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Dia Internacional dos Migrantes marcado por queixas de “desumanização”

Em tempos de Covid-19, imigrantes e refugiados em Angola queixam-se de fome, maus tratos e corrupção por parte dos trabalhadores humanitários. “Uma barriga com fome aceita tudo”.

“A situação dos migrantes em Angola é deplorável e a situação agudizou-se ainda mais com a pandemia de Covid-19”. O testemunho, na primeira pessoa, é de Djibril Barry, mais conhecido por “Yuri do Cabrité”.

O cidadão da Guiné-Conakri vive na província angolana do Kwanza Norte, desde 2016. Apesar de enaltecer o bom trabalho do serviço de migração estrangeiro local, Yuri diz que, por causa da pandemia do novo coronavírus, 2020 é o ano mais triste que já viveu na condição de migrante.

“Graças a Deus, vivemos bem com as pessoas que estão a dirigir aqui o serviço de migrante e estamos todos a ser bem controlados. 2020 foi o ano mais triste que eu já vi. Gostava de voltar a 2019, para voltar a trabalhar com alguma normalidade.”

Djibril Barry, cidadão da Guiné-Conacri
(DR)

Pedido de “socorro” ao Governo
Face à atual situação dos migrantes em Angola, Djibril Barry defende a ajuda incondicional do Governo angolano e lança um apelo de socorro.

“O Governo tem de começar a ver as pessoas que estão a trabalhar normalmente para ajudar. Como é que pode ajudar? Facilitando também certas coisas para conseguir fazer o movimento de trabalho. Mesmo que não seja uma ajuda monetária, ajudar na gestão do trabalho. Pouco a pouco vai conseguir ajudar outras pessoas para trabalhar com ele”, sugere Djibril.

O congolês Mussenguele Kopele, coordenador-geral dos refugiados em Angola, revelou à DW África que sete mil pessoas, de 22 nacionalidades, estão registadas na condição de refugiados no centro de acolhimento de migrantes. E mais de 15 mil requerentes de asilo estão registados no país desde 2014.

Refugiados congoleses em Angola
(DR)

“Corrupção e maus tratos” na assistência aos refugiados
Tendo em conta as querelas nos últimos anos com pessoas da República Democrática do Congo (RDC) e a atual situação de pandemia, Kopele denuncia a situação de vulnerabilidade dos migrantes refugiados que se encontram em Angola, por falta de assistência.

“Nós estamos numa fase de pandemia de Covid-19, em que as pessoas estão a sofrer, não há movimentação normal e aqueles que são vulneráveis, ainda se tornaram mais frágeis. É por isso que o grupo de mais de 100 mães foram ao ACNUR, nas instalações das Nações Unidas, manifestar descontentamento pelos maus tratos que estão a sentir.”
Mussenguele Kopele faz também um apelo ao Governo angolano e alerta para alegados casos de corrupção entre trabalhadores humanitários, que dão assistência aos refugiados.

“O Governo deveria, talvez, procurar meter ordem nas coisas que se dizem acerca dos refugiados, porque a comunidade está quase dívida. Há pessoas que prestam assistência aos refugiados e que corrompem moralmente os refugiados. Castigam-nos e maltratam-nos. Uma barriga com fome aceita tudo”, desabafou Mussenguele Kopele.

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