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Alexandra Dias: “Estima-se que 4 mil refugiados etíopes por dia chegam ao Sudão”

O conflito na Etiópia entre as forças governamentais e as forças regionais do Tigray tem alastrado. O Primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, afirmou que a operação das forças governamentais está a decorrer de maneira satisfatória, no entanto há relatos de massacres e de milhares de refugiados etíopes a chegarem ao Sudão.

Neste contexto a comunidade internacional já apelou os actores deste conflito para se encontrar uma solução política para evitar uma crise humanitária de grande escala.

Alexandra Dias, Professora na Universidade Nova de Lisboa (NOVA) e Investigadora no Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), admitiu que há um certo secretismo em torno do que está a ocorrer no terreno, com vários relatos contraditórios até no suposto ataque das forças do Tigray contra as forças governamentais que despoletou o conflito actual.

A especialista do Corno de África começou no entanto por nos explicar as origens deste conflito que já era latente há vários meses.

«O que sabemos actualmente é reduzido, visto que há um cordão em torno da região. Houve um ‘black-out’ em termos de comunicações. Portanto a informação que nos chega é reduzida. Em termos de uma perspectiva mais longa, em termos do contexto nacional, desde a chegada ao poder do Primeiro-ministro Abiy Ahmed em Abril de 2018, ele conseguiu levar a cabo reformas importantes, e a mudança mais significativa foi a reaproximação à Eritreia. Esta reaproximação tem implicações para entendermos a escalada de tensão com a região etíope do Tigray, que está na fronteira entre a Eritreia e a Etiópia», começou por afirmar a professora portuguesa, que continuou o seu raciocínio:

«Na perspectiva do Tigray, há uma percepção que os actores da região estão a ser excluídos do processo de normalização com a Eritreia. Os habitantes e as autoridades do Tigray estão cada vez mais isolados na sua própria região. A chegada ao poder de Abiy Ahmed também significou um afastamento do partido de coligação que esteve no poder, cujo partido do Tigray fazia parte. Recorde-se também que houve a implementação do modelo de federalismo étnico, que deu amplos poderes aos grupos e povos da Etiópia, divididos em regiões com base na etnia. E até há um artigo nas leis etíopes que prevê o direito à auto-determinação por parte dos povos da Etiópia. A chegada de Abiy Ahmed coincide já com a emergência de vários focos de insurreição nas regiões do país», admitiu Alexandra Dias.

Para a Investigadora no Instituto Português de Relações Internacionais, já em 2020, houve circunstâncias que levaram ao despoletar deste conflito: «Em Janeiro de 2020, Abiy Ahmed vem anunciar que as eleições regionais serão em Agosto de 2020. Temos depois o deflagrar da epidemia, que faz com que o Primeiro-ministro decidiu adiar as eleições. Os líderes regionais do Tigray não aceitaram este adiamento, organizando as eleições à revelia do poder central em Setembro de 2020. Mas o verdadeiro catalisador, que não conseguimos verificar porque só temos uma narrativa, foi a alegação por parte do Governo central de que, na madrugada de 4 de Novembro, forças afectas ao governo regional do Tigray teriam atacado as forças federais militares. Foi este ataque que despoletou então a escalada da crise e o anúncio do Primeiro-ministro que iria levar a cabo uma operação de restauração do Estado de direito na região», realçou a professora.

Segundo as informações que chegam com escassez, milhares de etíopes provenientes da região do Tigray saem do país: «As consequências já se estão a tornar notórias. A primeira consequência é a regionalização do conflito com o envolvimento de actores estatais. Também temos o fluxo de refugiados e as informações que nos chegam a partir do escritório das Nações Unidas para a coordenação dos assuntos humanitários, estima-se que estejam a atravessar a fronteira, por dia, 4 mil habitantes oriundos do Tigray. São estes que vão partilhando os primeiros relatos de bombardeamentos aéreos, que provocam baixas nos civis, e de massacres conduzidos com facas. Esta situação de violência interna tem sido constante. Mas é muito difícil saber exactamente o que está a acontecer no Tigray», concluiu Alexandra Dias.

O exército etíope leva a cabo uma operação contra a província do Tigray, no norte da Etiópia, que segundo o Primeiro-ministro, Abiy Ahmed, visa estabelecer o Estado de direito, perante a postura do partido Frente de Libertação dos Povos do Tigray (TPLF).

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FonteRFI
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