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A dor pela morte e a homenagem de Ricardo Lemvu a Waldemar Bastos (Vídeo)

Tinha-nos prometido enviar o que escreveu na altura em que se deixou possuir pela dor e a surpresa pela morte do seu grande amigo, conterrâneo, de MBanza Kongo que é, porque a sua passagem por este mundo, confere-lhe o estatuto de imortal pelo inegável valor da sua obra, Ricardo Lemvo fez questão, que publicássemos a seguir, o testemunho sobre a grandeza artística de Waldemar Bastos.

Com uma carreira estelar que durou mais de quatro décadas, ele enfeitou os palcos e locais de prestígio em toda a Europa, Estados Unidos, Canadá, Brasil e sua Angola natal.

Sua rica obra inclui os discos Pitanga Madura, Estamos Juntos, Love Is Blindness, Angola Minha Namorada, Classics of My Soul, Renascence. O que o levou ao estrelato internacional, no entanto, foi sua obra-prima de 1999, Pretaluz (Luz Negra), produzida pelo selo Luaka-Bop de David Byrne.

Waldemar também colaborou com uma miríade de artistas de várias origens musicais. Entre eles: o mestre guitarrista Dizzy Mandjeku e o baterista Komba Bellow do Congo-Kinshasa, o compositor japonês Ryuichi Sakamoto, a London Philharmonic Orchestra e a afamada Orquestra Sinfônica Portuguesa Gulbenkian.

Ele também recebeu muitos prêmios, incluindo o World Music Awards de 1999 como o Novo Artista do Ano. Em 2018, o Ministério da Cultura de Angola atribuiu-lhe o Prémio Nacional da Cultura e das Artes, o maior galardão de Angola.

Conheci Waldemar no Canadá no Edmonton Folk Festival em 2005, onde ambos estávamos nos apresentando. Naquela época, eu já vinha acompanhando sua carreira há alguns anos. Fiquei atraída por ele não só pela sua música, mas também pelo facto de ter nascido na minha casa ancestral de Mbanza-Kongo no Norte de Angola.


VIDEO CLIP DO ÁLBUM PRETA LUZ DA LUAKA BOP (David Birne) – YOU TUBE

Em nosso primeiro encontro, compartilhamos algumas cervejas e conversamos por horas. Eu o achei um indivíduo envolvente, e também muito apaixonado por sua arte. Ele também tinha opiniões fortes sobre o estado da música e da política angolana. Salientou a necessidade de mantermos a nossa originalidade para fazer avançar a nossa cultura para além de Angola.

Mais tarde nesse mesmo ano, os nossos caminhos voltariam a se cruzar em Luanda. Estivemos presentes nas comemorações do 30º aniversário da independência de Angola, e agimos na mesma altura numa gala no jardim do Hotel Trópico. Uma semana depois, ambos abrimos a cantora cabo-verdiana Cesária Évora.

Em 2008, em Los Angeles, nos encontramos novamente em uma conta dupla para um show no Getty Museum e também no Grand Performances.

Em julho de 2019 estivemos ambos em Angola para o Festival FestiKongo em Mbanza-Kongo. Infelizmente, não conseguimos nos ver naquela época. Ele se apresentou para a cerimônia de abertura do festival e deixou a cidade logo em seguida. Fiz parte de um grupo que tocou quatro dias depois na cerimônia de encerramento.

Dentro ou fora do palco, Waldemar tinha um brilho majestoso. Ele era digno, elegante, exuberante e cheio de vida. Minhas melhores lembranças, porém, foram as vezes em que nos reunimos na casa de meu amigo CC Smith para um churrasco. Laureanna, esposa de Waldemar, preparava misturas deliciosas, e todos nós contávamos piadas enquanto bebíamos vinho do Porto.

A morte de Waldemar deixa um vazio nos corações de todos aqueles que o conheceram. É difícil acreditar que ele se foi. Sempre vou valorizar os momentos que passamos juntos.

Descanse em paz eterna, irmão.

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