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Memorial da escravatura vai ficar pronto em 2021

O projecto “Plantação – Prosperidade e Pesadelo”, do artista angolano Kiluanji Kia Henda, para criação de um memorial da escravatura em Lisboa, vai estar concluído no final do primeiro trimestre de 2021, revelou o autor à Lusa.

A criação de um memorial da escravatura foi um dos projectos vencedores do Orçamento Participativo de Lisboa de 2017/2018, na sequência do qual foi lançado um concurso pela Câmara, saindo vencedora, em Março deste ano, a proposta de Kiluanji Kia Henda.

“Há algum atraso devido à situação de pandemia da Covid-19, mas o trabalho continua. Já temos o protótipo de uma cana de açúcar que está a ser realizado no Porto, por uma empresa portuguesa. Depois será a fase de produção, e segue-se a de engenharia. A expectativa é que o memorial esteja concluído no final do primeiro trimestre de 2021”, disse o artista sobre o andamento do projecto.

Kiluanji Kia Henda considera que a “reconciliação com o passado” da escravatura “só pode acontecer se primeiro forem reconhecidos os erros” desse “trágico período histórico”.

Para o memorial da escravatura, o artista idealizou uma plantação com 540 canas de açúcar de quatro metros de altura, em alumínio lacado a preto, assentes num piso da mesma cor, e uma zona com bancos de betão em círculo, onde os visitantes poderão sentar-se “para contemplar e reflectir sobre o monumento, ou para apresentar eventos culturais”, descreveu.

Questionado sobre a reacção que espera dos visitantes do memorial, e sobre a segurança do monumento, numa altura em que o racismo tem sido alvo de debate, em Portugal e no estrangeiro, devido à acção de movimentos de extrema-direita, Kiluanji Kia Henda diz estar consciente de que “tem aumentado cada vez mais a tensão racial”.

“A demonstração do ódio racial tem-se manifestado, infelizmente, com maior frequência. O memorial, por ser arte pública, está susceptível de ser vandalizado. Mas nessa altura, ele já não será meu, vai pertencer à cidade de Lisboa”, declarou.

Henda, que tem vindo a pesquisar os temas da memória colonial e os seus símbolos, e também os movimentos migratórios globais, usa habitualmente a fotografia, o vídeo, a instalação e a ‘performance’ nos seus trabalhos, apresentados já em Angola, Portugal, França, Itália, Alemanha, Polónia, Brasil, Estados Unidos, Austrália e China.

Para o artista angolano, “o mais importante é a consciencialização das pessoas sobre essa parte da História de Portugal, de forma a não cair numa amnésia colectiva. Cabe ao Estado português a protecção dessa memória, e a sensibilização das pessoas para que seja respeitado” o monumento.

“O memorial vai confrontar-nos com um período histórico trágico e catastrófico que não pode cair no silêncio”, admitiu o artista de 41 anos, sugerindo que outras iniciativas públicas deveriam avançar no sentido de levar luz ao passado, nomeadamente no conteúdo dos manuais escolares, “porque os portugueses estiveram directamente envolvidos no tráfico de escravos, e é preciso dizer e escrever manifestamente que foi errado”.

“Não se pode fingir que não aconteceu nada. Portugal deve confrontar-se com a sua História, e acabar com as omissões e os subterfúgios sobre esta questão, elevando os sentimentos de amor ao próximo e de respeito”, apelou, sublinhando que o trabalho que está a fazer com o monumento “é simbólico” e, na sua qualidade de artista, prestou-se a pensar e criar um projecto “que pudesse unir um propósito de reflexão e meditação”.

Para Kiluanji, ser escolhido para levar a cabo este projecto “é uma responsabilidade muito pesada, porque sei que vai ter um impacto na sociedade quando for concretizado”, disse, acrescentando que “ser artista é um acto de coragem”.

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