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Banco Mundial vai emprestar mais 905,3 milhões de dólares

Economista Rui Malaquias sugere como prioridade o reforço da protecção social para combater-se os focos de fome e pobreza ainda visíveis em famílias vulneráveis.

O economista Rui de Sousa Malaquias disse, ontem, que a ajuda financeira complementar de 905,3 milhões de dólares e outras adicionais, que o Banco Mundial aprovou para Angola, correspondem a mais um voto de confiança da instituição ao esforço real do Executivo angolano em implementar reformas.

Segundo afirmou ao Jornal de Angola, as reformas são extremamente impopulares, casos da liberalização da taxa de câmbio, introdução do IVA e o reescalonamento do IRT, bem como a remoção continua dos subsídios aos combustíveis e outros preços, num período muito complicado e em tão pouco tempo.

Rui Malaquias entende que o Banco Mundial percebeu que estas medidas “corajosas” estão a ser tomadas em muito pouco tempo e num período de crise financeira mundial.

Portanto, prossegue, o Banco Mundial pretende suavizar os impactos que estas medidas estão a ter sobre as famílias e as empresas, além de proteger os empréstimos já concedidos, pois Angola só conseguirá devolvê-los se tiver estabilidade, crescimento económico e aumentar a arrecadação fiscal.

“Pensamos que o Banco Mundial finalmente ganhou mais sensibilidade relativamente à sua actuação no passado com outros países em experiências falhadas, no sentido de ser importante intervir nos países de acordo com as suas reais necessidades, e esta ajuda adicional indicia que o Banco Mundial e o Governo angolano sentiram que é necessário mais recursos financeiros nesta fase, e, acreditamos, que tais gestos podem ocorrer sempre que se achar necessário, desde que Angola cumpra com as suas responsabilidades no quadro das reformas propostas”, disse.

Protecção social Ainda de acordo com o economista e docente, é importante assinalar que esta ajuda deve ser aplicada, essencialmente, no reforço da protecção social, pois a situação é de emergência, porque a fome não espera pelos resultados das reformas.

Devem, de igual modo, ser usada em investimentos públicos intensivos em capital para facilitar a expansão da actividade económica nacional, pois só desta forma conseguir-se-á atrair investidores para Angola, pois os custos de contexto vão ser efectivamente inferiores.

RUI MALAQUIAS Economista e Docente universitário (Foto: Angop)

Rui Malaquias diz ter noção de que os empréstimos não são doações. Logo, estão implicados juros cobrados a uma determinada taxa. Neste contexto, aponta, Angola tem que capitalizar estes recursos, fazendo-os crescer a uma taxa nunca inferior à taxa de juros imposta, pois de outra forma estará a agravar o endividamento.

“Só iremos capitalizar se aplicarmos corretamente e consigamos que surjam novas empresas, as empresas existentes cresçam e se criem mais e melhores empregos, para que no fim do dia haja mais arrecadação fiscal e o Estado consiga honrar os compromissos internos e externos (como este com Banco Mundial), além de continuar a fazer investimentos públicos necessários para manutenção da sustentabilidade económica”, sugeriu.

Questionado se a presidência da OPEP não confere poderes especiais ou vantagens objectivas ao país, relativamente a outros produtores, diz tratar-se apenas de uma oportunidade para Angola estar no centro de decisão do cartel mais importante do mundo, podendo assim atrair investidores mais eficientes e evoluídos tecnologicamente para desenvolver e modernizar a actividade petrolífera nacional.

Contudo, prosseguiu, é importante que Angola defenda a política de controlo ou não expansão da oferta petrolífera ou se possível, a conquista de novos mercados, para que o preço não desça e prejudique as receitas de Angola e de todos os países que estão no cartel, pois não se pode esquecer que só uma oferta decrescente e/ou uma procura crescente interessa aos países do cartel.

CUMPRIR OS ACORDOS

O director do Banco Mundial para Angola, Nigéria e África do Sul, Armando Manuel, disse, numa recente entrevista à revista Forbes Angola, que a instituição vai garantir um empréstimo de 905,3 milhões de dólares, que deverão totalizar os 1,85 mil milhões disponibilizados no quadro dos acordos rubricados entre as partes.

A este valor, segundo o alto-responsável do BM, Angola pode ainda apresentar um programa para beneficiar de empréstimos para a aquisição de vacinas contra a Covid-19.

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