Radio Calema
InicioCiências e TecnologiaTikTok investiga conteúdos que promovam distúrbios alimentares

TikTok investiga conteúdos que promovam distúrbios alimentares

A rede social TikTok lançou uma nova investigação e retirou vários termos de pesquisa que conduziam a resultados que promoviam a anorexia. A empresa já tinha proibido os anúncios a produtos que promovessem a perda de peso, mas algumas contas consideradas prejudiciais à saúde continuavam disponíveis nos resultados de pesquisa.

O TikTok, plataforma online de partilha de conteúdos principalmente usada pelas faixas etárias mais jovens, baniu todos e conteúdos e publicidades que promovessem comportamentos de risco, nomeadamente os que anunciavam produtos para a perda de peso. Mas agora voltou a ser criticado quando o jornal britânico Guardian descobriu que, apesar das medidas para proibir estes conteúdos prejudiciais, algumas contas que promoviam dietas perigosas para “passar fome” ainda estavam disponíveis e eram facilmente encontradas nos resultados de pesquisa.

Anteriormente, a aplicação baniu a utilização de algumas palavras-chave que pudessem levar a conteúdos prejudiciais, mas estas restrições podiam ser facilmente ultrapassadas. Se em vez de se escrever, por exemplo, “perda de peso” se escrevesse “perda peso”, omitindo algumas letras, podia chegar-se na mesma ao conteúdo que o TikTok tentava ocultar.

Embora a empresa chinesa tenha bloqueado algumas hashtags, quando se introduziam algumas dos termos numa pesquisa apareciam ainda algumas contas que promoviam maus hábitos alimentares. Segundo o jornal britânico, quem procurar conteúdo através de hashtags consegue contornar as restrições do TikTok usando pequenos erros ortográficos ou variantes em termos comuns.

Confrontada com a descoberta da existência de algumas contas com conteúdos prejudiciais, a empresa tecnológica abriu uma nova investigação e aplicou medidas mais apertadas nas pesquisas. Entretanto, já foram banidas algumas contas que publicavam conteúdo sobre perda de peso de forma perigosa. Algumas das contas detetadas tinham descrições como “isto é um aviso, se não gostas de coisas sobre passar fome de morte, sai, por-favor”.

A aplicação identificou ainda utilizadores que pediam dicas para perder peso de uma forma “saudável ou não” ou que contas que pediam às pessoas para seguirem para obterem alimentos seguros de “poucas calorias” quando não quisesse vomitar – um dos transtornos alimentares que envolve a indução do vómito, uso indevido de laxantes ou medicamentos.

No total foram eliminadas seis contas por violarem as diretrizes da aplicação relativamente a conteúdos que promovam os maus hábitos alimentares que possam ter efeitos nefastos na saúde, como a anorexia.

Algoritmo permite acesso a vídeos prejudiciais
A verdade é que pode ser fácil aceder a este tipo de conteúdos, uma vez que a secção “para ti” do TikTok é um feed de vídeos onde não é preciso seguir as contas para aparecerem os conteúdos, visto serem recomendados por um algoritmo baseado no histórico. Por isso, foram vários os utilizadores que relataram continuar a ver vídeos e conteúdos sobre distúrbios alimentares, perda de peso ou dietas.

Ysabel Gerrard, professora de Media Digitais e Sociedade na Universidade de Sheffield, disse ao Guardian que demora “pouco mais de 30 segundos para encontrar uma conta pró-transtorno alimentar no TikTok”. Além disso, se o utilizador seguir “as pessoas certas, a secção For You será rapidamente inundada com conteúdo semelhante de outros utilizadores”.

“Isto acontece porque o TikTok é essencialmente projetado para mostrar o que ele pensa que nós queremos ver”, explicou ainda Gerrard.

A investigadora confirma que, desde que a imprensa relatou a existência de conteúdo que promovia a perda de peso e os distúrbios alimentares, o TikTok tomou medidas e proibiu anúncios de produtos para tomar em jejum ou suplementos para perda de peso.

“Eu aplaudo a empresa por fazer isso. No entanto, há mais algumas coisas que o TikTok precisa de fazer com urgência para tornar a plataforma ainda mais segura”, disse Ysabel Gerrard, acrescentando que restringir os “resultados das pesquisas de hashtags não é suficiente, e que estas pesquisas podem nem ser a maneira como os utilizadores encontram novo conteúdo”.

Mas eliminar todo o conteúdo considerado prejudicial é dificil, considera a professora.

“Em particular, o TikTok precisaria de ter cuidado ao limitar os resultados da pesquisa para nomes de utilizador porque algumas contas podem ser pró-recuperação e há muitas evidências para nos dizer como a rede social pode ser útil para pessoas com transtornos alimentares”.

Um porta-voz da rede social afirmou, entretanto, que desde que a empresa foi alertada para esta situação que foram tomadas “medidas para banir contas e remover conteúdo que violasse as regras, assim como banir certos termos de pesquisa”.

“Enquanto o conteúdo continua a mudar, continuamos a trabalhar com os nossos parceiros, a atualizar a nossa tecnologia e a rever os nossos processos de forma a garantir que conseguimos responder a práticas emergentes e perigosas”.

O TikTok já tem mais de 800 milhões de utilizadores, sendo que mais de metade são jovens entre os 16 e os 24 anos de idade.

FonteRTP

Siga-nos

0FansCurti
0SeguidoresSeguir
0InscritosSe inscrever

Últimas notícias

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.