- Publicidade-
Smooth Jazz Rádio Calema
Inicio Economia Análise da Deloitte para o Jornal de Angola: A presidência angolana da...

Análise da Deloitte para o Jornal de Angola: A presidência angolana da OPEP

Angola viveu um período de crescimento na produção de petróleo, impulsionado pelo aumento do valor do barril de crude nos mercados internacionais e pelo crescente número de concessões a nível nacional que garantiram prosperidade ao sector petrolífero e crescimento económico à República de Angola ao longo de mais de duas décadas.

No entanto, os últimos anos foram marcados pela incerteza verificada no sector e na economia dos países produtores de petróleo em virtude da desvalorização significativa do valor do barril de crude ocorrida no ano de 2014 e pela crise pandémica da Covid19 que continua a ter forte impacto no mercado petrolífero, com impactos na redução da procura no mercado europeu, americano e asiático e a acumulação de “stock” a nível global, conduzindo a uma depreciação adicional do preço do crude e dos seus derivados em mercado internacional. É neste contexto desafiante que Angola assume a presidência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

A queda de cerca de 35 por cento do valor médio do preço do barril de petróleo no ano de 2020 representa um desafio significativo para todos os membros da OPEP, especialmente para aqueles cujas receitas dependem fortemente do sector petrolífero como a República de Angola e que, por isso, ambicionam uma taxa comum de produção desta Organização maior, no sentido de manter as suas receitas e Orçamento de Estado em níveis sustentáveis.

Desta forma, a tarefa da OPEP em garantir que os mercados globais de petróleo recuperem a boa “performance” no ano de 2021 está neste momento sob a responsabilidade de Angola, pelo que apesar do principal objectivo da OPEP ser conflituante com o interesse particular do país, o ministro dos Recursos Minerais e do Petróleo, Eng. Diamantino Azevedo, certamente conduzirá este desígnio com rigor e ambição, à semelhança do que tem vindo a fazer ao comando da reestruturação do sector petrolífero angolano e que resultou na criação da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e na regeneração da companhia nacional petrolífera, Sonangol EP, com a criação de Unidades de Negócio específicas em cada excerto da cadeia de valor petrolífera.

Apesar da quota da OPEP de produção diária de petróleo global ter caído para menos de 50 por cento nos últimos anos, especialmente devido ao aumento significativo na exploração de xisto que tornaram os Estados Unidos o maior produtor mundial de petróleo, a OPEP continua a ter grande relevância na concertação e estabilidade dos índices de produção global e, consequentemente, do valor do barril de crude no mercado internacional.

Em particular, a aliança OPEP+, que agrupa os 13 membros da OPEP e 10 das principais nações não exportadoras a nível global, e que juntos procuram garantir a estabilidade do mercado e a maximização da receita para os países produtores. Angola encerra o ano de 2020 com uma contracção económica entre 4,0 e 6,0 por cento.

No entanto, a economia nacional tem dado alguns sinais positivos de resiliência e capacidade de resposta a esta situação menos favorável ao longo do segundo semestre do ano de 2020, em particular no sector petrolífero, nomeadamente com a aprovação da Estratégia de Exploração de Hidrocarbonetos em Angola 2020-2025, em que o país irá investir 867 milhões de dólares para travar o declínio de produção petrolífera e renovar a taxa de reservas provadas, no sentido de manter os níveis de produção actual nos próximos quatro anos e incrementar a mesma a partir do ano de 2025, contribuindo para um incremento de receita do Governo e da sua capacidade de desenvolvimento sustentável e de conteúdo local, pelo que a manutenção deste objectivo nacional intacto é um desafio de equilíbrio exigente no desempenho do mandato da presidência da OPEP que Angola agora assume.

Os estudos recentes da Rystad e Deloitte sobre a Transição Energética global apontam que apesar da dinâmica mundial em curso, o consumo de petróleo atingirá o seu pico de consumo global entre 2030 e 2035, pelo que, 60 anos após a sua fundação, a OPEP continua a enfrentar desafios, mas a vislumbrar oportunidades, apesar do crescimento da produção de petróleo não convencional e dos planos de redução da pegada de carbono assumidos pelas petrolíferas de referência internacional como a BP, Shell, Total, Exxon, que perspectivam uma pegada de carbono nula no seu “portefólio” até ao ano de 2050.

Perante estes desafios, e considerando o estágio de amadurecimento e refundação que o sector petrolífero tem vivido em Angola, a presidência da OPEP reveste-se numa desafiante oportunidade para o país de, (i) demonstrar as suas capacidades técnicas e de gestão no sector, (ii) reafirmar Angola como o pilar de sustentabilidade e motor de transição energética no continente africano, (iii) alavancar a responsabilidade e reconhecimentos dos países com menor taxa de produção dentro do seio da OPEP, (iv) garantir a união entre todos os membros da OPEP com vista ao objectivo de recuperação do valor do barril de crude nos mercados internacionais em 2021, e (v) granjear credibilidade para o país e reforçar a imagem a nível internacional.

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.