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Covid-19: Alerta máximo não muda quotidiano de aglomerações em Maputo

Nos “chapas” e nas repartições públicas, cidadãos não evitam aglomerações. Enquanto autoridades falam em “relaxamento da sociedade”, utentes reclamam que a desorganização nos serviços públicos aumenta o risco de infecção.

As autoridades sanitárias disseram que houve “relaxamento da sociedade” nas festas de fim de ano e lançaram “alerta máximo” em Moçambique devido ao aumento de infecções pelo país. Por outro lado, cidadãos ouvidos pela DW África nos mercados, terminais de transporte e em algumas repartições públicas reclamam que a desorganização dos serviços públicos e privados aumenta o risco de infecção.

As autoridades sanitárias identificaram aumento de 20% no número de infecções pelo novo coronavírus nos primeiros dias de Janeiro. Moçambique registou nesta segunda-feira (12.01) 2.393 casos. O número de infectados aumentou em até 10 vezes em algumas áreas.

No Instituto Nacional de Transportes Terrestres (INATTER), por exemplo, vários cidadãos aglomeram-se para tratar ou renovar carta de condução. Hélia Fondo está na fila e tenta cumprir com as regras de prevenção, mas não consegue.

Um dos motivos para as aglomerações no INATTER é a oscilação do sistema informático que obriga os funcionários a paralisarem os trabalhos.
(DR)

“É um pouco complicado porque quando as pessoas ficam dispersas não ouvem nada do que se passa lá dentro. Então, as pessoas ficam aglomeradas para entender o que se está a passar. Cada um quer entender o seu caso e assim ficamos aglomerados. Afastamos um pouco mas é complicado”, desabafa a utente.

Um dos motivos para as aglomerações no INATTER é a oscilação do sistema informático que obriga os funcionários a paralisarem os trabalhos. E o cenário provoca uma verdadeira “enchente” de utentes a aguardar pelo atendimento. Cecília Djedje sabe que está exposta ao risco de contrair o coronavírus.

“É só ver como isto está, as pessoas não estão a obedecer o distanciamento social. Ali, todos estão amontoados na porta e assim torna-se uma situação difícil. Acabamos correndo riscos porque queremos entrar para termos o serviço”, explica.

Nesta terça-feira (12.01), a DireCção Nacional de Identificação Civil deverá anunciar o encerramento destes serviços na cidade de Maputo, devido a enchentes nos balcões que podem propiciar a propagação do corona vírus.

“Nos chapas não está fácil. Há enchentes, há carência de chapas”, reclama utente.
(DR)

O quotidiano nos “chapas”
Nos terminais de chapas, o cenário é preocupante. Nas filas para apanhar o transporte e mesmo no interior destes, não há distanciamento físico. Um “minibus” de 15 lugares deveria carregar três pessoas por assento, mas já estão a levar quatro passageiros para normalizar o lucro pelos serviço.

Os autocarros, que deviam cumprir com a metade da lotação, já deixaram de o fazer. José Orlando, vendedor informal, é utente do “chapa” e sabe dos riscos que corre. “O machibombo enche e não há distanciamento. Tenho medo [de contrair coronavírus], mas o que fazer? Tenho de apanhar chapa para casa. Tenho de vir aqui [na baixa da cidade] senão não tenho o que comer em casa”, lamenta.

A carência de transporte obriga os utentes a ignorarem as regras de prevenção. “É só usar mascara e álcool gel. Nos chapas não está fácil. Há enchentes, há carência de chapas, e tenho que pegar três chapas [para chegar ao centro da cidade], diz o segurança Vasco Macuvele.

O diretor Nacional de Assistência Médica, Ussene Issa, acredita que as pessoas perderam o medo da Covid-19. Ele sugere que se resgate o cumprimento das medidas de prevenção.

“Temos de continuar a trabalhar seriamente – quer a nível individual, quer a nível familiar, comunitário, da sociedade e das lideranças locais – para a mudança de comportamento, atitudes e prática, para não comprometer a resposta que o serviço nacional de saúde está a dar”, opina.

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FonteDW
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