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Jovens marcham na província angolana do Uíge para exigir alternância no poder

Jovens activistas e membros da sociedade civil marcham sábado (09.01), no Uíge, norte de Angola, para protestar contra as “dificuldades socioeconómicas” e exigir “alternância no poder no país”, anunciou a organização.

Segundo o ativista Jorge Kisseque, um dos organizadores da marcha, a manifestação “será pacífica” e visa “exigir a alternância no poder em Angola” por considerar que o “atual Governo constitui um obstáculo para a edificação de uma Angola inclusiva para todos”.

“Impedindo desta forma a realização da vontade do povo soberano como é o caso da não-fixação da data das autarquias locais, a não mobilização de condições múltiplas para a criação de um sistema de saúde, educação, saneamento básico, acesso à água, ao emprego, aos transportes públicos e de qualidade”, afirmou hoje Jorge Kisseque, em declarações à Lusa.

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A marcha agendada para o próximo sábado deve decorrer sob o lema “45 anos é muito, MPLA fora”, porque, para o ativista, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975) “é o responsável pelos problemas básicos que afetam milhares de angolanos há 45 anos”.

“Como está claro, com o MPLA no poder esses problemas básicos não serão resolvidos”, argumentou, convidando os cidadãos das restantes províncias angolanas a se solidarizarem com a iniciativa.

“Alternância é a única opção”

Kisseque, que diz ter sido “baleado com sete tiros nos pés”, em Agosto de 2020, um dia antes de uma manifestação por si organizada, considera também que a “alternância ao poder é a única opção para que os angolanos tenham oportunidades iguais”.

“E contribuam na edificação de uma Angola socialmente justa”, notou.

De acordo com o ativista, o governo e o comando provincial da polícia no Uíge “já foram informados sobre a realização da manifestação” e uma reunião entre os organizadores da marcha e a polícia local está prevista para manhã de sexta-feira.

“Esperamos que polícia nacional assegure a nossa manifestação pacífica e pedimos à comunidade internacional e à Amnistia Internacional para que acompanhem no sentido de não acontecer o que se registou em agosto de 2020 quando fui baleado”, concluiu.

No final do ano passado, Angola foi palco de protestos contra um crescente descontentamento com a governação do Presidente, João Lourenço, incluindo um a 11 de novembro, dia em que o país assinalou 45 anos de independência. Manifestações que foram dispersas pela polícia e em que vários ativistas foram presos.

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FonteLusa/DW
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