandemia da Covid-19.

O líder do grupo, vencedor da última edição do Carnaval de Luanda, com 590 pontos, explicou, ontem, ao Jornal de Angola, que não está à vontade, em termos de segurança, devido ao actual número de integrantes do grupo, alguns dos quais na condição de risco. “Precisamos de garantir a segurança dos integrantes do grupo e não há condições para participarmos, mesmo nos moldes que se pretende realizar o Carnaval este ano”, adiantou.

A decisão saiu de uma reunião da direcção, realizada a semana passada, tendo chegado a conclusão, por unanimidade, que não há condições para o grupo participar, em defesa da saúde e integridade física dos foliões.

Para António Custódio, apesar do formato online, proposto pela organização, que prevê realizar com um mínimo de 50 pessoas por cada grupo no desfile as condições de segurança são duvidosas. “Se contabilizarmos o total dos integrantes dos grupos a participar nesta edição, teremos um número considerável de pessoas confinadas no mesmo espaço, sem máscaras, a dançar e a interagir fisicamente, o que ainda assim constitui um risco muito grande de contaminação”, aclarou.

Mesmo que tal situação seja solucionada, acrescentou, e a biossegurança garantida, o grupo, detentor de 14 troféus do Carnaval de Luanda, não tem, internamente, condições financeiras de participar.

Recreativo Kilamba

Quem está igualmente de fora desta edição da “festa do povo” é o grupo União Recreativo Kilamba, liderado pelo comandante Poli Rocha. Terceiro classificado do ano passado, com 559 pontos, o grupo, do Distrito Urbano do Rangel, que pretendia “roubar” o título, não vai participar, como informou, ontem, em Luanda.

O grupo conseguiu vencer consecutivamente as edições do Carnaval, em 2018 e 2019, de acordo com Poli Rocha, mas, como até agora não foram criadas as condições para se evitar a propagação da Covid-19 e se garantir uma “festa” com biossegurança, então preferem não participar.

Como sugestão, defendeu ser mais sensato é aproveitar o momento para a realização de um encontro de reflexão em torno da própria estrutura organizativa do Carnaval. “Deveríamos aproveitar o momento para analisar as políticas existentes e soluções para melhorar as próximas edições”.

Para Poli Rocha, neste contexto de pandemia, a realização do Carnaval, seja em que modalidades for, não é ideal, devido aos riscos de disseminação da doença. “Temos outras coisas como a melhoria do evento e a dignidade dos fazedores do Entrudo para debater nesta fase”, ressaltou.

Uma das opções do grupo para este ano, além do Carnaval, argumentou, é apostar na formação da juventude, no âmbito do programa “Diversidade”, da União Europeia, para o qual o grupo foi seleccionado.

Homenagens

Ainda a recuperar da morte do “histórico comandante” Pedro Vidal, falecido no mês de Junho de 2020, vítima de doença, em Luanda, está o União 10 de Dezembro, que tem novo comandante, Bernardo Vidal, filho do malogrado, preparado ao longo dos anos para assumir o “manto”.

O presidente do grupo, Francisco Pimentel “kota Chico”, garantiu, on-tem, ao Jornal de Angola, que apesar da pandemia vão participar nesta edição, denominada “Live Carnaval”, para fazerem uma singela homenagem ao “eterno comandante” do grupo, Pedro Vidal, que dançou durante 40 anos, conquistou 14 títulos de melhor comandante e deixou um legado e uma obra incomparável a ser transmitida às novas gerações.

Este ano, referiu, o grupo vai, somente, desfilar com poucas alas, uma das quais a da corte. “Estamos a trabalhar para poder representar condignamente a agremiação”, disse, adiantando que estão felizes pelo facto de o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente estar a preparar também uma homenagem a Pedro Vidal.

Origens do Entrudo

Trazido pelos portugueses, o Carnaval chegou a Angola há vários séculos e também era chamado de Entrudo. A máxima desta festa popular era: “No Carnaval, nada parece mal!”. Nos dias que durava a festa, existia a crítica social muito intensa. Os defeitos dos grandes senhores eram levados à praça pública. Desavenças entre vizinhos eram apresentadas numa linguagem crua, perante todos. Mas como “nada parece mal”, ninguém se sentia ofendido.

Por cá, eram célebres as “batalhas de fuba”. Mas havia quem atirasse com água fedorenta, ovos podres, tinta e lama. O Carnaval angolano marcou a diferença desde os primeiros anos, com a introdução de uma enorme variedade de cantos e danças nacionais. A partir da primeira metade do século passado, surgiram os bailes fechados nos clubes, ficando o Carnaval de rua restrito aos que tinham pouco poder de compra.

Uma brochura publicada em 1986 pela Comissão Preparatória do Carnaval apresenta uma retrospectiva da festa em Angola desde o século XIX e destaca o Carnaval realizado na Catumbela, em 1890. Os desfiles de Carnaval registaram uma paragem na década de 40, com a eclosão da II Guerra Mundial. Mas o povo continuou a sair à rua e os “salões” dos bairros nunca fecharam as portas à folia.

A segunda paragem foi em 1961, com o início da luta armada de libertação nacional. O governo colonialista proibiu os desfiles de rua e as festas de salão. Depois de 1963, o Carnaval foi domesticado e “rigorosamente vigiado” pelas autoridades. Só regressou, no ano de 1975. Mas por pouco tempo. A guerra voltou a suspender a festa.

O Carnaval ressurgiu em 1978, com o incentivo pessoal de Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, na forma de festejo para marcar a expulsão do exército sul-africano a 27 de Março de 1976, realizando-se com a designação de Carnaval da Vitória.

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FonteJA
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