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Contestação na RCA à reeleição do presidente cessante

Na República centro-africana dez candidatos da oposição pediram nesta terça-feira a anulação da reeleição do presidente Faustin Archange Touadéra num escrutínio que consideram como estando desacreditado. No entanto, Vladimir Monteiro, porta-voz da MINUSCA, força da ONU na RCA, apela a que a contestação siga os trâmites legais aguardando-se a proclamação definitiva do Tribunal Constitucional o mais tardar até dia 19.

O Tribunal Constitucional tem até 19 do corrente para confirmar a reeleição do presidente cessante.

Touadéra teria vencido com quase 54% dos votos, segundo resultados avançados na segunda-feira.

Só um em dois eleitores conseguiu votar a 27 de Dezembro com uma guerra civil a ameaçar o escrutínio, em plena ofensiva rebelde.

Ainda assim as autoridades alegam que a taxa de participação se situou em mais de 76%.

Não obstante admitirem que em quase metade das mesas de voto a votação não se pode realizar ou, então, com os boletins de voto a terem sido destruídos.

São, pois, dez candidatos descontentes, num movimento liderado pelos ex-primeiros-ministros Anicet Georges Dologuélé e Martin Ziguélé, estes classificados supostamente, em segunda e terceira posição, no pleito.

Todos eles denunciam muitas irregularidades, alegando que o escrutínio não teria sido conforme aos padrões internacionais. e que teria deixado de lado 51% dos eleitores.

Os observadores internacionais tinham elogiado, porém, a mobilização dos eleitores.

Facto realçado também por Vladimir Monteiro, porta-voz da MINUSCA, tropas da ONU na RCA, num comunicado emitido na segunda-feira por parte de observadores internacionais presentes no terreno.

“Uma declaração conjunta das Nações Unidas com a União Africana, Comunidade económica dos Estados da África central e da União Europeia (que) fez uma série de apelos”.

“Dizem tomar nota dos resultados provisórios… os actores políticos deverão respeitar as decisões” do Tribunal Constitucional o mais tardar até dia 19.

Comentando o facto de porventura um em cada dois eleitores ter ficado arredado do escrutínio Vladimir Monteiro alegou terem sido constatados essas situações de violência.

“Nós constatámos essas violências (…), a nossa posição é de que os resultados serão proclamados de forma definitiva pelo Tribunal e que há vias legais para apresentar todas as queixas e tentar obter a solução dos problemas.”

Vladimir Monteiro, porta-voz da MINUSCA, força da ONU na RCA, admite que a violência pontuou o escrutínio nalgumas áreas e que continuam a circular boatos sobre ataques armados à capital.

“Houve uma série de ataques, inclusive com mortes de civis, com mortes de elementos das forças armadas centro-africanas, com a morte de três capacetes azuis, por conseguinte não houve eleições… Mas houve também zonas em que, apesar dessas violências a população foi votar, e outras partes onde conseguiu votar.

A situação em termos de segurança continua tensa (…) os grupos armados estão, sobretudo, na parte Oeste (…), há muitos rumores de ataques contra a capital, um deles com pânico geral. Até agora temos conseguido fazer frente a essa aliança entre grupos armados e o antigo presidente François Bozizé.”

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FonteRFI
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