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Manifestação não é motivo para assassínios, diz pai de jovem morto em Luanda

O pai do jovem morto na sequência de uma manifestação em Luanda, dia 11 de Novembro, declarou que o protesto “não constitui motivo para assassínios” e prometeu exigir justiça em frente à Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola.

Na sexta-feira, a PGR angolana divulgou um comunicado segundo o qual a segunda autópsia ao jovem não chegou a serrealizada porque o advogado da família recusou o procedimento depois lhe ser negada a presença de um fotógrafo e colocou o cadáver à disposição dos familiares para que seja realizado o funeral.

Numa conferência de imprensa realizada em Luanda, Alfredo de Matos, pai de Inocêncio de Matos, que morreu em circunstâncias ainda por esclarecer, rearmou que o estudante, de 26 anos,foi morto pela polícia.

“Inocêncio perdeu a vida em circunstâncias particularmente brutais, ele foi assassinado, quando se encontrava prostrado com as mãos no ar”, lamentou. “É do nosso interesse realizar o funeral de Inocêncio o mais depressa possível(…), no entanto, não sem antes fazer a realização da autópsia”, acrescentou o pai do jovem, acrescentando que a família tem “estado a encontrar inúmeras dificuldades” e foi pressionada para que se fizesse a perícia médico-legal, antes de o advogado ter sido avisado.

Alfredo de Matos pediu “encarecidamente” apoio às entidades eclesiásticas, autoridades tradicionais, media, sociedade civil e opinião pública no sentido de ajudarem a “proporcionar a derradeira justiça” para que não voltem a acontecer situações semelhantes.

“A manifestação não é um problema, uma manifestação é consequência do problema”,frisou, considerando que os protestos são a “reclamação de quem sofre” e “não constituem motivo para assassínios.

Alfredo de Matos garantiu que logo após a conferência de imprensa iria para a PGR: “vou-me postar frente à PGR até que a PGR faça justiça pelo meu filho. Não vou para retaliações, não vou fazer desacatos, mas ali estarei até que a Procuradoria faça justiça”.

Segundo a PGR, de acordo com o primeiro exame de cadáver e autópsia, a perícia concluiu que a causa de morte foi um traumatismo cranioencefálico com fractura dos ossos do crânio e lesão do encéfalo,resultante de ofensa corporal com objecto de natureza contundente.

Testemunhas oculares garantem, no entanto, que o jovem foi baleado e morreu no local, sendo este também o entendimento dos familiares de Inocêncio de Matos que culpam a polícia pela morte. Por sua vez, o advogado da família, Zola Bambi, acusou hoje a PGR de estar a impedir o bom andamento do processo, adoptando “procedimentos para dificultar” o decurso das diligências.

“Faremos com que a verdade seja levada à luz e aos tribunais”, garantiu o também presidente do Observatório para a Coesão Social e Justiça. Em declarações à Lusa, na sexta-feira, Zola Bambi adiantou que a autópsia deveria ter sido realizada nesse dia, de manhã, na morgue central do hospital Josina Machel, mas acabou por não se concretizar, pois o representante do Ministério Público não permitiu a entrada de um fotógrafo, como tinha sido requerido. “Em nenhum momento nos disseram que o fotógrafo não podia estar presente”,frisou.

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